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Casos de violência doméstica tiveram redução de 33%, segundo PC de Irati

Irati teve apenas um crime contra a vida em 2020. Em entrevista à Najuá, Delegado Paulo César Eugênio Ribeiro, falou sobre ações realizadas

Delegacia da Polícia Civil de Irati. Foto: Rádio Najuá/Arquivo

O município de Irati registrou apenas um crime contra a vida em 2020, segundo a Polícia Civil. Esse tipo de crime abrange homicídio e feminicídio. O número é menor do que em 2019, que registrou quatro casos. O caso registrado em 2020 é de um homem que teria dado dois tiros em outra pessoa, durante uma discussão no interior de Irati. Como o homem faleceu, o caso está sendo tratado como homicídio. A investigação ainda está em andamento. Os números de casos de violência doméstica em Irati também foram menores, ao contrário das estatísticas estaduais, que registraram aumento durante a pandemia. Em Irati, foram 870 boletins de ocorrência de violência doméstica, uma diminuição de 33%, comparado a 2019 que registrou 1.300 casos.

Para o delegado da Polícia Civil de Irati, Paulo César Eugênio Ribeiro, a diminuição dos casos também é um reflexo das ações realizadas. “Verificamos que no ano de 2019 e 2020, comparativamente falando, mais ações policiais acabaram ocorrendo. Isso contribuiu com a redução. Você viu a polícia agindo de forma mais incisiva, principalmente nesses combates, e evidentemente a própria população que se sensibilizou e percebeu a importância de registrar um boletim de ocorrência, de fazer uma denúncia anônima, recebemos bastantes casos de denúncia anônima via WhatsApp”, disse Paulo.

Atualmente, a Polícia Civil de Irati está com 800 investigações em andamento, sendo que 190 foram iniciadas no ano passado. Também foram realizadas 40 operações policiais como cumprimentos de mandados de busca e prisão e interceptações, principalmente para o tráfico de drogas. Ainda foram realizadas 240 prisões em flagrante em 2020.

Os números são considerados positivos especialmente se comparar com a estrutura que existe na delegacia. Desde 2016, o número de investigadores reduziu quase 50% e com a pandemia houve ainda outros afastamentos, já que um decreto estadual pediu o afastamento de pessoas de grupo de risco. “Acabou reduzindo e muito o nosso efetivo”, disse o delegado. 

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Para tentar manter um atendimento para a população, foi feito um ajuste com funcionários da delegacia de Imbituva. “Em contrapartida, infelizmente, nós acabamos recebendo situações de flagrante de Imbituva, bem como presos originários de Imbituva. Foi uma medida que foi encontrada pelo departamento para poder não prejudicar o andamento da delegacia, não acontecer a paralisação da Polícia Civil em detrimento do recebimento de ocorrência, de flagrantes e presos da delegacia de Imbituva”, conta Paulo. 

A dificuldade também ocorre porque muitos dos policiais afastados acabam não tendo como realizar o trabalho home-office. “O trabalho de home-office da Polícia Civil, principalmente do setor de investigação porque o setor tem a função de diligências visando a elucidação de crimes. A pessoa estando em home-office não vai conseguir fazer a diligência, intimar uma determinada pessoa, ou fazer a verificação de uma câmera. Todas essas são diligências que ocorrem na rua”, explica. 

Para não diminuir mais o efetivo, algumas férias tiveram que ser adiadas, para que os servidores pudessem continuar trabalhando. “Inclusive, servidores que já teriam direito às férias, aqui na unidade policial, eu tive que suspender esse direito às férias para poder não paralisar o serviço policial”, destaca o Delegado. 

O Governo do Estado fará um concurso público para contratar investigadores e delegados para Polícia Civil. No dia 21 de fevereiro será realizada as provas para os investigadores. Para os delegados, as avaliações específicas acontecerão em abril. Não há uma previsão de quantos servidores virão a Irati. “Vai depender muito do departamento da própria Secretária para realizar uma distribuição equânime que atenda as delegacias”, disse Paulo. 

Mesmo assim, ele prevê que as vagas criadas apenas irão substituir servidores aposentados. “Vejo que talvez o número de contratações inicial que esse concurso nos trará, ele suprirá as aposentadorias que estão pendentes, que estão na fila de sair. Isso infelizmente é uma notícia triste, mas é uma realidade”, conta. 

Recentemente, o Departamento Penitenciário do Estado do Paraná (Depen) reassumiu a responsabilidade de cuidar dos presos que estão na Delegacia de Polícia Civil de Irati. Segundo o delegado, isso ajudou o dia a dia da delegacia. “Eles estiveram um aumento de efetivo e veio também junto a isso com um servidor concursado, um servidor efetivo no Depen que assumiu a gestão plena e acabou vindo para Irati”, afirma o Delegado. 

Atualmente, são 117 presos na área da carceragem. O delegado explica que houve algumas transferências de presos, o que pacificou o local, mesmo com grande número de presos. “Desse tempo para cá, que o Depen realmente assumiu a gestão plena, nós vemos uma pacificação da cadeia, no que toca a eventuais tentativas de fuga ou mesmo problemas que aconteciam ali dentro”, disse. 

A Polícia Civil de Irati também lançou um canal de denúncia por meio do WhatsApp. As denúncias podem ser enviadas para o número (42) 9-9800-3480.