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Vacinação contra coronavírus ainda não chegou a 5% da população da região

Apesar disso, já há faixas etárias com 100% de imunização como idosos com mais de 90 anos, indígenas, população idosa em asilos e pessoas com deficiência em instituições inclusivas/Karin Franco, com reportagem de Rodrigo Zub e Paulo Sava

Foto: Jonathan Campos/AEN

O número de pessoas vacinadas contra a Covid-19 na região Centro-Sul ainda não chegou a 5% da população que vive nos municípios abrangidos pela 4ª Regional de Saúde (Irati, Imbituva, Fernandes Pinheiro, Rebouças, Mallet, Rio Azul, Teixeira Soares, Guamiranga e Inácio Martins). Mesmo assim, a entidade avalia como positivo o andamento da vacinação porque há faixas etárias que já alcançaram 100% de imunização, incluindo a segunda dose da vacina.

Em entrevista à Najuá, o diretor da 4ª Regional de Saúde, Walter Henrique Trevisan, conta que a vacinação tem progredido, mas a cobertura da vacinação ainda é flutuante. “Isso se for ver numa população de 173 mil habitantes, nós não chegamos a 5%. Uma cobertura ainda baixa para aquilo que a gente deseja. Porém, nas faixas etárias, quando você vai vendo, nós atingimos 100% dos idosos de 90 anos ou mais. Nós atingimos quase 100% na faixa dos 85 a 90 anos. E estamos completando as outras faixas. Alguns municípios já com 100% dessas faixas vacinadas. Então, é muito flutuante”, avalia o diretor. 

Até segunda-feira, 15, o número de pessoas vacinadas com a primeira dose era de 7.230. Já a segunda dose havia sido aplicada em 2.440 pessoas. Indígenas, idosos em asilos, pessoas com deficiência em instituição inclusiva e pessoas com mais de 90 anos já possuem 100% de cobertura vacinal. A expectativa é que o último lote recebido pela 4ª Regional de Saúde, com 1.540 doses, ajude a incluir mais uma faixa etária para a vacinação. “As doses que chegaram nesse momento foram importantíssimas porque abre-se um outro caminho de vacinas para outra faixa etária. Isso é importante. Inicia-se a faixa etária de 75 a 79 anos. Já estávamos vacinando os mais de 80 anos e isto é muito importante”, disse Walter. 

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O que tem preocupado a 4ª Regional é a vacinação de trabalhadores de saúde. Em alguns municípios, como Guamiranga, 100% dos trabalhadores de saúde foram vacinados. Mas em cidades como Irati, Rebouças, Rio Azul e Teixeira Soares ainda faltam trabalhadores para serem imunizados.

Uma das razões é que o número de trabalhadores da saúde registrado no Ministério da Saúde é menor do que a quantidade de profissionais existentes. Em Brasília, há o registro de 3.213 trabalhadores na região Centro-Sul. Porém, levantamento da 4ª Regional de Saúde com os municípios mostrou que há na verdade 3.514 profissionais. 

O resultado foi que o Ministério da Saúde repassou menos doses do que seria o necessário. “Nós sabemos que o Ministério da Saúde, infelizmente, tinha dados, na nossa região, esses dados foram subestimados. Em algumas faixas etárias também estamos vendo isso. Como quem coordena a distribuição a nível nacional é o Ministério, depois isso chega no Estado e é nos repassado. Há toda uma logística feita para que seja atingida uma população dentro das faixas etárias, conforme o Ministério sinaliza para nós”, detalha o diretor. 

Por causa desta situação, a quantidade de cobertura vacinal também está defasada no Governo Federal. Segundo Walter, o Ministério da Saúde registra que 84% dos trabalhadores foram vacinados, enquanto que na realidade, a 4ª Regional imunizou apenas 64% neste grupo. Até segunda-feira, 15, haviam sido vacinados 2.390 trabalhadores. 

O diretor explica que há pedidos para o Estado intervir e aumentar esse repasse. Até o momento foram destinadas 2.580 doses redondas para trabalhadores e repassadas mais 540 doses, dentro do próximo lote, que podem ajudar a aumentar a vacinação. “Não é o ideal ainda. Estamos com esse deficit, deixando a desejar. Estamos aqui insistentemente pedindo para Curitiba intervir junto ao Ministério para que haja uma remessa maior para a região. Nós até já fomos atendidos em parte nesta última remessa”, conta. 

