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Professor João aprofunda assuntos discutidos no debate

Candidato à prefeitura de Irati comentou sobre agricultura, educação, mobilidade urbana, meio ambiente, desenvolvimento e geração de empregos

Professor João participou do programa "Meio Dia em Notícias" na quinta-feira, 8. Foto: Jussara Harmuch

O candidato a prefeito de Irati, professor João Dremiski (PC do B), foi o primeiro convidado a participar da série de entrevistas que serão realizadas no programa "Meio Dia em Notícias" com os postulantes ao Executivo municipal.

Durante a entrevista, os candidatos têm a oportunidade de explorar os temas abordados no debate realizado na sexta-feira (2), promovido pela Rádio Najuá e jornal Hoje Centro-Sul. Participam das entrevistas o convidado William Hilgemberg e a diretora da Najuá, Jussara Harmuch.

Nesta entrevista, o professor João explicou os planos para a agricultura, educação, mobilidade urbana, meio ambiente, desenvolvimento e geração de empregos. 

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Agricultura

Para o candidato do PC do B, a infraestrutura no interior do município não pode focar apenas no melhoramento das estradas e precisa contemplar outras áreas. “Além de estrada, que é prioridade para os agricultores, a questão da eletrificação rural, telefonia, internet, coleta de resíduos e sólidos, o transporte público para as comunidades do nosso interior, o abastecimento de água e o tratamento de fluentes”, disse. 

Segundo João, esse aprimoramento do interior precisa vir acompanhado de parcerias que poderão ajudar também na diversificação das lavouras. “Essas são questões prioritárias que vem junto com a parceria que nós propomos de um sistema municipal de agricultura que integre a SEAB [Secretaria da Agricultura e do Abastecimento], o IDR [Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná]– que é o antigo Emater e Iapar -, a Embrapa, para propor essa possibilidade de diversificação de cultivos. Incentivar todas as possibilidades que aumentem a renda e gerem ocupação e emprego, bem como a ampliação do viveiro de mudas que nós temos na Agrovila. Temos uma excelente estrutura para atender essa demanda que os agricultores têm de trabalhar com a fruticultura e também de trabalhar, por exemplo, com plantas medicinais e mudas de hortaliças, onde pensamos em um incentivo fiscal para os nossos mercados, restaurantes, toda a estrutura da cidade para comprar dos nossos agricultores. Um incentivo fiscal que queremos debater com a sociedade”, explica. 

Ainda em relação à infraestrutura, o candidato destacou que a proposta também é buscar parcerias, principalmente na região. “Nós temos também a discussão de se aproximar do Governo do Estado para discutir a Patrulha Mecanizada, a Patrulha Agrícola e também a discussão de consórcios entre os municípios da nossa região, a partir da Amcespar e do Conder, para que possamos viabilizar a Vigilância Sanitária, por exemplo, para as agroindústrias de produção animal”. 

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Restaurante Popular e Mercado Municipal

Uma das propostas do professor é a criação de um restaurante a baixo custo. “Hoje existem os restaurantes populares [em municípios] acima de 100 mil habitantes. Mas nós queremos fazer isso porque a agricultura familiar é responsável por 70% da geração de emprego e trabalho no nosso município, ou até mais, e alimento tem muito. Queremos fazer essa parceria para adquirir alimentos dos agricultores e fornecer esses alimentos para o restaurante popular, para população em geral. Principalmente, a prioridade será a população de baixa renda, aqueles que ganham até dois salários mínimos, podem ter essa agregação de política pública de uma alimentação saudável”, explicou. 

Ele também planeja construir um Mercado Municipal que poderá funcionar na construção atual ao lado da Feira do Produtor. “Uma importante estrutura junto com a feira que eu destaco, tem o centro de processamento e tudo mais, e que pode dar conta do Restaurante Popular e o Mercado Municipal, além de ser renda para agricultores, vai trazer até a discussão do turismo”, disse.

As duas propostas, segundo o candidato, podem usar recursos públicos ou emendas parlamentares.

Educação

Na educação, uma das propostas do candidato é criar mais vagas em creches públicas e ensino integral. “Nós temos 29 escolas no município de Ensino Fundamental. Se não me engano, com os dados atuais são 11 CMEIS [Centros Municipais de Educação Infantil] e é muito importante para nós as ampliações das vagas para as crianças ficarem nos CMEIS e outras estruturas. Poder, inclusive, dar garantia que a família possa trabalhar e deixar essas crianças em um local adequado, com educação adequada”, destacou. 

No entanto, João disse que é preciso repensar a destinação de alguns recursos. “Não tenho problema nenhum e não deixo de elogiar a equipe atual da Secretaria de Educação que conseguiu o aumento do IDEB [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica], mas junto com esse aumento nós queremos propor a valorização docente, com formação continuada. Precisamos economizar recursos. São quase R$3 milhões para SEFE [Sistema Educacional Família e Escola] nos últimos três anos. Se formos dividir por 4.700 alunos da rede municipal, nós vamos ter R$ 150 a R$200 per capita/por aluno, sendo investido em formação e sendo investido em material pedagógico”, explica. 

