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Candidatos à presidência do SISMI expõem suas propostas para entidade

Eleição será no dia 3 de março. Três candidatos concorrem a presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Irati (SISMI)/Karin Franco, com reportagem de Paulo Sava e Rodrigo Zub

Nilton Sérgio Olenik dos Santos, Matheus da Silva Muller e Elton Fillus concorrem à presidência do SISMI. Os três foram entrevistados na Rádio Najuá. Foto: Vânia Andrade

O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Irati (SISMI) escolherá sua nova diretoria no dia 3 de março, das 8 às 17 horas. Três chapas concorrem ao pleito: “Renovação e Transparência”, com Nilton Sérgio Olenik dos Santos como candidato a presidente; “Quem tem esperança sempre alcança”, com Elton Ênio Fillus que tenta a reeleição para presidente; e “União e força”, que tem como candidato a presidente, Matheus da Silva Muller. Os postulantes ao cargo participaram de uma entrevista realizada pela Rádio Najuá onde expuseram suas propostas para a entidade. Confira o vídeo completo no fim do texto

Situação financeira: Um dos primeiros assuntos da entrevista foi sobre a situação financeira da entidade. O atual presidente destacou que a situação financeira está equilibrada. “A nossa arrecadação hoje gira em torno de R$ 21 mil a R$ 22 mil por mês. Temos como despesas fixas R$ 19 mil a R$ 20 mil por mês. Não contando despesas com gastos com materiais. A nossa situação é dar andamento como nós estamos agindo. Fazendo com que as nossas arrecadações, o nosso dinheiro, seja gasto sem que haja desperdício”, disse Elton. Ele acrescentou que as despesas flutuantes somam até R$ 1.500, sobrando uma verba de R$ 1 mil a R$ 2 mil que são usados para manter um caixa da entidade para futuras emergências. 

Em seguida, o candidato Nilton destacou que vê problemas na comunicação dos valores das despesas e destaca que pretende dar mais transparência. “No último mês, tivemos um protocolo pedindo a prestação de contas porque sempre foi feito a prestação de contas nas assembleias de uma forma atropelada, que se falava lá, mas não tem nada anotado, não tem nada escrito, não tem um acompanhamento, não tem um telão. Eles leem lá na frente, se você entendeu, você entendeu. Se não entendeu e for buscar respostas, eles sempre desconversam. Inclusive, essa prestação de contas que nós pedimos documentada, tem protocolo, eles enviaram para nós nos últimos dias um balancete de 2019. De 2020 não tem. Essa transparência que precisamos”, solicita Nilton. 

Matheus também reclamou da transparência e disse que a comunicação é falha. Ele aproveitou o momento para relembrar a época em que esteve à frente da entidade, entre 2003 e 2005, falando como trabalhou com a situação dos 35% dos servidores. “A questão desses 35%, eu fui chamado no fórum, fui conversar com eles lá, tudo parado. Sem resolver nada. Tivemos um prazo curto para resolver isso aí, o primeiro cálculo que foi feito foi na minha administração, junto com a minha diretoria. Pegamos vários problemas ali, mas em pouco tempo demos andamento aos 35,76%, que na realidade esteve parado por nove anos”, relatou Matheus. 

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Processos de servidores: O assunto do pagamento dos 35,76% continuou com o candidato Elton que falou sobre como ocorreu o parcelamento. “Em 2013, na época do prefeito Odilon [Burgath], saiu a decisão para a implantação dos 35,76% na folha de pagamento. Só que na época, o município não tinha limite prudencial para fazer os 35,76% na folha imediato. Tivemos que percorrer até Curitiba junto ao Tribunal de Contas, para ver em quantas vezes poderia ser acrescido no holerite de cada funcionário. Chegamos lá, falaram que poderia ser feito em até quatro parcelas. Voltamos, falamos com o Odilon aqui, tiveram várias reuniões porque, na época, o prefeito não quis aplicar os 35,76% para todos os funcionários. Queria somente para quem estava na ação. Nos depois de várias reuniões, nos conseguimos com que todos os funcionários recebessem os 35,76% em quatro parcelas”, disse Elton.  

Ele também explicou sobre o desdobramento da ação pedindo os retroativos que continuou, mas foi individualizada. “Na época, o ex-presidente individualizou as ações. Ficou uma ação como individualizada e a outra na coletiva. A coletiva foi até 2018, em outubro de 2018, que o juiz decretou que nós tínhamos perdido a ação. Mas continuou a individualizada. Nessa individualizada, na época, o ex-presidente não colocou o nome de todos. Nós, quando o Zequinha [José Bodnar] assumiu em 2012, nós tivemos que montar 968 processos em 15 dias. Revertemos a ação. As nossas advogadas reverteram a ação e deu continuidade. Revertendo essa ação, o que ocorreu? O juiz pediu novos cálculos. Muita gente não trouxe para nós os documentos. Como iríamos dar continuidade com a ação individual?”, indagou Elton que informou que há no momento mais de 150 ações individuais em andamento e que outras 40 ações serão protocoladas. 

