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Comunidades do interior de Irati devem vacinar animais contra a raiva

Prudentópolis registrou 12 casos de raiva, sendo o mais recente próximo à divisa com Irati. Produtores de Irati devem se prevenir vacinando animais 

ADAPAR realizou coleta de exame em animal em Irati no sábado, 3. Foto: Cristina Barra do Amaral Bittencourt

Produtores do interior de Irati devem vacinar os seus animais contra raiva. A orientação é da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (ADAPAR) que registrou 12 casos de raiva em animais transmitida por morcegos em Prudentópolis. “O mais recente [caso] foi na Ponte Alta, que pega bem a divisa com Irati, ali perto da Ponte Nova”, explica a médica veterinária da ADAPAR, Cristina Barra do Amaral Bittencourt. 

Irati ainda não registrou nenhum caso, mas como a doença pode ser transmitida por algum morcego no interior, é preciso realizar a prevenção com a vacina da raiva. A médica veterinária explica que essa transmissão acontece do morcego para os animais. “Essa doença é causada por um vírus e transmitida pelos morcegos, principalmente os morcegos hematófobos, que são os morcegos, que são aqueles que se alimentam do sangue dos animais”, conta Cristina. 

A raiva também pode ser passada para humanos por meio do contato com o morcego. “Por isso que recomendamos que nunca as pessoas devem mexer diretamente nos morcegos para evitar de levar alguma picada ou arranhão porque se o morcego já estiver doente – geralmente quando a pessoa tem acesso, ele está caído no chão, em algum lugar onde não devia estar – e acontecer um acidente desse, tem que avisar imediatamente a Vigilância Sanitária para tomar as devidas providências”, alerta. 

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Vacinação

Os proprietários devem fazer a vacinação do gado, num raio determinado, dos cavalos, mulas, ovelhas, cabras, suínos, cães e gatos. 

A vacina é encontrada em lojas veterinárias e pode ser aplicada nos animais que podem ser contaminados. Após a primeira dose, uma dose de reforço é aplicada depois de 30 dias. Para o transporte é preciso de caixa de isopor com gelo e no momento da vacinação é necessário usar seringas esterilizadas.

A médica veterinária destaca que a vacinação é importante para prevenir a doença e evitar prejuízos. “O valor da arroba do boi está R$ 220. Então um boizinho vale pelo menos R$1.500 a R$2.000. Perder uma cabeça que seja por causa da raiva é um prejuízo bem considerável e que poderia muito bem ser evitado através da vacinação”, explica. 

Nos casos de animais que já foram contaminados, a indicação é no fim da tarde aplicar uma pasta vampiricida ao redor da picada, pois os morcegos voltam para sugar no mesmo lugar e serão envenenados. A pasta também pode ser encontrada em lojas veterinárias.

Sintomas

A observação atenta do rebanho ajuda os produtores a perceber se há alguma modificação ou até mesmo se o animal foi infectado. Ela explica que a mordida do morcego fica visível. “Ele deve reparar bem nos seus animais que muitas vezes conseguimos ver que o animal foi sugado pelo morcego, então aparece sangue escorrido. Geralmente é na região do pescoço, na pata ou atrás, onde o animal não consegue alcançar com a cabeça para tocar no morcego”, afirma. 

A médica veterinária conta que a raiva vai enfraquecendo o animal até ele morrer. “O animal começa com andar cambaleante, parece que está bêbado, perde o equilíbrio, tem falta de coordenação motora, acaba caindo, tenta levantar não consegue, depois fica deitado, para de comer, para de beber água, vai ficando cada vez mais paralisado, até a morte que acontece aproximadamente de cinco a dez dias do início dos sintomas”, relata. 

Os animais com sintomas de raiva não devem ser sacrificados. Se houver algum caso, é preciso notificar a ADAPAR e esperar a morte natural do animal. Depois da morte, técnicos farão a coleta do cérebro do animal para enviar ao laboratório para o diagnóstico da doença.

Se for preciso mexer no animal contaminado, o indicado é que apenas uma pessoa mexa. No entanto, a orientação é avisar a ADAPAR já na primeira percepção de sintomas.

Controle

A Adapar é responsável pelo controle dos morcegos hematófobos que se alimentam de sangue. “Somos nós da ADAPAR que fazemos nos abrigos de morcegos, que já temos cadastrados vários aqui, para diminuir a população de morcegos hematófobos. Mas é bom saber que controlamos somente os hematófobos por causa do risco de contaminação pela raiva. Os demais morcegos são protegidos por lei porque são benéficos para a natureza”, alerta. 

Mais informações

Para mais informações, o telefone da ADAPAR de Irati é (42) 3421-3504. O número também recebe mensagens por WhatsApp, incluindo as atualizações de animais dos produtores e pedidos de Guias de Trânsito Animal (GTA).

Comunidades que devem vacinar os animais:

Invernadinha; Cachoeira do Palmital; Palmital; Cadeado Grande; Faxinal do Rio do Couro; Cerro da Ponte Alta; Alvorada; Rio da Prata; Rio do Couro; Faxinal dos Melos; Cadeado Santana; Linha B de Gonçalves Junior; Linha Ordenança e Pinhal Preto.

Texto de Karin Franco, com reportagem de Paulo Sava

Foto: Cristina Barra do Amaral Bittencourt