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Especialistas orientam como minimizar o risco de contágio pelo coronavírus neste fim de ano

Preocupação maior do sistema de saúde é com a falta de profissionais para atender à demanda de novos pacientes que irão surgir após o fim de ano

Secretária de Saúde, Jussara Aparecida Kublinski Hassen, e Agostinho Basso, coordenador da sala de situação da Covid-19 em Irati. Foto: Paulo Henrique Sava/Arquivo Najuá

Em entrevista ao “Meio Dia em Notícias” da Super Najuá 92.5, a Secretária de Saúde de Irati, Jussara Aparecida Kublinski Hassen e o Cordenador do Centro de Operações Especiais e Fiscalização (COEF), Agostinho Basso, orientaram a população a evitar aglomerações e viagens neste fim de ano a fim de evitar o contágio pelo coronavírus, recomendando que as pessoas planejem o natal do próximo ano. 

De acordo com Jussara, a preocupação maior do sistema de saúde é com a falta de profissionais para atender à demanda de novos pacientes que irão surgir após o fim de ano. “A gente está pedindo para o povo, nas realizações de confraternizações, não se aglomerar. Vamos esperar e planejar o Natal de 2021. Eu sei que é uma data especial, uma data que a gente a vida inteira comemorou isso, mas nós estamos em um ano atípico, em um ano de pandemia, e é sério, a gente não está brincando, pois estamos desde março lutando incansavelmente contra esse vírus e nós não temos mais o que fazer. Estamos com falta de recursos humanos e não adianta nós termos UTI, remédios e respiradores, porque nós não temos mais recursos humanos. A gente pede é que as pessoas se conscientizem. O jovem, pode pegar e passar tranquilo, mas os avós, os pais, os tios com alguma comorbidade, com um pouco mais de idade, eles não vão passar tranquilo por isso”, alerta a secretária de saúde. 

Segundo Jussara, 90% dos leitos de UTI do estado estão ocupados. Já ao contabilizar o número de leitos disponíveis na macrorregião, composta por 93 municípios, o número é ainda mais preocupante. “A gente sabe que hoje no Paraná, 90% dos leitos de UTI estão ocupados. Na nossa macrorregião leste, nós temos 67 leitos livres. É muito pouco. Eu diria que é nada. Os hospitais estão cheios, os profissionais estão cansados e adoecendo. Então o que a gente pede é um pouco de conscientização, vamos ficar cada um em sua casa”, ressalta.

Agostinho diz que o movimento de pessoas que buscam os postos de saúde para fazer o teste do Covid-19 está abaixo do normal e que isso pode ser reflexo de pessoas querendo viajar ou se aglomerar sem ter a certeza de que está ou não contaminado. “Nós sabemos que em épocas normais, antes da pandemia, a partir do dia 15 de dezembro, as pessoas já não iam mais procurar os postos de saúde ou a UPA. Neste ano, a gente está vendo que não condiz com a realidade, porque quem está no trabalho está trabalhando em horário estendido para recuperar as suas perdas; é também hora de o funcionário fazer hora extra e ter uma remuneração maior; e quem tem viagem programada não vai fazer o exame para não ficar sabendo do resultado e poder viajar; e quem quer se aglomerar nas casas, no Natal, também não está indo [aos postos de saúde]”, avalia.

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Ele diz ainda que muitas destas pessoas que estão com sintomas e que não estão procurando as unidades de saúde para fazer o teste podem estar contaminando ainda mais pessoas e que o resultado desta negligência poderá ser visto até o final de janeiro. “A nossa preocupação é que todos esses casos que não estão procurando fazer o exame e estão contaminados e também estão transmitindo, eles vão aparecer para nós no dia 5 de janeiro em diante, ou seja, até o final de janeiro, no Brasil inteiro, nós vamos ter um aumento considerável de casos positivos. E mais ou menos 5% desses casos ficarão doentes, precisando de internamento, indo para a UTI e uma porcentagem muito grande acabará indo a óbito”, destaca o coordenador do COEF. 

Agostinho destaca que muita gente não leva a sério a pandemia devido ao fato dela ser um perigo invisível. “Nós temos 3 situações que devemos ter atitudes diferenciadas e mudanças de hábitos muito rápidas. Uma delas é a situação de guerra; a outra é a de catástrofes naturais de grande monta, como terremotos, maremotos, tsunamis e ciclones; e a outra é a situação de pandemia. Só que essas duas primeiras, nós vemos os estragos, como bombas e destroços, mas quando se fala em pandemia, que é um vírus visto somente em microscópio, a impressão que dá é que ela não é verdadeira. Então a gente pede encarecidamente que entendam que o mundo inteiro está passando por isso. Na Europa está acontecendo a segunda onda porque eles tinham chegado a quase zero o número de COVID, então para eles é a segunda onda. No Brasil, nós não teremos a segunda onda porque não vencemos nem a primeira", descreve.

Ele reforça ainda o pedido de isolamento social para o fim de ano e orienta que somente pessoas do mesmo convívio realizem confraternizações. “A gente pede que todos entendam que esse final de ano vai ser atípico, diferente e vai ficar para história; e a história vai nos cobrar muito em como nós agimos. Esse Natal tem que ser somente na ‘bolha familiar’, ou seja, no máximo quem mora na casa ou em mais uma residência no mesmo pátio. Não é hora de juntar os almoços de família, não é hora de viajar ou de ir para praia”, alerta. 

Agostinho diz ainda que, apesar das pessoas já estarem cansadas do isolamento que dura quase um ano, ainda não é hora de aglomerar. Ele encerra com uma pergunta para que a população reflita a respeito dos cuidados a serem tomados neste final de ano. “A gente pede que a população entenda que é um Natal somente, que é um ano novo somente. Após 10 meses, o pessoal está cansado e agora está querendo uma alegria momentânea em troca de uma alegria permanente, se a gente tomar cuidados". 

Será que vale a pena uma alegria momentânea com todos os riscos possíveis ou aguardar a vacina e ter vários natais, vários anos novos e várias viagens?

Texto de Lenon Diego Gauron, com reportagem de Paulo Sava