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Empresários e funcionários protestam e solicitam volta de atividades em Irati

Atividades consideradas não essenciais foram suspensas por um decreto do governo do estado, que foi prorrogado até a próxima quarta-feira, 10/Paulo Henrique Sava, com informações dos portais G1 e Bem Paraná

Empresários e funcionários de lojas afetadas pelo decreto estadual que está em vigor protestaram nesta sexta-feira, 05, em frente à Prefeitura de Irati. Foto: Paulo Henrique Sava
Empresários e funcionários de alguns setores afetados pelo decreto estadual que entrou em vigor no último sábado, 27, suspendendo atividades consideradas não-essenciais, protestaram na tarde desta sexta-feira, 05, em frente à Prefeitura de Irati, solicitando o retorno ao trabalho. Revoltados com a situação, os manifestantes solicitaram uma conversa com o prefeito Jorge Derbli (PSDB). Ele disse que, apesar de não concordarem com o decreto, todos os prefeitos da região decidiram acatá-lo. O prefeito destacou as atividades que considera como essenciais.

“O que é essencial para mim: farmácia, posto de gasolina e supermercados (alimentação), somente três coisas. A saúde nem se discute, ela tem que ficar aberta. Nenhum prefeito, em sã consciência, quer fechar qualquer comércio na sua cidade. Na sexta-feira à tarde, saiu o decreto do governador que abrange o estado inteiro. Tivemos uma reunião na AMCESPAR com todos os prefeitos e decidimos seguir 100% do decreto do governador. Não concordo com aquela relação do que é ou não essencial. Nós concordamos que até as 05 horas de segunda-feira, dia 08, vamos continuar com este decreto”, frisou.

Derbli se comprometeu a conversar com representantes das categorias em uma reunião na próxima segunda-feira, 08, à tarde. Ele ressaltou que todos os setores tiveram prejuízos com a pandemia. “Todo mundo tem razão nesta questão da Covid-19, o hospital porque está lotada, a saúde porque está esgotada, e o comércio porque está em uma situação financeira difícil. Segunda-feira, às 14h30min, no Salão Nobre da Prefeitura ou na Câmara Municipal, eu vou convocar uma reunião com setores do comércio, a ACIAI e os sindicatos, para encontrarmos uma solução para sabermos o que fazer, termos bom senso e continuar trabalhando. Eu concordo que os supermercados estão lotados e a contaminação está em toda parte. Ninguém sabe onde está o Covid-19, então vamos esperar até segunda-feira para tomarmos uma decisão”, afirmou.

Ao lado da vice, Ieda Waydzik (PV), o prefeito Jorge Derbli (PSDB) se comprometeu a conversar com representantes das categorias na próxima segunda-feira, 08. Foto: Paulo Henrique Sava
Posição dos empresários - O empresário Miguel Ângelo Adamski, dono de uma barbearia, classificou o decreto como injusto e considerou a classificação feita pelo governo do estado sobre o que é ou não serviço essencial como “evasiva”. Ele disse que sente muita tristeza por saber que aglomerações continuam ocorrendo em outros locais. “Como autônomo, uma semana parado prejudica totalmente nossa economia, principalmente a primeira semana do mês. Sentimos tristeza porque vemos aglomerações em outros pontos sabendo que estamos fazendo nosso trabalho para que não haja aglomeração. Na minha opinião, deveria haver uma fiscalização melhor, com um levantamento do COEF e da Prefeitura sobre os pontos de aglomeração, com fiscalizações, porque não são só as barbearias, mas vários ramos estão sendo prejudicados neste momento”, pontuou.

Arão Cezar de Andrade, dono de um bar e de uma empresa de marketing digital, afirmou entender que muitas pessoas estão com medo de contrair a Covid-19. Entretanto, ele alegou que a maioria da população precisa trabalhar para garantir o próprio sustento. “Mesmo com meu barzinho fechado, as contas não param de chegar, o aluguel também não, os funcionários precisam receber, e aquele fundo de reserva, um dinheirinho que você tinha reservado para um possível investimento futuro, acaba indo nestes dias em que ficamos parados. Ganhamos por produção: se produzirmos, ganhamos, se não produzirmos, não ganhamos”, enfatizou.

Mesmo em meio à pandemia, Arão e sua irmã Mikely decidiram arriscar e abrir o estabelecimento, tendo esperança de que, apesar das dificuldades, não teriam tantos prejuízos. “Sabíamos que existiriam dificuldades, mas tínhamos esperança de que não seríamos tão prejudicados com a pandemia. Porém, estamos sendo bastante prejudicados, é decreto em cima de decreto, e muitos deles foram somente em cima de bares e restaurantes e acabou que o nosso financeiro ficou desolado. Tem aluguel e funcionários para pagar e isto acaba nos deixando desesperados”, afirmou.

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Decreto estadual prorrogado - No fim da tarde desta sexta-feira, o Governo do Estado anunciou a prorrogação das medidas restritivas e de combate ao coronavírus até a próxima quarta-feira, dia 10, mantendo suspensas as atividades consideradas não-essenciais. A partir de quarta-feira, os estabelecimentos somente poderão funcionar das 10 às 17 horas, sempre adotando as medidas de prevenção à Covid-19. Academias poderão atender das 06h às 20 horas, de segunda a sexta-feira, com apenas 30% da capacidade.  Cinemas, eventos, museus, festas, reuniões com aglomeração de pessoas, confraternizações familiares ou de empresas continuam suspensas. Já as aulas poderão ser retomadas nas escolas e universidades da rede particular em modelo híbrido na quarta-feira. As escolas da rede pública estadual adotarão o mesmo sistema a partir do dia 15. A taxa de ocupação das salas não poderá ultrapassar 30%. 

O governo decidiu manter o toque de recolher em todo o estado das 20h até as 05 horas. A venda de bebidas alcoólicas também continua proibida neste horário. De segunda a quinta-feira, o índice de isolamento no Paraná ficou aquém do esperado, ficando entre 34% e 35% da população. 

Durante a coletiva de imprensa, o governador anunciou a concessão de R$ 30 milhões de empréstimos com juros subsidiados para micro e pequenos empresários, R$ 10 milhões para empreendedores individuais e trabalhadores informais e R$ 120 milhões para o setor de turismo. Sanepar e Copel vão parcelar em 60 vezes os débitos dos comerciantes. 

Cartazes foram deixados pelos comerciantes na porta da Prefeitura de Irati. Foto: Paulo Henrique Sava