Para o candidato Nilton, houve falta de comunicação sobre a ação que pedia o pagamento referente aos retroativos. “Eu mesmo, sou do concurso de 2009 toda vez que eu ia lá eles falavam: ‘Está correndo normal, fica tranquilo, o processo está tranquilo’. E outros iam e sempre estavam naquela de que falta um ministro dar sua posição lá, que já vai sair. Inclusive, fizeram uma assembleia já debitando valores da prefeitura e também dos advogados. Nós, feito uns trouxas, na assembleia levantamos até a mão, dizendo que nós concordávamos pagar a parte pro advogado e também pela prefeitura, coisa que nem processo nós tínhamos. É uma piada”, reclamou Nilton. 

Ele explicou que diante da situação foi criado um grupo no WhatsApp em 2018 para começar a cobrar a diretoria sobre a situação dos processos. Um abaixo-assinado foi feito e uma assembleia foi convocada. “Chegamos lá e demos de cara que 200 e pouco processos estavam andando, outros estavam arquivados, outros nem existiam. Principalmente, nós de 2009, nem existiam processo. Um absurdo. Em 2011, eu levei documento para fazer a minha procuração lá para eles entrar comigo e como não tinha levado documento? Nessa mesma reunião, os advogados, uns se contradiziam. Um falava uma coisa, outro falava outra coisa. Ficou no embaraço total.  Foi a partir desse grupo que foi criado que chegamos à conclusão de que eles só estavam a par daqueles que estavam andando, não sabiam a real situação dos demais”, disse. 

Matheus reiterou que o processo dos 35% iniciou em sua gestão e que a diretoria da época deixou tudo em ordem. “Já começaram errado nesse processo. Eles vêm hoje com uma conversa que para mim não cola porque esse processo nós conseguimos, ele não era individual, era uma ação coletiva. Se ela tivesse até hoje coletiva não estaria dando esses problemas que falta de um, falta de outro. Seria uma coisa só. Mexeram no que estava quieto e está dando no que está dando aí. Não tem resposta de nada. Ninguém implanta nada”, relatou. 

Ele destacou que sua gestão fez a organização burocrática para que o Sindicato entrasse com a ação. “Em três anos nós fizemos andar esses processos todos eles. Uma coisa vou dizer bem claro aqui. Não era para ter 35% de coisa nenhuma, de nada. Se não fosse minha parceria com a Força Sindical, através de seu Geraldo Rocha, do Sérgio Butka em Curitiba e o Paulinho da Força, deputado federal, lá em Brasília, eles ligaram para mim, seu Geraldo veio falar que o nosso sindicato não existia. Nós não tínhamos inscrição no âmbito de Brasília. Qualquer processo que íamos ter, ia cair com eles lá. O prefeito ia entrar com qualquer recurso, nós perderíamos. Graças a Deus, deu tempo, através dessa parceira com esse grupo. Um grupo muito forte que me ajudou e muito”, disse. 

Elton rebateu o candidato Nilton informando que sua gestão tem dado todas as respostas. “Todas as respostas foram dadas e assinadas pela vice dele, que recebeu a resposta em mãos. Outra coisa, nas assembleias foi feito a prestação de contas, as advogadas responderam todas as perguntas da vice dele, não deixando nada em branco. A vice dele tem entrado em contato diretamente com as nossas advogadas e elas dando respostas”, disse Elton. 

Reajuste salarial: Um dos desafios do município de Irati é conseguir realizar um reajuste salarial, corrigindo uma defasagem, sem afetar os cofres públicos. Para Elton, o reajuste virá apenas se houver limite prudencial, e que se vier, será preciso união para conseguir o reajuste. “Para que haja uma reposição de salário maior tem que haver limite prudencial no município. Tendo limite prudencial, nós vamos correr atrás. Mas para isso precisamos que todos os outros funcionários estejam aliados porque não adianta funcionário brigando com funcionário por causa de uma coisa”, disse. 

Contudo, ele explica que os servidores de Irati já recebem todo ano o reajuste de acordo com a inflação. “Nós colocamos no Plano de Cargos e Salários que no mês de abril de todo o ano seria repassado, no mínimo, para os funcionários, a inflação. Isso conseguimos. Se pegarmos de 2013 para cá, nós tivemos 72% de reajuste”, explica. 

Nilton disse que concorda que o reajuste irá afetar as contas as contas públicas, mas lembra que o próprio município já conseguiu diminuir o limite prudencial. Segundo ele, o município teria que ter aproveitado este momento para afazer algum reajuste. “Foi dado a inflação de 2019, mas ficou os pendentes ainda que vem lá do tempo do Odilon ainda. Que ficou alguns resquícios dessa inflação. Nós temos que brigar por isso e sempre. Outra coisa para que haja esse limite prudencial baixe um pouco, é colocar bastante gente que está na hora de se aposentar e não aposentam.  Esse pessoal também tem de ter garantido essa aposentadoria o quanto antes porque abre o leque mais e baixa o limite prudencial também nessa questão”, disse. 