Há ainda mais três lotes de vacinas que serão repassados neste mês para a 4ª Regional de Saúde. No País, a expectativa é que mais de 9 milhões de doses sejam distribuídas até o fim de abril. No entanto, o diretor reconhece que a distribuição ainda não está na velocidade que deveria e que não há previsão de um repasse muito grande de uma única vez. “Se tivéssemos mais vacina com certeza as equipes dos municípios estariam vacinando mais, mas infelizmente nós ainda não temos uma previsão de uma chegada de uma remessa tão expressiva para o estado”, relata. 

Compra de vacina: Prefeitos e governadores estão assinando um protocolo de intenções para uma possível compra de vacinas por meio de um consórcio de saúde. Na região, a maioria dos municípios aderiu a este protocolo de intenções.

Para o diretor da 4ª Regional de Saúde, a ação é válida, mas ainda há incertezas da realização de projetos, já que as vacinas estão sendo superfaturadas. “O protocolo de intenção de compra assinado agora é uma tentativa, é válida. Porém, existem alguns indicadores que as indústrias estão superfaturando junto nas prefeituras e junto aos governadores, este medicamento. É o que escutamos. Não tenho o dado concreto, mas é informado por pessoas dentro do processo. E é isso que está deixando preocupados os prefeitos, tem deixado preocupado os governadores, porque o Ministério da Saúde consegue a compra com um valor menor. Não sabemos em que momento isso vá acontecer, de uma forma que a indústria também sinalize para todos os governadores e todos os prefeitos o mesmo valor do Ministério, que seria justo”, conta.

Outra insegurança é o transporte seguro das vacinas. De acordo com Walter, este é um fator importante para que a solução seja eficaz e as doses não sejam perdidas. “Tem toda uma logística de distribuição. O estado do Paraná tem uma garantia de eficiência e de ser eficaz no seu trabalho de imunização há muitos anos já garantido, com caminhões que semanalmente entregam vacinas com controle rígido de temperatura. São caminhões rastreáveis, com monitoramento por satélite. São questões técnicas que nós temos certeza que o produto está chegando ao consumidor final com qualidade. Assim como os municípios tem geladeiras científicas, todas elas montadas, tudo guardado de uma forma que possa garantir. Não sei se a logística do estado será usada para essas vacinas, espero que sim, para garantir segurança porque me preocupa na indústria trazendo e distribuindo isso pro Brasil a fora”, relata. 

O diretor explica que o projeto será eficiente se as doses que forem adquiridas pelo consórcio, sejam enviadas para o Ministério da Saúde, que repassará aos municípios. Mas mesmo que o plano dê certo, o diretor destaca que a indústria está tendo dificuldade de produzir novas doses. “Eu não sei se isso terá um efeito tão logo porque ainda a indústria está com muita dificuldade de matéria-prima. Eles finalizam, as leis estão sendo feitas, estão se antecipando as coisas para se garantir, mas essa velocidade de produção ainda não é aquilo que a gente imaginaria ser. Na verdade, temos que entender que o mundo todo está atrás desses produtos, desses insumos e não está sendo fácil a produção deles, não está sendo fácil chegar na quantidade que a gente gostaria. Temos que ter paciência”, explica. 

Segunda dose: O diretor ressaltou que a segunda dose da vacina é aplicada de acordo com a marca da dose aplicada. Se a vacina for da Coronavac/Butantan, o intervalo mínimo é de 21 dias entre a primeira e segunda dose. Já na Astrazeneca/Fiocruz o intervalo é de até dois meses. 

Walter ainda garantiu que a aplicação da segunda dose está garantida. “Todas essas vacinas estão garantidas a segunda dose aqui no Paraná, dessas 7.230 doses que chegaram aqui. Nós já vacinamos na segunda dose 2.440 pessoas. Mas o Paraná faz essa reserva técnica. Outros estados adotaram outra maneira de trabalhar e não estão conseguindo fazer a segunda dose dentro do prazo estabelecido”, conta. 

Quem adoeceu recentemente precisa esperar para tomar a vacina, incluindo a primeira dose. Segundo o diretor, ainda há diferenças se esse intervalo deveria ser de 15 ou 30 dias, mas que a Regional tem seguido as orientações de médicos para aplicação das vacinas. “Eu não sei qual é o protocolo do Ministério. Não tenho cópia aqui do Ministério, do protocolo, com esse intervalo de tempo bem corretamente. Mas até onde eu sei, até onde eu lembro, era de 30 dias que deveria aguardar para se fazer a dose da vacina”, explica.

