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Protesto solicita criação de Delegacia da Mulher em Irati

Protesto, motivado por agressão de estupro, pediu a criação do órgão para atender casos de violência contra a mulher. Presidente do Conselho de Segurança diz que situação está atrelada à instalação da Delegacia Cidadã

Protesto foi realizado na tarde desta sexta-feira, 8, em frente à Delegacia de Irati. Foto Jussara Harmuch

Uma agressão de estupro motivou um protesto em frente à Delegacia de Irati nesta sexta-feira (08). Os manifestantes pediam por justiça para o caso e também a melhoria na estrutura de segurança do município, como criação de uma Delegacia da Mulher e do Instituto Médico-Legal (IML).

O caso ocorreu no fim do ano passado, quando uma mulher, que teve a identidade preservada, foi estuprada e violentada. O suspeito é o ex-marido de sua filha, que não foi preso, mesmo após denúncia. No protesto, os manifestantes também pediam por justiça em virtude da situação registrada. “A gente quer uma Delegacia para Mulher, onde a gente possa ser bem atendida e justiça para esse monstro”, disse a filha da mulher.

A filha disse que o caso foi denunciado, mas que o suspeito não foi preso porque é preciso esperar um laudo médico do IML. Na região, quem atende esse tipo de ocorrência é o IML de Ponta Grossa. Ela ainda reclamou do atendimento. “Eles falaram que não podiam fazer nada, que tinha que aguardar o retorno do delegado, que seria no dia 4, na segunda-feira. No dia 4, a gente retornou, vim atrás. O delegado não quis escutar ele [o suspeito], ouvir ele, que ele iria ser apresentado pelo advogado dele. O delegado não quis escutar ele, falou que não ia interrogar ele, enquanto não tivesse as provas porque os presos queriam matar ele aqui dentro. E aí ia sobrar para eles, para o Estado. Sem os resultados, não podia dar prisão para ele”, relata. 

Ela ainda contou que a vítima e família estão sendo acompanhadas por uma psicóloga e assistente social, mas que ainda há medo já que o suspeito está solto. “A gente tem que permanecer em casa porque ele ameaçou botar fogo, então, não tem como deixar o nosso lar e voltar, não ter nada mais. Tivemos muito sofrimento”, conta. 

A professora Nelci Wolski também participou do protesto e destacou que esta não é primeira situação na região. “Em 2021, nós temos muitos casos de feminicídio, de estupro e o que revolta é a sensação de impunidade. Um crime tão revoltante, tão bárbaro como esse e a justiça é tão lenta. Porque esse tempo até sair um laudo, até vir um papel, a pessoa já fugiu, a pessoa não vai mais sofrer a sua penalidade. Esperamos que as coisas aconteçam mais rápido, de uma forma mais efetiva. E que o atendimento à mulher seja dado com mais qualidade porque quando tem uma Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher, tudo é diferente. Até os primeiros atendimentos, a formas de conduzir o caso. Nós acreditamos que seria de outra maneira”, disse. 

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A manifestante Milene Aparecida Galvão destacou a necessidade da criação da Delegacia da Mulher. “Eu acredito que precisamos urgentemente ter uma Delegacia da Mulher. A violência contra mulher não é uma coisa que vai se resolver a curto prazo e nem a médio prazo, é a longo prazo. Enquanto nossa sociedade não tomar consciência que a mulher precisa ser respeitada, independente daquilo que seja a nossa opinião, aquilo que é certo ou errado, a mulher tem que ser respeitada, é um ser humano”, disse. 

Ela ainda destacou a preocupação com o futuro. “Quem será a próxima de nós? De que forma vai bater na nossa porta? Através da nossa morte, da nossa agressão, quantas mais vão precisar ser agredidas ou mortas para que a Justiça acorde?”, indagou. 

Milene disse estar preocupada com o futuro das mulheres iratienses. Foto Jussara Harmuch

Presidente do Conselho de Segurança, Patrícia da Luz, diz que situação está atrelada à instalação da Delegacia Cidadã e que tratativas a este respeito estão em andamento. Leia mais sobre isso.