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ONG Amigo Bicho lança campanha de arrecadação de ração

Em entrevista à Najuá, a Presidente da ONG Amigo Bicho, Bernadete Joffe, falou sobre a situação financeira da instituição/Karin Franco, com reportagem de Ademar Bettes

Foto: Divulgação

A ONG SOS Amigo Bicho lançou uma campanha de arrecadação de ração para os animais acolhidos pela instituição. Segundo a presidente da ONG, Bernadete Joffe, a instituição precisa de 45 a 50kg de ração diariamente, incluindo a comida dos filhotes. “Nosso pedido nesse momento é que as pessoas possam estar doando essas doações para gente ter pelo menos como passar um mês de cada vez”, disse. 

Com uma dívida atual ultrapassando os R$ 90 mil, a ONG já não possui recursos para a manutenção dos animais acolhidos. A instituição pediu recentemente uma nova subvenção ao município para castrações, que ainda deverá ser avaliada. Contudo, mesmo com doações, a dívida aumenta, já que a ONG ainda precisa fazer procedimentos nos animais abandonados e castrações. “O dinheirinho que entra ali, a gente vai tentando pagar as contas mais urgentes e as que estão mais tempo não pode deixar acumular. Lembrando que quando assumi a ONG, devíamos R$ 120 mil de dívida antiga. Já pagamos metade praticamente, só que todo o mês você não tem previsão de quantos cachorros você vai internar, não tem previsão de qual será o problema”, contou Bernadete. 

As doações de ração para a ONG Amigo Bicho podem ser feitas nas agropecuárias ou em contato pelo Facebook. As pessoas podem deixar o endereço para a busca da ração. A doação também pode ser feita na conta bancária da ONG. Na Caixa Econômica Federal, a doação pode ser depositada na agência 0390, conta poupança 11975-3, operação 013. No Sicredi, o depósito pode ser feito no banco 748, agência 0719, conta 11195-6. A ONG também disponibiliza um número para doações por meio do Pix. As doações podem ser feitas no número do CNPJ da ONG, 06.946.226/0001-66. A presidente garantiu que há transparência nas doações. “Nós não retiramos dinheiro da conta. Só pagamos através de boleto. As pessoas não precisam ter aquela desconfiança que o dinheiro vai ser usado para outra coisa”, disse. 

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Abandono e maus-tratos: Um dos problemas que a ONG enfrenta diariamente são as denuncias de abandono e maus-tratos de animais. Segundo a presidente, são cerca de 30 ligações por dia com denúncias. Para Bernadete, o município precisa fazer cumprir a lei que já existe. “Enquanto o Poder Legislativo e o Poder Municipal não tomar uma providência para cumprir as leis que já existem em Irati, isso vai ser sempre recorrente. Não tem o que fazer quando a pessoa é negligente porque você abandona os cães, abandona os filhotes, sempre num lugar de difícil acesso”, analisa Bernadete. 

Há cinco anos, o município de Irati possui leis que regulam a criação de animais domésticos. A lei nº 4.233, de 2016, criou a Política Municipal de Gestão Animal que traz obrigações para os proprietários de animais, além de regular as apreensões e comercializações de animais. Ela estipula a multa de 12 Unidades de Referência Municipal (URM) para quem abandonar algum animal.

Em 2017, outra lei também pune o abandono de animais. A lei nº 4292/2017 proíbe o abandono de animais domésticos em lugares públicos ou privados, estipulando uma multa de R$ 500 a quem desobedecer. Entretanto, a presidente destaca que a fiscalização não ocorre em Irati. “As leis existem. O que está faltando é o cumprimento das leis vinculado a alguma coisa que a pessoa tenha prejuízo financeiro. A partir do momento que doer no bolso dela, por ela trazer algum malefício para a sociedade, abandonando cão ou maltratando o cão, ou qualquer outro tipo de ação relacionada ao animal, que ela tenha que pagar por isso, as coisas vão mudar. Enquanto não houver essa atitude, por parte do Poder Público, as coisas vão continuar muito densas porque essa coisa de, principalmente, nós não termos esse controle do abandono dos animais”, destaca. 

A presidente conta que sem a fiscalização, a ONG recebe os animais abandonados. Além do abrigo da ONG, que possui 150 animais, as 12 voluntárias da instituição também acabam acolhendo mais outros animais, que ficam por conta delas. “Isso acontece nas nossas casas também porque quando falamos em pedir a ração, pedir a doação financeira, é porque, além dos cachorros que estão no abrigo, perto de 150, nós temos nas nossas casas. Quem está com os cachorros em casa, vai bancar o custo de ocupação, de ração e tudo que esse cachorro precisar. Mas no abrigo, não temos onde tirar, então precisamos que a população nos ajude e que o Legislativo esse ano, nesta gestão nova, cumpram a legislação, achem uma forma de punir essas pessoas que abandonam, essas pessoas que acorrentam, que causam maus tratos porque é impossível que uma cidade não consiga cumprir a sua legislação”, relata.

Diversos animais recebidos pela ONG passaram por maus-tratos e assim, a instituição acaba recebendo animais com glaucoma, cegos, mutilados, com doença de pele, com problema de coluna, ou até mesmo idosos. Com isso, o custo da manutenção aumenta, trazendo mais dívidas.

Recentemente, a instituição também realizou um programa para castração, mas acabou tendo que encerrar por falta de recursos. “A ONG desenvolveu em 2020 em torno de 316 castrações que trouxemos a médica veterinária de Ponta Grossa. Para famílias muito carentes saiu gratuitamente e outras contribuíram com o que podiam. Castramos todos os animais do abrigo e agora está parado. Não sabemos se vamos dar continuidade porque estamos devendo R$ 3 mil para a clínica Maxiclin em Ponta Grossa”, explica Bernadete.

Os animais em posse da ONG estão abrigados em um espaço doado pelo empresário Rogério Kuhn, mas a presidente destaca que o local já não comporta todos os animais, o que inviabiliza os acolhimentos de novos animais abandonados. “É um espaço provisório. Não é um espaço 100% adaptável porque era um aviário. O que as pessoas não entendem é que se não temos um espaço para colocar, nós não podemos levar”, conta. 

A instituição realiza campanha de adoção de animais, mas com a pandemia, não realizou mais as feiras em locais fechados. Contudo, as doações continuam sendo motivadas pela ONG que possui um processo rigoroso para a adoção, com o objetivo de evitar que o animal volte para as ruas. “É importante dizer que justamente porque a ONG é muito criteriosa com as adoções que nós temos dificuldade. Nós temos um termo de adoção, nós pegamos toda a documentação da pessoa. Muitas vezes quando ficamos em dúvida na adoção, fazemos a visita para a família e quando começamos a questionar muitas coisas, as pessoas desistem da adoção. Principalmente, por causa dos critérios porque nós não queremos deixar o cachorro onde ele está, o filhote, entregar para uma família e ir para a corrente, por exemplo. A partir do momento em que colocamos alguns limites, as pessoas preferem não adotar conosco e pegam outro cachorro de outra família ou de outro lugar porque ela não terá a obrigatoriedade de cuidar”, relata. A adoção pode ser feita pelo Facebook ou pelo telefone (42) 99927-1600.