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Regras para realização de eventos e da volta às aulas começam a ser discutidas em Irati

COEF está discutindo o assunto, mas ainda não há nenhuma definição. Situação do Covid-19 em Irati continua sendo preocupante

Foto: Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Irati

Os membros do Centro de Operações Especiais e Fiscalização (COEF) se reuniram na última semana para começar a discutir um novo decreto com regras que podem permitir a realização de alguns eventos em Irati, como casamentos e aniversários, e a volta às aulas. Contudo, a reunião também discutiu como está a situação da contaminação da Covid-19 em Irati.

O resultado das festas de fim de ano ainda é um fator que as autoridades têm levado em consideração. “Nós sabemos que as pessoas, a partir do dia 15 de dezembro a 20 de dezembro, apesar de ter algum sintoma ou que seja leve, eles não foram atrás da unidade de saúde, não coletaram exames, seja porque tinham que trabalhar, em hora-extra, horário estendido e produzir no final de ano, seja por motivo de viagem, que já estava com viagem marcada ou de repente vai para a praia. Também pelo fato de receber visitas, que vieram para Irati, para sair às compras, para poder festejar as festas de final de ano”, relata o coordenador do COEF, o enfermeiro Agostinho Basso. 

A expectativa é que muitos comecem a sentir os primeiros sintomas a partir desta semana. Mas os internamentos podem acontecer dentro de 21 dias. A preocupação é que com o aumento de casos, a infraestrutura da saúde pública não consiga atender a todos. “Isso vai demorar 14 dias para aparecer os primeiros sintomas. Vamos pegar uma média do dia 25. Então, seria no dia 14, mais ou menos de 11 a 14, os primeiros sintomas. Esses primeiros sintomas farão com que irão para a unidade, coletem o exame. Aí vai começar a aparecer nos números. Essas pessoas ficarão 14 dias em isolamento e nesses 14 dias poderão ficar doentes que irão se internar e depois do internamento precisarão de UTI [Unidade de Terapia Intensiva] e depois pode acontecer o óbito”, explica o enfermeiro.  

Agostinho conta que o alto número de casos não é a principal preocupação das autoridades, mas sim, são os pacientes que dependem de internação ou adoecem. “O que nos preocupou desde março do ano passado e o que nos preocupa até hoje é aqueles que ficaram doentes. E dos doentes, aqueles que precisarão de leito de UTI”, relata. 

Mesmo assim, o COEF tem começado a discutir algumas questões para realizar um novo decreto que possa incluir novas regras quanto a eventos, como casamentos e aniversários. O COEF ainda não definiu nenhuma regra, mas cogita algumas possibilidades. “Inevitavelmente, 2021, sabemos que por mais que tenha a vacina, não vai ser para agora. Já estamos pensando, desenhando um novo decreto, colocando um número máximo de participantes, como vai ser, como pode ser feito a festa. Por exemplo, casamento pode adiar, mas o que se faz com o aniversário de 15 anos? Que a menina sonhou, que os pais sonharam e não tem como fazer no ano que vem porque a menina já terá 16 anos”, conta. 

Em relação às aulas, a Secretaria de Estado da Educação (SEED) já divulgou que as aulas nas escolas estaduais devem iniciar em 18 de fevereiro, com um modelo híbrido, ou seja, aulas presenciais e virtuais. De acordo com Agostinho, essa é uma das possibilidades cogitadas. “Deixar claro que não tem nada definido, estamos apenas no início de uma conversa, mas possivelmente caminhará para o sistema híbrido, ou seja, aqueles que podem continuar com o EAD [Ensino à Distância], vão continuar. Aqueles que não podem, não tem condições, seria presencial. Essa é uma possibilidade. A outra possibilidade que não sabemos ainda seria o revezamento de presença para que todos os alunos possam voltar ao ambiente escolar. Sabemos, temos essa compreensão que o aluno precisa do ambiente escolar”, disse Agostinho. 

Mas as definições ainda devem demorar um pouco porque a situação da Covid-19 em janeiro ainda é uma preocupação. Agostinho relata que aumentaram os atendimentos na unidade sentinela de Irati, que fica no ginásio Fortunato Colaço Vaz, na primeira semana de 2021. “Percebemos que está aumentando a cada dia a procura, as pessoas estão vindo, muitos estão preocupados e recorrendo a laboratórios particulares, mas para nós é a mesma coisa, porque uma vez que o laboratório dá positivo, ele já nos comunica. Temos farmácias fazendo alguns exames”, conta. 

O ginásio no bairro Rio Bonito é a referência no município para pessoas com suspeita de Covid-19. Quem possui sintomas ou suspeita de Covid-19 deve se direcionar ao local de segunda-feira ao sábado, das 7 às 19h. Aos domingos, o atendimento é feito no Pronto Atendimento da Vila São João, que possui uma área separada para atendimentos de casos suspeitos.

Na unidade sentinela, os casos suspeitos podem receber uma consulta e fazer o teste RT-PCR, se estiver entre o terceiro e o sexto dia de sintoma. 

Vacina

Uma das expectativas dos brasileiros é quanto a aplicação da vacina. Segundo Agostinho, no estado, as aplicações devem ser feitas seguindo a priorização para os grupos de risco, como os profissionais de saúde e idosos. Ele ainda lembra que somente a aplicação da vacina não deve eliminar totalmente outras ações de prevenção, como o uso da máscara e a higiene das mãos.

O coordenador ainda destaca que há a preocupação com desinformações e discussões políticas quanto à vacina e que isso pode prejudicar a conscientização de muitas pessoas. “O que nos deixa muito preocupados é o negacionismo, da eficiência da vacina, a politização da vacina. Essa discussão boba entre Doria [governador de São Paulo] e Bolsonaro [Presidente], quem vai ser o pai da vacina. Isso faz com que algumas pessoas acabem não acreditando no efeito positivo”, explica. 

Contudo, Agostinho afirma que as vacinas que serão aplicadas serão eficazes e que as pessoas podem confiar no processo. Ele relembrou que as vacinas já deram um bom resultado na população brasileira que conseguiu erradicar os casos de poliomielite por meio de diversas campanhas. “Quem tem mais de 40 anos, sabe disso. Eu duvido que você apresente uma pessoa com paralisia infantil, com sequelas, com menos de 40 anos. Não existe. Agora que começou a ter o risco, que começou a se negligenciar, mas nós mesmos tivemos colegas de escola que tinham paralisia infantil, que andavam de bengala, andavam de muleta, de cadeira de roda”, conta. “É inegável que a vacina funciona. Isso é maior bobagem falar que vai fazer mal para a população, que pode causar um problema”, complementa o coordenador do COEF.  

Ele ainda ressalta que a vacinação poderá ser algo importante para a economia do Brasil. “Primeiro, devemos vacinar por causa da saúde, para que não percamos brasileiros, irmãos nossos para essa doença. Segundo, por causa da economia. Terceiro, para a produção, porque precisamos de homens e mulheres saudáveis para o mundo do trabalho porque senão a produção, a linha de produção e tudo mais, acaba sendo prejudicada. Quarto, por causa das relações exteriores. O Brasil precisa continuar competitivo, o Brasil precisa continuar exportando e importando, o Brasil precisa continuar crescendo”, disse.