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Advogado tenta retirar imputação de feminicídio no júri do assassinato de Ivanilda Kanarski

Jeffrey Chiquini, que atua na defesa de Fernando Nedopetalski, pretende convencer jurados de que o réu agiu por emoção e sentimentos de raiva, não menosprezando a condição de mulher da vítima

Advogado Jeffrey Chiquini, que defende o réu João Fernando Nedopetalski no júri popular, foi entrevistado pela Rádio Najuá

O Júri popular sobre o caso do assassinato de Ivanilda Kanarski, ocorrido há dois anos, onde seu marido, João Fernando Nedopetalski, é acusado de feminicídio, está marcado para iniciar às 9h desta quarta, 9. Ela não será aberto ao público, haverá transmissão via Youtube e também não será permitida a entrada da imprensa. Quem atua na defesa de João Fernando no momento é o advogado Jeffrey Chiquini. Ele procurou a emissora e se manifestou sobre o caso nesta terça-feira, 8, para dizer que não se trata de um caso de feminicídio e sim, que o assassino foi levado a agir mediante circunstâncias provocativas. Um dia antes, familiares de Ivanilda participaram ao vivo, no mesmo espaço, o programa "Espaço Cidadão", da Super Najuá 92.5, sobre as alegações da família no julgamento.

“Vocês vão realmente conhecer quem é Ivanilda Kanarski. Até agora a sociedade não tem conhecimento tamanha maldade desta mulher”, introduziu o advogado, para explicar sua linha de defesa. De acordo com ele, João Fernando foi envolvido numa trama entre a esposa e um suposto amante que tinham planos de assassiná-lo para ficar com o dinheiro e a casa dele. O advogado conta que as provas, boletins de ocorrência de mensagens de celular registrados pela esposa do suposto amante, que, inclusive seria amigo do réu, não foram consideradas pela promotoria. Desta forma, o inquérito não foi levado adiante e não existe uma ação penal a este respeito. 

“O promotor não é sério, não existe um processo, se ele fosse sério teria. Existem os boletins de ocorrência provando. Adianto à comunidade que a defesa vai se basear em provas. É uma grande armação contra ele, além do homicídio, incluíram uma tentativa de homicídio do irmão, porém, desde o início não existia. Estão inventando para crucificar. A acusação é seletiva. Há muitas mentiras, família contratou muitos advogados, criando factoides e fazendo de João um monstro. Eu vou desmascarar as mentiras e expor a verdade à sociedade”, revela Jeffrey, descrevendo “tamanha a dor dele [do réu] e quão maldoso era esta senhora [a vítima]. 

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A defesa pretende se basear no fato de a vítima ser mulher, por si só, não caracteriza feminicídio e que familiares e a imprensa, em especial esta emissora de rádio, construíram de forma “ardilosa e fraudulenta” esta versão. Ele cita a palavra “femicídio”, que deveria ser empregada ao invés de feminicídio, quando o agressor tem uma motivação específica diminuindo a condição da mulher. Para o advogado isso não ocorreu, pois o crime se deu “após sucessivos e concomitantes fatos provocativos por parte de Ivanilda”. Também disse que vai provar que não houve premeditação. 

“Ela não morreu porque era mulher, vocês mentem sobre isso, ela confessou que o traiu", disse. “Se tivesse medo como a família alega, não falaria isso. Ela sacou o dinheiro da conta dele para ficar com o amante e disse que ia levar os filhos”, complementa, alegando que João Fernando foi levado a cometer o crime pelas circunstâncias, pela emoção, sentimentos de raiva, sem ter conexão com a condição feminina.

Perguntado sobre as possibilidades e trâmites após o julgamento, Jeffrey disse que não tem como prever e nem como antecipar a pena. “Testemunhas serão ouvidas, as partes defenderão suas teses e o cidadão vai decidir. Há possibilidade até mesmo da sua absolvição. Vou expor a verdade e respeitar a decisão da sociedade”, finaliza o advogado Jeffrey Chiquini.

Texto e reportagem: Jussara Harmuch

Acompanhe a entrevista completa na live que está salva no Facebook da Najuá