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Cientista político explica como se proteger de fake news

Cientista político iratiense, Rogério Carlos Born, explica porque as notícias falsas são espalhadas e como o eleitor pode se proteger

Cientista Político- Rogério Carlos Born. Foto: Lorena Vedovato de Almeida

As fake news podem atrapalhar a decisão de voto do eleitor durante o período eleitoral. O cientista político iratiense, Rogério Carlos Born, explica que as fake news são notícias falsas que induzem o eleitor a rejeitar determinado candidato. “São veiculadas notícias mentirosas do adversário ou discurso de ódio contra determinadas minorias”, explica.

Um dos exemplos é a fake news que espalhou que o não comparecimento às urnas pode anular uma eleição, servindo como forma de protesto. Segundo a mensagem falsa, o Código Eleitoral diz que se mais da metade dos eleitores não comparecerem serão realizadas novas eleições.

O cientista político comenta que de fato há essa regra no Código Eleitoral, mas ela não funciona da maneira como foi espalhada. “O artigo nº 224 fala isso, mas não é bem assim”, disse.

Rogério explica que primeiramente é preciso entender a diferença entre voto branco e voto nulo. “No Brasil, o que é obrigatório é o comparecimento e a manifestação do eleitor e não o voto nas urnas. O voto branco serve para aqueles eleitores que não tem candidato ou não desejam votar em ninguém, mas que não querem deixar de cumprir a sua obrigação eleitoral.  Por ser um voto consciente é que existe a tecla branco. No voto nulo o eleitor, de forma inconsciente, digita um número de candidato ou partido que não existe e depois confirma. Assim, no voto nulo o eleitor não sabe votar. Por ser um voto inconsciente é que não existe a tecla nulo”, explica. 

O cientista político explica que os votos brancos e nulos não são contados para nenhum candidato. “O que o Código Eleitoral fala é que, se o candidato a prefeito vencedor for considerado inelegível pela Justiça Eleitoral, após as eleições será feita uma contagem dos votos. Se este candidato inelegível tiver mais da metade dos votos, essa mais da metade dos votos serão nulos, então seria feita uma nova eleição. E se tiver menos da metade, o segundo lugar estaria eleito. Isto já aconteceu em Irati, no passado. Com a minirreforma eleitoral isto mudou e a nova eleição independe do número de votos dado ao inelegível”, contou.

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Caso tenha poucos eleitores, a eleição é decida pela maioria dos votos que foram contabilizados, não importando uma quantidade mínima. “Apura-se esses poucos votos e o mais votado leva. No caso de empate, o mais idoso é eleito. Na prática, não seria nada interessante fazer uma nova eleição. Pense: o custo de uma eleição é entre R$ 2 e R$ 2,50 por eleitor e, provavelmente, os candidatos serão os mesmos. Essa rubrica que é destinada às eleições seria tirada da saúde, da educação, da infraestrutura e todas as políticas públicas”, detalha.

Segundo o cientista político, o objetivo é desinformar os eleitores e privilegiar um dos lados da disputa eleitoral. “A intenção é afastar das urnas os eleitores com alto índice de rejeição a determinado candidato. Isto porque é praticamente impossível conquistar os votos dos eleitores que afirmam que jamais votariam em determinado candidato. Então fica mais fácil afastá-los das urnas. Isto aconteceu em Trinidad e Tobago, onde uma campanha de descredibilização da Justiça Eleitoral afastou os eleitores da oposição”, explicou.

Como se proteger?

Rogério ainda explica que há maneiras do eleitor se prevenir de cair em alguma fake news. “Primeiramente, verifique qual é o meio de comunicação que estaria divulgando e verifique os demais órgãos de imprensa também já publicaram.  Verifique também em sites internacionais que estão em português. Se a notícia for importante não vai sair somente num lugar só”, comenta.

Ele também explica que é preciso prestar atenção em como essas notícias são dadas. “As fake news são alarmistas e dizem que são notícias que nenhum órgão quis publicar porque estaria em conluio. Isto não é a realidade. Isto é para forçar a você precipitadamente compartilhar a notícia, sem pensar”, explica.

A forma como é escrito também pode ajudar a identificar. “As notícias normalmente contêm erros de português e para dar credibilidade citam como fontes autoridades e entidades que não existem ou que não falaram o que está escrito na notícia”, alerta.

Outra dica é procurar a fonte original da notícia. “Se o veículo de imprensa for conhecido, entre diretamente no site do jornal para verificar se a notícia real não foi alterada”, relata. No caso de fotos, por exemplo, é possível fazer uma busca reversa no Google para encontrar o local onde ela foi publicada originalmente. “Geralmente as fotos de fake news são importadas de outro noticiário”, disse.

Em relação às notícias verdadeiras, o cientista político explica que as notícias que são verdadeiras refletem a linha editorial do próprio veículo de comunicação. “São publicadas por jornalistas submetidos a um código de ética e que possuem uma formação universitária para o exercício da profissão. Só nisso você vê que as notícias nos órgãos tradicionais de imprensa são mais confiáveis. Se você concorda com o pensamento do veículo de comunicação, este veículo for confiável, compartilhe com consciência”, explica.

Texto de Karin Franco, com informações de Rogério Carlos Born