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Prefeitura de Irati abre edital de credenciamento para castração de 120 animais

Todas as clínicas interessadas podem se habilitar para participar do credenciamento. Município já castrou 120 animais e realizou a chipagem entre setembro de 2019 e setembro de 2020/Karin Franco

Prefeitura de Irati já realizou a castração de 120 animais entre 2019 e 2020. Foto: SECOM/Arquivo

O município de Irati já realiza castrações de animais com recursos próprios, vindo do Fundo Municipal de Meio Ambiente. Entre setembro de 2019 e setembro de 2020, foram realizadas 120 castrações, que incluíram a chipagem de animais. 

Neste ano, um edital já está aberto prevendo a realização de mais 120 castrações a partir de janeiro. “Para 2021, o que temos é uma licitação na modalidade credenciamento, onde todas as clínicas credenciadas e interessadas em participar dessa execução desse trabalho, elas serão contempladas pela prefeitura. Nenhuma das clínicas credenciadas e aprovadas deixará de prestar o serviço”, conta a secretário de Meio Ambiente, Magda Lozinski. 

Ela ainda explica que a modalidade foi mudada devido às situações ocorridas na última licitação. O município cancelou a licitação após alegar que o valor das castrações estava muito alto. A clínica de União da Vitória, que ganhou a licitação, recorreu do cancelamento e conseguiu uma liminar para realizar as castrações no preço estabelecido no certame. “A primeira modalidade de licitação que ocorreu foi o pregão, onde existiu um número fixo do valor por castração de animais. Como teve todo um processo, inclusive envolvendo o Ministério Público que deu uma liminar para a ganhadora, nós optamos nesse segundo momento, por essa segunda demanda de mais 120 animais, fazer a questão do credenciamento. Ou seja, todas as clínicas que tiverem interesse e aprovação da documentação junto à prefeitura vão estar aptas a fazer a castração desses animais”, relata a secretária. 

Assim como da última vez, as castrações serão realizadas em animais de rua que possuem alguma pessoa que o alimente. “O que foi castrado são animais com tutores, porém são animais de rua. Aquele tutor que a casinha fica para fora da cerca ou aquele conjunto de moradores que dá ração, que dá água para um animal, esses foram os animais selecionados na primeira quantidade de 120 animais. Já fizemos a castração e a chipagem”, disse Magda. 

O município também seguirá o mesmo método do Governo do Estado que paga a castração de acordo com o peso dos animais. Neste ano, serão castrados animais de até 50 quilos, com preços em torno de até R$ 480. “Vamos selecionar animais por quilo. Eu tenho no meu credenciamento que se iniciam com animais de dez quilos, o preço de R$ 276 a fêmea e machos R$ 136 para castrar. Existe uma diferença entre macho e fêmea. E existe a diferença por peso de animal”, explica. 

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Essas castrações também incluem a implantação de microship nos animais. O município já adquiriu os microships que serão encaminhados às clínicas e um leitor. “Para não ocorrer o problema de ir buscar o animal no bairro e acontecer de o veterinário fazer a castração e esse animal já ter sido castrado. O que precisávamos era do leitor de chip. Hoje, a Secretaria já está com o leitor e com os 120 novos chips para serem inseridos para os animais que venham a ser castrados”, conta. Até o momento, apenas duas clínicas se cadastraram para o projeto municipal. Caso não tenha mais nenhuma clínica, as duas dividirão os procedimentos de castração entre si.

Uma das clínicas é do médico veterinário, Eduardo Glinski, que explica que o valor pago pelo município é diferente do que cobrado nas clínicas particulares. Atualmente, o procedimento pode ser cobrado dependendo do peso do animal. Se for macho, o procedimento está entre R$ 300 a R$ 350. Se for fêmea, será entre R$ 500 a R$ 700.

Ele explica que essa grande diferença de preço entre a particular e a prefeitura é porque há uma quantidade muito alta de procedimentos que serão realizados. “Tem todo um contexto. O mesmo [material] que usamos para o particular, usamos para a prefeitura, só que aqui estamos falando em alta escala. Vamos castrar 120 animais, divididos por dois são 60 animais divididos entre eu e a Michele [da clínica de União da Vitória]”, conta. 

Mesmo assim, os valores dos procedimentos são afetados atualmente pela crise econômica mundial, já que muito materiais são importados. Contudo, ele explica que programas como o do Estado acaba sendo mais barato porque quem realiza o procedimento são grandes empresas que possuem capital financeiro para investir. “O pessoal que está cadastrado para fazer esse serviço do governo são grandes clínicas que atuam em Foz do Iguaçu, em Curitiba, só em grandes cidades. Então, jamais uma clínica igual a minha estrutura vai conseguir castrar 15 mil animais em questão de um ano”, disse. 