Segundo o candidato, a proposta é valorizar o docente e também proporcionar qualificações que ajudem também a proporcionar uma qualidade de trabalho melhor. “Nós queremos propor uma formação continuada naquela parceria público-público. Prefeitura com Unicentro, com outras universidades, instituições do município, para que possamos, através dessas instituições públicas, canalizar esse dinheiro para que se faça aqui em Irati a formação docente, condições adequadas de trabalho digno, ou seja, condições de trabalho com material de limpeza e tantas outras necessidades que a escola tem e que não precisa ficar muitas vezes tendo que passar envelope de doação para os pais, porque os pais já pagam tanto imposto para isso. Tem dinheiro para investir”, avalia. 

Gestão comunitária e geração de emprego

Outra proposta do candidato é em relação à gestão comunitária e participação popular nos projetos do município. “A nossa gestão propõe que os bairros, as comunidades, os pequenos empreendimentos, enfim, a sociedade organizada, participe conosco da gestão. Eu tenho responsabilidade, tenho competência, tenho capacitação para ficar à frente da prefeitura, mas é o meu compromisso de dividir uma parte dessa responsabilidade com os setores que querem participar. E dentro dessa parceria público-comunitária é a prefeitura fazendo parceria com as organizações sociais”, disse.

Na prática, um dos projetos para geração de emprego e renda já está sendo pensado para ser realizado neste formato. “Nós queremos dividir essa responsabilidade com a futura Câmara de Vereadores, para que possamos usar 30% do recurso do fundo de iluminação pública. Isso é permitido, usamos esse fundo e conseguimos agregar mais dez vezes esse valor, através de recursos externos para poder pagar, por exemplo, R$ 250 ou 25% do salário mínimo para empresas que queiram gerar um primeiro emprego para jovens, egressos das escolas de Ensino Médio, técnicos, recém-formados e outros tantos que queiram gerar a oportunidade do primeiro emprego. Com esse fundo, vamos calcular quanto é possível fazer, se a cada seis meses ou um ano renovamos essa discussão”, explica. 

Fusão de secretarias

Um dos tópicos discutidos no debate foi a possibilidade de fusão de secretarias, como por exemplo, as pastas de Agricultura e do Meio Ambiente. Na entrevista, professor João ressaltou que essa junção pode trazer prejuízos. “Simplesmente querer economizar R$ 6 mil, R$ 7 mil, R$ 8 mil por mês, mas perder recursos do Ministério do Meio Ambiente, perder recursos do Fundo do Meio Ambiente, correr o risco de baixar a arrecadação do ICMS ecológico, não é uma questão de só economizar salário. Nós precisamos ter estrutura, equipe pensando. Nós podemos economizar em tantas outras situações e isso é essencial para nós” contou. 

Ele comentou algumas questões que devem ser prioritárias na sua gestão. “As unidades de conservação são áreas bastante relevantes para nossa região. A recuperação, pensar o desenvolvimento da nossa região a partir das microbacias. A questão do saneamento básico que não é só rural, é urbano. A limpeza urbana, a drenagem urbana, o manejo de resíduos, a questão das práticas sustentáveis, agroecológicas, nós temos a questão das operações industriais. Tem muitas atividades que precisam ser regulamentadas, que correm risco de poluição do Rio das Antas”. 

Mobilidade urbana

Uma das propostas ditas pelo candidato no debate foi em relação ao transporte público e a possibilidade de ser gratuito para todos. Em entrevista, ele comentou que a possibilidade está sendo estudada, mas contou um pouco da inspiração ocorrida em Ivaiporã, com pouco mais de 31 mil habitantes. “Algumas vezes que fui para Ivaiporã, usei algumas vezes esse serviço público gratuito e me chamou a atenção. Entra e sai prefeito, e lá existe uma lei desde 2002, algo assim. Existem várias secretarias que contribuem para pagar esse custo. Inclusive, o Meio Ambiente, que reduz carros no centro da cidade. Irati tem 40 mil veículos registrados e se conseguíssemos reduzir esses veículos, diminui emissão de carbono e tantos outros benefícios”. 

Desenvolvimento

Um dos programas do candidato do PC do B é o Inova Centro-Sul. A proposta é criar estruturas para o desenvolvimento de empresas, com recursos economizados de aluguéis de prédios públicos pagos pela prefeitura. “Nós vimos e estudando os valores, a quantidade de aluguel que se paga em Irati, que nesse momento é necessário, em algumas situações, podemos usar estruturas do Estado e outras estruturas para se livrar um pouco de alguns aluguéis para bancar o Inova Centro-Sul. O Inova Centro-Sul com R$ 100 mil, R$ 150 mil, R$ 200 mil por mês, nós vamos ter uma incubadora, teremos a prática do polo Inova Centro-Sul com o objetivo de gerar emprego, gerar produtos, mas também gerar serviços e gerar processos para o desenvolvimento de gerar tecnologia e inovação no nosso município. Quando falei de eventos e exposições, incubadora e aceleradora de empresa, não só novas, mas as que já existem no município. Também laboratórios de apoio, de física, de química, de alimentação. A questão de a prefeitura ter um escritório de relações de captação de recursos, de parceiros, acompanhamento de patentes. Tudo isso está acompanhado no polo de inovação tecnológica”.