Publicidade Topo

notícias

Pacientes permanecem internados no Pronto Atendimento à espera de vagas de UTI

Somente nesta sexta-feira, 19, três pacientes de Irati aguardavam vagas em hospitais do Paraná/Paulo Sava

Ambulância estacionada próximo à ala destinada para pacientes com sintomas gripais no Pronto Atendimento da Vila São João. Foto: Luciane Batista

Pacientes com Covid-19 em estado grave permanecem internados no Pronto Atendimento (PA) da Vila São João, em Irati, enquanto aguardam a liberação de vagas de UTI na central de leitos do Paraná para serem transferidos. Somente nesta sexta-feira, 19, três pacientes aguardavam transferência para hospitais do estado. Por conta disso, assim como a Santa Casa, o Pronto Atendimento também está sobrecarregado. Algumas modificações foram feitas na estrutura do PA para receber estes pacientes. A enfermeira-chefe do PA, Luciane Batista, conta que as enfermarias foram transformadas em centrais de atendimento para Covid-19. “Conseguimos manter 08 leitos de Covid e mais dois de emergência, num total de 10. Conseguimos adaptar três respiradores, mas a população tem que saber que utilizamos uma medicação forte para sedação, que é hospitalar e conseguimos levar para o PA. Conseguimos também manter todo o material de emergência que o hospital tem”, frisou.

Dois médicos que integram a equipe da UTI da Santa Casa, Carlos Durski e João Henrique Sabag Duarte, passaram a atender os pacientes do PA, junto com a médica Fabiana Dino, que também presta serviços aos pacientes de Covid-19 durante todo o dia. Conforme Luciane, mesmo com a estrutura adaptada, existe o temor de que pacientes com sintomas leves possam evoluir para quadros mais graves. “Temos uma estrutura adequada, mas temos medo de que estes pacientes simples que entram aqui só para aguardar um exame evoluem muito rápido para a gravidade. O bicho (vírus), em horas ou minutos, consegue tomar conta do pulmão e outras regiões do corpo do paciente. É muito grave o que está acontecendo com esta variante, que está se alastrando muito rápido, e eu digo que são muitos jovens, não são idosos, são jovens que estão perdendo a vida, pessoas que passaram pelo PA, que demos suporte e foram transferidas para a Santa Casa, mas infelizmente não conseguiram vencer este vírus”, desabafou a enfermeira.

Diariamente, são feitas entre 60 a 70 coletas de exames nas unidades François Abib (Unidade Sentinela) e no Pronto Atendimento. Luciane, que teve Covid-19 e está na linha de frente, disse que, mesmo já tendo sido imunizada, tem medo de contrair novamente a doença por conta da sua saúde. Com isso, ela teme contaminar seus familiares, pois acredita que as novas variantes do coronavírus estão mais fortes. “O paciente chega a ter um ou dois dias de sintomas, e já está com o pulmão tomado e com o vírus tão elevado no organismo. Por isto, eu acho que esta é uma variante diferente que está no município, mas eu falo por mim, pelos casos que vemos em que as pessoas dizem que em dois ou três dias não conseguem respirar, não dormem e não se alimentam. É difícil, mas temos que aceitar”, ponderou.

A enfermeira lamentou o fato de não haver mais vagas para internação e reclamou da falta de pessoal para trabalhar na linha de frente. “Não temos vagas e não nos preparamos em relação humana, não temos equipe. Não podemos obrigar um técnico de enfermagem a assumir uma unidade de Covid-19 sabendo que ele tem família. Muitos têm medo do vírus e sentiram na pele, trabalhando no hospital, o quanto é horrível você ver pessoas jovens morrendo por falta de oxigênio. Infelizmente não temos mão-de-obra, nem médicos, nem técnicos e nem enfermeiros, ninguém se preparou para isto”, frisou. Luciane afirmou que o profissional pode optar por não trabalhar em uma unidade de Covid-19 para proteger a si mesmo e sua família. “Quem está na linha de frente, no Hospital, no Pronto Atendimento ou outras unidades, são guerreiros, pessoas que colocam a vida deles em perigo, pois a vida da população é mais importante que a nossa. Escolhemos cuidar, amar e proteger, e é isto que estamos fazendo”, afirmou.

