Publicidade Topo

notícias

Vera Gabardo assume vaga na Câmara de Irati, após internação de Ailton Laroca

Suplente do PV ocupará a vaga por 45 dias durante licença médica de Ailton Laroca, está internado após diagnostico de Covid-19/Karin Franco, com reportagem de Rodrigo Zub e Paulo Sava

Vera Gabardo obteve 649 votos nas eleições de 2020. Foto: Rafaela Maier/Câmara de Irati

Na terça-feira (09), Vera Gabardo (PV) assumiu uma vaga na Câmara de Irati. Ela substitui, por 45 dias, o vereador Ailton Laroca, internado após ser diagnosticado com Covid-19. Ela é a primeira suplente do Partido Verde (PV), tendo obtido 649 votos na eleição do ano passado. Agora, o legislativo municipal passou a contar com duas mulheres no plenário. Para Vera, a situação é difícil já que substitui Laroca em uma licença médica. “É uma situação bem constrangedora. Mas eu tenho um compromisso com os munícipes da cidade de Irati. Eu comparo a Câmara com uma empresa. Se falta um funcionário, o outro tem que repor para dar continuidade. Esperamos ansiosos que o seu Laroca volte são e tranquilizante no seu lugar, que eu estou só ocupando por 45 dias e peçamos a Deus que ele volte são”, disse. 

De acordo com o último boletim divulgado pela Santa Casa de Irati, o vereador permanece entubado, respirando com ajuda de máquina, em estado grave e sem intercorrências nas últimas 24 horas. Durante o período de 45 dias, a vereadora destacou que deve fazer algumas indicações, especialmente para a Vila São João, onde atua. Um dos pedidos de melhorias será sobre o trânsito. “A gente está precisando muito pensar no trânsito da Vila São João. Não temos acesso certo para a BR 153. É uma situação drástica para nós ali. Você fica meia hora para conseguir atravessar o asfalto”, conta.

A situação do lixo também deverá ser tema de indicação. “Também voltado ao meio ambiente porque na situação que estamos vivendo na pandemia, já é uma situação difícil e pensa na quantidade de lixo descartável que nós estamos fazendo tudo isso ir para a natureza de uma forma ou outra. Vamos também estar pensando no meio ambiente”, disse. 

 Quer receber notícias locais?

Atuação voluntária: Uma das principais atuações de Vera Gabardo é como voluntária na Pastoral da Criança da Paróquia São João Batista. Na pastoral, um dos projetos realizados é a distribuição de sopas para a população necessitada. “Na Pastoral da Criança já trabalho há mais de 20 anos. Agora estamos com o projeto da sopa, temos o projeto do Construa e Reconstrua, o de doações e a horta comunitária, que já temos uma horta pequena, e se Deus quiser, a gente vai dar o andamento melhor na horta comunitária que é o que a gente precisa bastante para usar na sopa”, conta. 

Outro projeto é o Divida Seus Dons que propõe ensinar mulheres da comunidade a trabalhar com artesanato. “De estar envolvendo mais as mães no trabalho manual de artesanato para elas terem uma renda porque estamos sempre ligados. Tenho um grupo de 60 mulheres, e vejo a dificuldade de elas não terem um emprego, não terem um trabalho, porque muitas vezes falta um pouco de instrução. Assim com trabalhos manuais, elas vão poder trazer o alimento para dentro da casa”, explica. 

O projeto Construa e Reconstrua também é feito junto com a comunidade por meio de doações. Com isso, os voluntários conseguem trazer melhorias em casas de pessoas mais necessitadas como a construção de um banheiro ou adaptação para pessoas com alguma deficiência. “A gente corre atrás da doação, da sobra de material. Sobrou tijolo na tua casa, tem o jogo de banheiro, eu vou buscar. Sobrou cinco lajotas, eu vou buscar. E tudo isso é feito com a doação de material de construção”, conta. 

Outra ação em que Vera esteve envolvida foi a construção do Parque da Vila São João. Desde o início, ela defendeu a criação de um parque no local. A ideia foi proposta em um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), feito durante o período que cursou Turismo na Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), no qual ela é formada. Depois, a ideia foi apresentada ao prefeito Jorge Derbli.

Na época, havia uma possibilidade de uma empresa se instalar no local. Para ela, o local não possuía condições para a instalação de uma empresa. “Eles entendiam que eu não queria empresa. Mas não era isso. Nós temos dois parques industriais fortíssimos, que a tendência é só crescer”, disse. 

Para ela, era necessário preservar o local por sua natureza. “Tudo ali era nativo. Também temos as fontes das águas que eram naturais, temos o Rio das Antas. Tudo percorria ali. Foi uma guerra, uma luta infinita, até que a gente conseguiu”, recorda. 

Com a construção do parque, ela conta que tem sido uma boa experiência ver a transformação do local. “É maravilhoso você ver, fora da pandemia, as pessoas lá. Tanta coisa que estava acontecendo”, conta. 

Mulheres na política: Na eleição do ano passado, as candidaturas femininas aumentaram em Irati. Além disso, a Câmara de Irati conta com uma mulher na legislatura após 20 anos. 

Para Vera, esse aumento é um reflexo das ações que proporcionaram maior incentivo às mulheres. “As mulheres queriam se envolver, mas não eram incentivadas. Até mesmo eu ficava com um pouco de receio, de me lançar candidata e só fiz isso quando pensei que estaria pronta para essa nova jornada da minha vida, mas o que levou esse incentivo foi muita divulgação e os partidos também, que fizeram ser obrigados a ter uma certa quantidade certa de mulheres. Com isso abriu um leque para nós, para batalhar para o nosso lado”. 

Ela destaca que é preciso maior conhecimento para que mais mulheres entrem na política. “Muitas pessoas não têm conhecimento da política. A política somos até dentro da nossa casa. A mulher já é uma política, já é uma administradora do lar. Ela é uma administradora quando ela faz a compra do mês, quando ela tem que pagar luz e água, quando ela sabe que ela tem que criar os filhos. Muitas vezes a mulher sozinha já está fazendo a política ali. Então, por que não se envolver diretamente também com os problemas da sociedade, os problemas da comunidade?”, explica. 

Um dos caminhos para que isso aconteça é a liderança em bairros. “Eu vejo que deveria ter uma liderança. Porque se cada bairro tiver uma líder da comunidade, a coisa vai andar melhor porque os problemas da comunidade vão ser levados mais diretamente para a prefeitura, para a Câmara de Vereadores. Começa pelo bairro. Incentivar as mulheres a se envolverem nas lideranças do bairro”, conta.