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Provedor da Santa Casa diz que sistema de saúde está entrando em colapso

Segundo dados da SESA, Paraná atingiu 96% da ocupação de leitos de UTI para Covid-19 nesta sexta-feira. Santa Casa está com superlotação desde o início da semana/Paulo Sava

Provedor da Santa Casa, Ladislao Obrzut Neto, diz que sistema de saúde paranaense está entrando em colapso. Foto: Jussara Harmuch/Arquivo Najuá
O sistema de saúde está entrando em colapso no Paraná. A afirmação foi feita pelo provedor da Santa Casa de Irati, Ladislao Obrzut Neto, em entrevista ao programa Espaço Cidadão da Super Najuá nesta sexta-feira, 05. De acordo com dados divulgados ontem pela Secretaria de Estado da Saúde (SESA), a taxa de ocupação de leitos de UTI adulta atingiu 96% em todo o Paraná. Somente na macrorregião leste, que abrange a região de Irati, 97% dos leitos estão ocupados. “Estamos indo para um colapso, com esgotamento de números de vagas, em termos de leitos de UTI e enfermaria clínica para Covid-19”, ressaltou. 

A Santa Casa ampliou o número de vagas da ala Covid-19, passando a contar com 5 leitos de UTI e 8 de enfermaria. Há ainda a possibilidade da criação de mais 3 leitos de UTI no setor. Mesmo assim, o hospital está superlotado, com 100% de ocupação dos leitos para pacientes com coronavírus.  Ladislao lembra que os alertas para a manutenção do distanciamento social vinham sendo feitos desde o início da pandemia, em março do ano passado, o que poderia ter evitado esta superlotação.

“Isto serviria para que desse tempo de que a curva de contágio fosse mais achatada e de que o sistema de saúde atendesse todo mundo, o que não aconteceu neste início de ano. Houve um aumento no número de casos, com gravidade e virulência maior, uma diminuição na idade das pessoas afetadas ou contaminadas, com mais jovens, e isto fará chegar ao colapso do sistema de saúde, coisa que nós podemos pensar nesta situação”, frisou. 

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Falta de medicamentos - Ladislao alerta também que não há no mercado sedativos disponíveis para compra pelos hospitais. Estes medicamentos são utilizados em pacientes que precisam ser entubados. “Nós vamos ficar amarrados. Existem outros tipos de anestesias, de sedação, mas não trarão muitos benefícios aos pacientes com Covid, que precisam ter os pulmões mais livres e outras medicações não fazem isto. Estes medicamentos que estão em falta fazem uma liberação do diafragma, músculo que ajuda na respiração. Com isto, ele (paciente) consegue ter uma facilidade maior de ventilação”, explicou.

Em média, cada paciente entubado utiliza 15 ampolas de sedativo por dia, o que geraria um custo de R$ 1500 por pessoa, conforme Ladislao. “Se nós formos pensar em termos de 10 pacientes, seriam quase R$ 15 mil por dia só com este medicamento, tirando oxigênio e outras medicações, como antibióticos, corticoides, anticoagulantes e por aí vai”, comentou.

Os sedativos são adquiridos com recursos próprios da Santa Casa. Ladislao afirma que já conversou com o prefeito Jorge Derbli (PSDB) sobre a possibilidade de o Executivo dar um auxílio na aquisição destes medicamentos, mas não houve autorização por parte do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR). “Há gravidade nos dois cantos, a falta de leitos e de medicação. Se tiver a soma destes dois fatores, pode considerar que estamos em colapso, porque está difícil”, lamentou Ladislao.

Somente na última quarta-feira, 03, à noite, dois pacientes precisaram ser entubados na porta de entrada da Santa Casa por não haver leitos de UTI disponíveis. “Com isto, poderíamos até ter fechado a Santa Casa para outros atendimentos, não tínhamos leitos na UTI e entubamos dois pacientes na porta da Santa Casa. Fizemos outras coisas para aumentar os leitos da porta de entrada da Santa Casa, mas é paliativo, nada vai resolver”, pontuou. 

Situação dos profissionais - Mesmo extenuados, médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem continuam prestando o melhor atendimento possível aos pacientes que chegam à Santa Casa. No entanto, na opinião de Ladislao, a alienação da população em relação à gravidade da pandemia tem sido causa de stress para os profissionais da saúde.  “Parece que as pessoas não entenderam a gravidade da situação, se aglutinando em festas e bares, se escondendo para fazer festas. O que acontece? Aumenta a ansiedade, a angústia, o desespero, aumenta a irritabilidade da equipe, podendo até existir problema de relacionamento entre eles por causa disto. O cansaço, a irritabilidade e o stress, além da Síndrome de Burnout, que fala sobre isto, e a pessoa já vem trabalhar cansada, e vê nas notícias a turma fazendo festa e comemorando campeonatos. Aí vem um rapaz de 18, 19, 20, 30 ou 40 anos com insuficiência respiratória e temos que tratar para salvar a vida dele. Nós só vamos ter imunidade pela vacina se mais de 70% da população for vacinada”, comentou. 

Com um maior número de mortes e casos por dia, março de 2021 deverá ser considerado o pior mês desde o início da pandemia. Por este motivo, o provedor defende a manutenção do isolamento social. “Se nós conseguirmos segurar o contágio através do isolamento social, quem sabe possamos terminar um pouco melhor, ou pode ser que continuemos pelo mês de abril e até quando, não sabemos. Torcemos para que a vacina venha em doses suficientes para que possamos vacinar todo mundo e com isto tentar segurar a virulência do vírus. Lembramos que as cepas são mais violentas e mais fortes, e vamos ter que saber conviver, nos protegendo, isolando, lavando as mãos, passando álcool gel, utilizando máscaras, para dar tempo de tratar aqueles que estão mais graves e tratar todo mundo de uma forma decente, se não vamos ter que escolher quem vai viver e quem vai morrer”, comentou.

Casos nas últimas horas em Irati - Somente nas últimas 24 horas, Irati registrou mais 13 casos de Covid-19. Desde o início da pandemia, o município teve 3492 casos confirmados. Destes, 143 estão em isolamento domiciliar, 14 estão internados, sendo 7 em enfermarias e 7 em UTI’s, e 3299 se recuperaram. Outras 36 pessoas morreram em virtude de complicações causadas pela doença. 85 casos estão em investigação. Até a manhã de quinta-feira, 04, 1581 pessoas haviam sido vacinadas contra o coronavírus, sendo que destas, 619 já receberam a segunda dose.