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Candidato à reeleição em Irati, Jorge Derbli fala sobre realizações e planos

Derbli aprofundou temas discutidos no debate entre os candidatos a prefeito de Irati, como educação, meio ambiente, obras e contas públicas

Prefeito de Irati, Jorge Derbli, foi entrevistado no programa "Meio Dia em Notícias" de quinta-feira, 15. Foto: Reprodução

O candidato à reeleição a prefeito de Irati, Jorge Derbli (PSDB), foi um dos participantes da série de entrevistas realizadas no programa "Meio Dia em Notícias" com os postulantes ao Executivo municipal. 

Durante a entrevista, os candidatos têm a oportunidade de explorar os temas abordados no debate realizado no início de outubro, promovido pela Najuá e jornal Hoje Centro-Sul. Participam das entrevistas o convidado William Hilgemberg e a diretora da Najuá, Jussara Harmuch.

Nesta entrevista, o candidato comentou temas ligados ao meio ambiente, educação, obras e também contas públicas.

Ouça o áudio completo da entrevista no fim do texto

Destinação de resíduos

Uma das questões comentadas pelo candidato foi a destinação dos resíduos sólidos do município. Há dois anos, o prefeito apresentou uma solução para a destinação de resíduos sólidos produzido no município. O aterro sanitário apresenta irregularidades desde 2007. De acordo com a proposta, a empresa Athena ficaria encarregada de utilizar o lixo produzido em Irati na realização de madeira biossintética, diminuindo o custo para o município que não teria que realizar o transbordo.

Derbli explicou que o processo demorou devido à burocracia. “Ficamos dois anos insistindo com a questão do IAP [Instituto Ambiental do Paraná] para conseguir as licenças, porque era uma inovação a transformação do lixo nessa madeira plástica. Não tínhamos conhecimento ainda e o IAP não tinha nenhuma experiência aqui na região. Para mostrarmos e provarmos se teria resíduo, qual impacto ambiental, demorou. Nós fomos em Curitiba, acho que eu fui umas 20 vezes, até que conseguimos a licença ambiental para instalação”, disse.

Mas não foi suficiente, já que com a pandemia, a empresa não conseguiu o financiamento. “Tínhamos feito já a concessão do lixo para eles, tínhamos feito a concessão de uso do barracão e no ano passado a empresa conseguiu toda a documentação, que era um financiamento alto. Veio a pandemia e infelizmente parou por aí. Fiquei muito triste e aborrecido com isso, porque queria que funcionasse. Nós iríamos acabar com o aterro sanitário e iríamos ter uma solução definitiva, com Irati sendo pioneira nesse assunto”, comentou.

A proposta agora é tentar fazer o transbordo do lixo e durante este tempo, verificar se é possível rever o projeto no futuro. “Seria agora o transbordo imediatamente e tentar novamente no ano que vem ver se a Athena se instala no nosso município de Irati”, afirmou o prefeito.

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Mata do Gomes

Ainda na área ambiental, Derbli também deu sua opinião sobre o planejamento da realização de um loteamento na área da Mata dos Gomes. Ele comentou que já conversou com os empresários para tentar fazer um condomínio vertical em outro espaço, para tentar preservar o local. “Sabemos que a preservação é muito importante, não só questão de retenção, mas das nascentes que existem ali. Eu conversei várias vezes com o pessoal do Gomes, e falei que lá em cima, próximo ao antigo campo do Gomes, ao invés de fazerem um loteamento com cento e tantos lotes, fazer naquela área [que já é desmatada, não vai ter o impacto ambiental de derrubar as araucárias, comprometer as nascentes de água], fazer ali um condomínio. Ao invés de 130 lotes, fazer um condomínio vertical, construir alguns prédios, que não vai ter esse impacto ambiental”, relatou.