Pacientes com sintomas gripais aguardam para receber atendimento na ala exclusiva para tratamento da Covid no Pronto Atendimento. Foto: Luciane Batista 

Quer receber notícias locais?

Comportamento da população - Luciane reclamou também do comportamento da população, que mesmo com o caos na saúde, continua promovendo aglomerações. “Como é que pode chegarmos a um ponto de termos 60 coletas em um dia e a população estar deste jeito? Que feio desta população de Irati! Estamos com 3 pacientes aguardando vaga na Santa Casa. Eu cheguei ao ponto de pensar que um paciente conseguiu vaga na Santa Casa depois que outro foi a óbito. Temos que torcer para que um paciente receba alta ou vá a óbito para conseguir encaixar os teus pacientes, e até o paciente torcer que outro receba alta ou vá a óbito para conseguir atendimento. Vai ficar cada dia mais feio aqui em Irati”, desabafou.

Na opinião de Luciane, quem promove aglomerações neste período de pandemia está “comemorando os óbitos de Irati”. “Na hora em que você continua seguindo sua vida, comemorando e fazendo festas de aniversário para 15 ou 20 pessoas, está comemorando o óbito de uma família que está sofrendo. Não adianta usar máscara na rua e continuar fazendo festa. Não é momento de reunião, mas sim de união de vocês junto a nós. Eu sei que todo mundo tem vontade de fazer festa, mas as que estão ocorrendo dentro de Irati são os velórios. Se você acompanhasse um velório de uma pessoa que teve Covid-19, em questão de minutos o paciente é enterrado, e quem vai sentir a dor é a família que passou por isto”, comentou.

Medicamentos - De acordo com Luciane, o Pronto Atendimento tem estoque de medicamentos sedativos para intubação do paciente apenas para casos de emergência. “Não temos uma quantidade para 10 ou 20 pacientes, mas sim uma quantidade de emergência, para um número x de pacientes. Várias fábricas produziam este tipo de medicação, mas infelizmente não tem produto no mercado. O que está difícil é conseguir a medicação, não por falta de verba, mas não tem fornecedores desta matéria-prima”, frisou.

Luciane considera a quantidade de casos, pacientes internados e mortes por Covid-19 muito alta. “Ainda pensamos nisto, tem muita gente que tem os sintomas e não faz a coleta por medo de ter que ficar afastado do trabalho. Muitas e muitas pessoas estão recebendo de seus entes queridos, vizinhos e familiares, um ‘presente’, que é o Covid-19. Na hora em que você não respeita a vida do outro e, mesmo sabendo que tem os sintomas, você tem contato com outras pessoas, está ‘presenteando’ o outro. Este número é alto, não é exagerado, não é falso, e sabemos que acordamos esta semana não para encerrar a Covid-19, mas para uma abertura intensa neste mês de março e talvez até abril. Só vai aumentar o número de pessoas positivadas, infelizmente por vermos como está este tipo de variante, e isto vai agravar os sintomas”, lamentou.

Serviço - Pacientes que tiverem sintomas leves de Covid-19 podem procurar a Unidade de Saúde François Abib, no Conjunto Joaquim Zarpellon, após três dias de sintomas, de segunda a sexta-feira, das 08h às 17 horas, sem fechar para o almoço. Já os casos mais graves serão encaminhados para o Pronto Atendimento 24 horas na Vila São João, onde os pacientes permanecerão em observação até haver uma melhora do quadro. Se houver necessidade, eles ficarão internados no local até que abra uma vaga na Central de Leitos do Paraná. Pessoas que precisarem de atendimento em outras áreas devem procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de sua residência. Somente casos de urgência e emergência serão atendidos pelo PA.

Confira mais imagens da estrutura do Pronto Atendimento para pacientes com Covid-19.

Fotos: Luciane Batista

Entrada da ala Covid-19


Consultório médico

Enfermaria Covid

Uma nova calçada está sendo construída em frente ao PA, para facilitar a acessibilidade.