Ele contou que mesmo com a aplicação das duas doses, algumas pessoas podem adquirir o vírus já que o sistema imunológico se comporta diferente em cada pessoa. Walter conta que algumas pessoas costumam não atingir 100% de imunização mesmo com alguma vacina. “Tem pessoas que fazem a vacinação, não conseguem fazer imunidade. Isso é o sistema imunológico que tem algum déficit e, às vezes, isso acontece para qualquer pessoa. Só vai descobrir isso aqueles que tiverem depois o desenvolvimento de alguma doença”, relata. 

A vacinação para gestantes ainda não é recomendável, mas após o parto, mulheres poderão se vacinar. “Nesse momento estava se pedindo para aguardar por uma questão de que a vacina é nova, alguns problemas que sabemos que, ‘Deus o livre’, desenvolve algum problema e já vão acusar a vacina. Alguns médicos acharam melhor não fazer a vacinação da gestante, melhor aguardar. Temos respeitado muito a decisão médica nessa hora para alguns pacientes”, destaca. 

A expectativa é que em abril, os idosos acima de 65 anos consigam se vacinar. “Então 65 anos, são mais duas etapas. Quero acreditar que para o mês de abril a gente já vai estar iniciando as pessoas com mais de 65 anos”, explica o diretor. 

Leitos: Outra dificuldade que os municípios estão enfrentando durante este mês é o repasse financeiro para custear a manutenção de leitos para Covid-19. O Ministério da Saúde acabou cortando o valor repassado para a sustentação de alguns leitos em hospitais filantrópicos, como é o caso da Santa Casa de Irati. 

O diretor conta que não houve explicação para o corte. “Nós tínhamos, por exemplo, na Santa Casa, dois ou quatro leitos de respiradores que era para paciente que estava no ambulatório da Santa Casa e a Santa Casa recebia para esses pacientes. Infelizmente, hoje esses pacientes com ventilação mecânica que tem ali, esses leitos foram desabilitados pelo Ministério. Foram desabilitados e a gente não recebeu nenhuma orientação do porquê”, contou Walter. 

Sem o repasse do Governo Federal, a Regional tem se organizado para tentar com o Governo Estadual, por meio da Secretaria de Saúde, alguma solução para que a Santa Casa de Irati possa receber os valores para o custeamento dos leitos, que inclui equipamentos, suplementos, medicação e profissionais treinados para este tipo de atendimento. Contudo, a Secretaria ainda não indicou uma solução, apesar de esforços para encontrar alguma maneira que ajude Irati e região.

A situação da falta de repasse preocupa a Regional que vê a situação se agravar, principalmente em Imbituva. “Na sexta-feira tínhamos seis pacientes. Um no respirador e cinco pacientes aguardando e sendo cuidados dentro de um Pronto Atendimento. Irati me parece que na sexta-feira tinha sete pacientes que estavam sendo cuidados e parece que dois em respiradores. A sobrecarga de trabalho dessas equipes e a sobrecarga de dinheiro que é gasto nesta manutenção das vidas é um custo elevado. E aí não tem a remuneração por parte do Ministério da Saúde para esta atividade”, relata Walter.

Sem o repasse dos governos estados e federal para os leitos, é o município que acaba pagando pelo leito oferecido por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). “O município recebe muito pouco pelo trabalho que vem desenvolvendo. Tem um custo muito alto tudo isso. Hoje existe uma fonte que o município pode estar recebendo pelo Ministério e as pessoas ficam falando coisas que não procedem. Os municípios tem feito o seu trabalho. Todos os municípios estão fazendo o seu trabalho. Hoje tem município que está com ventilador ligado há mais de mês funcionando, com oxigênio. Tudo a custo do município”, explica. 

O diretor ressalta que o custo de manutenção de uma vida é alto, e mesmo com a ampliação de leitos na Santa Casa de Irati, ainda há cinco pacientes no Pronto Atendimento do hospital esperando por uma vaga para ser internado. Por isso, ele reforça que é preciso se proteger. “A vacina é mais um mecanismo de defesa, mas o principal mecanismo de defesa é a conscientização. Não aglomerar, evitar ambientes fechados, arejar os ambientes, usar máscara, usar álcool em gel. Se precisa trabalhar, vá trabalhar, mas se pode ficar em casa, fique em casa. Não aglomere. Não faça reunião, festa”, disse.