Rede de proteção: O médico veterinário também faz parte de um movimento que procura formar uma rede de proteção de animais em Irati. Ele ajudou a auxiliar a voluntária no cuidado com animais, professora Fabiana Rocha, em um projeto trazendo esta ideia. Ela apresentou o projeto durante a sua candidatura a vereadora no ano passado. “É uma coisa simples que acontece em outras cidades que é uma rede de proteção animal que venha a dar suporte à ONG, que possa fazer o diálogo com a iniciativa privada, o diálogo com outros setores da sociedade”, explica Fabiana. De acordo com ela, o objetivo é ajudar na articulação entre os setores da sociedade. “Que a gente aumente o diálogo, que a gente tenha um departamento que cuide dessas questões e que a gente possa fazer outras parcerias, de repente incentivos fiscais para as clínicas veterinárias”, conta. 

Eduardo explica que vê uma necessidade para algo maior no município. “Nós estando na linha de frente, eu vejo todo dia chega gente na porta do meu consultório da minha clínica com animal atropelado, com animal abandonado e não é só na minha clínica, também dos nossos colegas aqui da cidade”, relata. 

O projeto também inclui campanhas de conscientização e articulações com a Secretaria de Educação para levar às escolas a conscientização dos cuidados com animais, além de iniciativas para mapear a situação local. “A gente visa não somente a castração, mas sim um esclarecimento, um controle. Precisamos fazer um censo aonde é a área crítica desses animais. Tem muitos animais que já foram castrados e estão nas ruas que a gente nem sabe. Precisamos de uma conscientização, quem sabe com a Secretaria de Educação”, destaca. 

ONG Amigo Bicho: Enquanto isso, a ONG iratiense Amigo Bicho continua a realizar ações para a proteção de animais, como as castrações. “No ano de 2019, nós castramos 116 cães e 11 gatas. Levando de kombi para Ponta Grossa, na clínica Maxiclin da doutora Larissa.  É uma profissional excelente, uma profissional que se importa com os animais, que tem especialização nos Estados Unidos e que nos auxiliou porque nós não tivemos nenhuma porta aberta aqui em Irati para castrações. No ano de 2020, nós castramos 210 cães e 39 gatos, com recursos próprios da ONG e uma parte da subvenção. Nós estamos fazendo o papel do poder público”, disse a presidente da ONG Amigo Bicho, Bernadete Joffe. 

A presidente também destacou que parte da dificuldade é que os animais de rua costumam ter mais de 10 quilos, o que encarece o procedimento. “Temos uma grande resistência das clínicas fazerem valores mais baratos, porque são clínicas particulares e também a questão do peso dos animais”, conta. 

Ela ainda destaca que a situação dos animais em Irati continua difícil, mesmo com leis municipais que protegem e estabelecem multa para quem abandona. “Não existe lares para todos. Temos muita dificuldade na doação. E também a questão dos maus tratos que é infinito em Irati. Recebo denúncia todo dia. A Guarda Municipal entra em contato comigo, a Polícia Militar entra em contato comigo, os Bombeiros entram em contato comigo e muitas vezes fico de mão amarrada porque tem um tutor. Então, a partir do momento que está negligenciando o animal seria um B.O. [Boletim de Ocorrência] na Delegacia, mas as pessoas não querem se envolver”, disse. 

Assim, quem acaba tendo que cuidar dos animais é a ONG que constantemente tem problemas financeiros para se manter. A presidente explica que os valores que são doados para a ONG são usados para o pagamento de dívidas. A ONG ainda possui dívidas antigas que já somam R$ 60 mil. Há ainda outras. “Estamos desesperados. Não temos mais ração, R$ 18 mil de dívida de ração. As portas estão fechando. Nós precisamos que a população ajude e que o Poder Executivo e Legislativo também, porque não é problema da ONG os animais abandonados, não é problema da ONG maus tratos”, destaca. 

Por isso, a ONG pediu um aumento na subvenção dada pela prefeitura. “No dia 7 entreguei novamente o plano de subvenção, pedindo um valor de R$ 34.350,00 mensal porque recebemos na última subvenção R$ 7 mil. E nós estamos com dívidas alarmantes. Em clínicas, devemos mensalmente R$ 15 mil a R$ 20 mil. Estamos atrasados desde outubro”, explica.