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Erasto Gaertner completa três anos em Irati

Após três anos na região, foram realizados quase 18 mil procedimentos em Irati

Unidade do Erasto em Irati funciona no loteamento Pabis na antiga sede da ANAPCI. Arte: Assessoria do hospital Erasto Gaertner

Os três anos da existência da Unidade Avançada do Hospital Erasto Gaertner em Irati fizeram com que quase 18 mil viagens deixassem de ser feitas à Curitiba para o tratamento de câncer. Antes da unidade, os pacientes com câncer nos municípios de abrangência da 4ª Regional de Saúde se deslocavam com transportes cedidos pelas prefeituras para a capital, onde faziam todo o tratamento. Desde 2017, foram 17.912 atendimentos, desde consultas a quimioterapias. 

Anizia Kollaritsch, moradora da localidade de Vila Nova, no interior de Rio Azul, foi uma das pacientes que conseguiu fazer parte do tratamento perto de casa. “Eu fiz todas as etapas do tratamento, a minha rotina de tratamento mudou muito para melhor, graças à Unidade Erasto Gaertner de Irati porque não é nada fácil acordar duas horas da manhã no interior, se deslocar até a cidade e pegar o ônibus para viajar para Curitiba. Essa viagem se torna mais difícil que o tratamento, por ser tão cansativo. Agradeço ao Erasto de Irati por existir. Fiz todas as quimioterapias próximo à minha casa, no qual eu ia com a condução própria e em seguida retornava”, disse.

Confira o vídeo com o relato da paciente no fim do texto

A responsável pela unidade do Erasto em Irati, a enfermeira Daniela Raffo, conta que o impacto da unidade é visto no cotidiano dos pacientes. “Enquanto eu estava fazendo uma quimioterapia, uma paciente estava sentada na poltrona, falando ao celular. Ela dizia assim: ‘Fulana, você sabe que agora eu tô fazendo quimioterapia aqui Irati’ - esta é uma paciente que ia toda semana para Curitiba, mas quando falamos em fazer quimioterapia toda semana, é uma viagem para fazer quimioterapia e mais uma na semana para coletar exame de sangue, ou seja, duas, às vezes três vezes para consulta, semanalmente. Por mais que você vai com ônibus da saúde, tem um custo, às vezes um cafezinho, lanchinho. Ela falava assim no telefone: ‘Como eu tô indo para Irati, eu não preciso mais gastar com nada, já me sobrou um dinheirinho. Agora vou comprar um celular desses modernos, para a gente poder conversar e se ver pela internet porque agora eu tô aqui e não vou gastar esse dinheirinho’. Ela vem até hoje aqui na unidade”, conta.

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Impacto no diagnóstico precoce

Outro fator que Daniela destaca é que a presença do Erasto na região possibilitou que muitas pessoas se sentissem mais à vontade em observar os sintomas e as mudanças em seus corpos. Com isso, houve maior procura de atendimento e aumentou o diagnóstico precoce.

Isso também aumentou a chance de cura. “Com a vinda da unidade para cá, observamos que a população foi com mais regularidade ao médico. Sintomas que antes podiam passar despercebidos, ela passou a se voltar mais para este cuidado. Por que eu digo isso com tanta propriedade? Porque já vemos que de três anos para cá, tem alguns casos em que o paciente é diagnosticado precoce. Dentro da oncologia, usamos o termo estadiamento clínico. Observamos que alguns casos, o paciente tem chegado bem precoce, ou seja, a chance de cura dele é muito maior. Já temos também uma paciente que contou aqui que nunca fez o exame de mama, o autoexame. E desde que ela ouviu que o Erasto estava aqui, ela começou a fazer o autoexame. Ela achou um nódulo, um carocinho na mama, procurou o médico e era câncer. Mas, sempre lembrar, que quanto antes essa pessoa procura atendimento, melhor a chance de cura”, relata a enfermeira.

Expansão

A procura também ajudou a expandir os serviços disponíveis na unidade. Os procedimentos em Irati iniciaram com consultas de pacientes que já eram conhecidos pelo Erasto e faziam tratamento em Curitiba. Em pouco tempo iniciaram as consultas com novos pacientes. “No início de 2018, passamos para aquelas consultas de primeiro atendimento que é aqueles pacientes que têm um diagnóstico, uma suspeita de câncer lá no posto de saúde. O médico pede o encaminhamento para a oncologia. Esse paciente é encaminhado até a nossa unidade, os pacientes da 4ª Regional, e então realizamos esse primeiro atendimento”, explica Daniela. 