Para Matheus, em relação ao reajuste, é preciso que as gestões negociem para que não se tenha perdas. “Na realidade, a defasagem da inflação é anual para isso foi criado a data-base que é 1º de abril. Cada um que teve ali dentro ali tinha que ter feito a coisa certa. Porque em três anos, que eu consegui no segundo ano já, a data-base eu não passe para ninguém com nada de atraso. Cada administração que entrou ali dentro, tinha que ter a competência de não deixar atrasar. Há negociação sim, mas dentro do mesmo ano, nunca se deixa passar para o outro. O que foi acontecendo é isso que todo mundo está vendo. As coisas vão acumulando e depois querem resolver tudo na última hora”, destacou. 

Limite prudencial: Elton esclareceu que o limite prudencial da prefeitura de Irati é de 51%, e que outros 3% a mais são uma margem de tolerância que o Tribunal de Contas usa para aprovar as contas dos prefeitos. “Hoje estamos com gasto mensal de percentual em torno de 47,4%, foi o que me foi repassado. Porque foi nomeado pouca gente no segundo mandato do prefeito. Mas já vai ultrapassar esse limite. Se você analisar o limite prudencial, lá atrás, na época do prefeito Sérgio [Stoklos], estava lá embaixo e não dava reajuste para nós. Ficamos oito anos sem ter reajuste. Inclusive estamos com seis ações que entramos na prefeitura, que uma é referente ao 35,76%, a outra é da insalubridade, outra das horas-extras – que está saindo agora que já tem a decisão -, a quarta é a revisão salarial dos aposentados – que muitos já receberam os valores – e a última é da 12,16% que é da época do Sérgio. Essas ações estão todas em andamento, não está nenhuma parada”, disse Elton. 

Para o candidato Nilton, é uma decisão da prefeitura diminuir o limite prudencial e que os representantes precisam negociar os reajustes. ”Não queremos brigar aqui por um aumento, ganho real. Nós queremos só o que a inflação nos corrói anualmente. Inclusive, se for analisar a inflação é muito mais que isso. Mas temos que seguir o índice de IPCA porque se for analisar hoje seis meses, um ano atrás, cinco quilos de farinha de trigo era R$ 9, R$10, hoje está R$ 15. Então, onde está o 5%? Está dando quase 50%. Gasolina está todo mundo vendo aí. Eu acho que tem que ter um bom senso, ter um diálogo, tanto dos funcionários quanto da prefeitura, de querer lutar, de querer pagar”, relata. 

Já o candidato Matheus destaca que a situação atual é resultado de um acúmulo ao longo dos anos. “Para tudo tem limite, se está apertando, não está tendo, terá que haver corte. Infelizmente, na administração, tem que ter acordo. Nós estamos sentindo no nosso bolso, eles têm que reduzir lá dentro também. Tudo com jeito, com calma. Na realidade eu tenho um conceito dentro disso. O servidor público é muito pouco valorizado. Para diminuir e ter mais arrecadação, é só olhar para funcionários mais competentes, jogar lá dentro dos cargos, há uma demanda, uma falta muito grande de funcionários assumindo qualquer compromisso. A prefeitura é tocada através do servidor público. O servidor público tem o sindicato para isso. Para poder defender eles e mostrar como é a situação de hoje”, avalia Mateus.  

União de entidades: Além do SISMI, o município também conta com a Associação dos Servidores da Prefeitura de Irati. Para o candidato Nilton, há a possibilidade de união entre as duas entidades. “Já estamos em conversa com alguns da diretoria, e isso com certeza, tem que haver essa parceria, inclusive até pelo espaço que eles têm para o sindicato propor reunião como sempre faz, cursos como é a nossa ideia daqui para frente, para o sindicato desenvolver curso para o sindicalizado”, relata. 

Matheus explica que no passado tentou fazer uma parceria com as duas entidades, mas houve dificuldade já que o sindicato acabou negociando com duas gestões municipais diferentes. “Um presidente trabalhar com dois gestores, dois prefeitos, é uma coisa complicada. Você está acertando com um, passou o tempo dele, entrou o outro. Aí você está no outro, quando está conquistando, você tem que sair porque o nosso tempo é três anos. Isso tem que ser revisto porque o meu conceito disso é que um presidente tem que entrar junto com o prefeito que está atuando para ficar os quatro anos ali, para as coisas não terem modificações”, disse. Mesmo assim, Mateus disse que deverá tentar novamente a união.

Já para o candidato Elton não há possibilidade de unificação porque são duas entidades diferentes e uma é de lazer. “O que seria interessante é que o sindicato e a associação criassem a SIPA para defender os funcionários. Aí concordo. Para ver onde trabalha, local de trabalho, periodicidade que existe, periculosidade que existe. Fazer a unificação para a criação de uma SIPA, agora quanto ao estante não tem como fazer essa unificação”, disse.

Acompanhe abaixo o vídeo da entrevista completa