A unidade também começou a realizar tratamentos com quimioterapia, sendo que até 2020, foram realizadas 4 mil infusões em pacientes na unidade de Irati. “Ainda temos as consultas de seguimento de pacientes já conhecidos no Erasto, que fazem acompanhamento mensal, a cada seis meses, de acordo com a demanda. Consulta de Oncologia, pacientes que estão exclusivamente em quimioterapia. Consultas de multidisciplinar em enfermagem, nutrição, farmácia. Passamos a ter mais procedimentos de médicos, umas pequenas biópsias de pele, de colo de útero. Procedimento de enfermagem que é curativo, troca de sonda. A própria quimioterapia, a hormonioterapia, fornecemos medicamentos”, conta a enfermeira.

Assim como as estatísticas nacionais, o câncer de pele é um dos principais que são tratados na unidade, mas o câncer de mama também é uma preocupação, tendo aproximadamente 100 pacientes mulheres em tratamento em Irati. Grande parte dos pacientes com câncer atendidos tem mais de 50 anos.

Futuro

O superintendente do hospital, Adriano Lago, destacou que a unidade acabou virando referência de descentralização no tratamento de câncer. “Temos muito orgulho do ‘Erasto Mais Perto de Você’ ter saído do papel e assim de uma maneira tão rápida ter construído e constituído essa importante estrutura em Irati, que hoje é uma referência nacional, a descentralização de um paciente de câncer center, mantendo a linha de cuidado, sem o paciente não ter nenhum tipo de perda institucional, de tempo, de time”, disse.

Adriano explicou que os planos de expansão da unidade tiveram que ser adiados em virtude da pandemia do coronavírus. Contudo, há intenções de continuar em 2021 os projetos que tiveram que ser adiados. “Queremos retomar em 2021 esse planejamento de como, junto com a sociedade organizada, junto com a parte política da região, junto com o Governo do Estado, que possamos ampliar a nossa oferta. Principalmente o diagnóstico e alguns tratamentos que consigamos fazer em Irati, sem deslocamento. Estava previsto para o segundo semestre que começássemos com algumas biópsias e novamente a questão do Covid nos atrapalhou, mas é uma coisa que queremos retomar dentro de 2021, já ter mesmo que seja na nossa unidade atual, alguns diagnósticos feitos ali”, explicou.

Com a arrecadação do X-Solidário dos últimos anos, promovido pelo Grupo Ivasko, o Erasto em Irati conseguirá instalar uma capela de fluxo laminar até dezembro de 2020. “Espero que eu consiga cumprir, temos a implantação da capela de fluxo laminar dentro da nossa unidade. Isso vai garantir que 100% dos protocolos de infusão de quimioterápicos ou de qualquer manipulação de medicamentos, consigamos fazer em Irati. Então, um percentual muito baixo dos pacientes, que se deslocam pela falta dessa estrutura física, estará completada em dezembro”, disse.

Coronavírus

De acordo com o superintendente, a pandemia do coronavírus fortaleceu a atenção quer o hospital já dedicava ao paciente. “A suspeita de um Covid, a falta, às vezes, de informação de como ela transmite, de como ela é pega e que cuidados você tem que ter para não retransmitir, fazer o isolamento, notamos que a precariedade sempre passa pela desinformação. Quanto mais informação, mais conseguimos se prevenir. Quanto mais atendimento, quanto mais foco no paciente, mais solução. Eu acho que a passagem do Covid, que esperamos que seja rápido e termine logo, mas ela nos ensinou esse fortalecimento”, disse.

Adriano ainda disse que a pandemia deu oportunidade para valorizar as estruturas que a saúde pública gratuita possibilita aos brasileiros. “O quanto é importante uma instituição filantrópica para o nosso País, o quanto é importante a Santa Casa e o Erasto para 4ª Regional, o quanto é importante o Sistema Único de Saúde (SUS). Eu acho que esse é outro grande ganho que temos que é o fortalecimento e que se alguém queria colocar em xeque, se vale a pena ter, se funciona, está aí a grande prova. Talvez as grandes falhas que nós tivemos no País foi onde o SUS não está forte. Onde as filantrópicas não são fortes. Mas aonde tem filantrópica, onde o SUS é forte, tivemos uma resposta muito plena”, disse.

Ele ainda aproveitou para agradecer o trabalho dos profissionais durante o período. “Direcionar o agradecimento não só aos médicos, mas todos os profissionais de saúde, um exemplo nacional de cidadania, profissionalismo. Eu não tenho a formação na área da saúde, minha primeira formação é em Informática, tenho várias especializações em Administração, mas tenho muito orgulho de dizer que trabalho no setor de Saúde. Tenho muito orgulho de dizer que os meus colegas de trabalho estão e devem receber qualquer reconhecimento”, destacou.