O prefeito diz que é preciso encontrar um consenso. “A questão ali é fazer um consenso da sustentabilidade, do que é viável economicamente e o que é viável na área ambiental, para não destruir. Temos um plano na sequência de arborização, mas seria interessante para eles, que seriam donos da área, poderiam ter esse faturamento em cima desses apartamentos usando menos da metade do que está previsto no loteamento e assim preservaria um bosque”, explicou.

Macrodrenagem

O candidato ainda comentou as obras realizadas no centro de Irati para resolver o problema das enchentes no local. Segundo ele, o plano de macrodrenagem realizado com emenda de R$ 300 mil, da deputada federal Leandre Dal Ponte (PV), está norteando as obras. “Uma drenagem completa em toda a cidade para que as obras sejam feitas na sequência, uma depois da outra, não pode um prefeito, um ou outro abandonar. Nós temos que ter um norte a seguir”, disse.

O plano fez um mapeamento das bacias da região e estabelece algumas obras necessárias. Atualmente, as obras estão em uma segunda fase, com previsão de serem realizadas na rua Conselheiro Zacarias na rua Coronel Sabóia. O valor de R$ 1 milhão já foi licitado. A empresa já recebeu a ordem de serviço para iniciar os trabalhos. “Nós estamos com o projeto completo para chegar até no Rio das Antas, que também seria a terceira fase. A quarta fase seria da Munhoz da Rocha, próximo da Irabox, seguindo na Carlos Thoms, que vai passar por dentro de onde é era a empresa Gomes, do lado da Receita Federal, chegando até na Mata da Gomes onde nós vamos fazer uma grande represa de contenção de água”, explicou. Para a terceira e quarta fase ainda não há recursos previstos. 

Obras

O candidato ainda comentou sobre as obras realizadas no interior e o planejamento de realizar pontes de alvenaria. “Temos dentro do orçamento para obras e serviços gerais essa construção de pontes. As pontes de eucalipto, mesmo com a colaboração dos agricultores, a durabilidade é muito pouca. A madeira apodrece logo e já tem que substituir. Pontes que fizemos em 2017, a madeira não aguenta muito tempo. É quatro, cinco, seis anos. Eles vão apodrecendo os eucaliptos, eles não são tratados, não é uma madeira própria, você simplesmente corta e vai lá e faz. Não há esse tratamento para ter durabilidade. Então queremos fazer um serviço definitivo e nós teremos recursos livres para aplicar nessas pontes de concreto que vamos fazer”, explicou.

Segundo ele, algumas pontes que já estão sendo realizadas, possuem materiais cedidos pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER). “Está acontecendo hoje uma na Barra do Gavião. Ontem, o DER nos cedeu as vigas. Estamos fazendo as parcerias com o Governo do Estado, vamos ao Governo do Estado buscar essas vigas, que a prefeitura se encarrega de fazer somente as cabeceiras da ponte, ficando bem mais em conta, ficando pela metade do preço que seria nós fazermos uma ponte inteira de concreto”.

Derbli ainda comentou que a administração conseguiu 3 mil tubos de concreto por meio do Governo de Estado. “Chegou a primeira etapa de mil tubos e está chegando a segunda nesse mês de outubro. A terceira vai vir em novembro. São 3 mil tubos de concreto. Tubos de um metro de diâmetro que vamos conseguir fazer muitos bueiros, principalmente no interior, utilizando somente a mão de obra, visto que o material já estamos ganhando. Foi através de emendas de deputados que conseguimos esses recursos e esse material. Sem precisar gastar”, afirmou o candidato.

Educação

Uma das propostas expostas pelo candidato é a realização de um concurso público para professores. Derbli explica que não foi possível realizar até o momento porque o município estava no limite dos gastos com funcionalismo. “Nós não fizemos o concurso nos três primeiros anos porque o índice prudencial estava próximo do teto que era 51%. Hoje estamos em 47%, quase 48%, já diminuiu. Mesmo dando a reposição salarial, não demos aumento real para os funcionários nesses quatro anos, mas fizemos a reposição salarial da inflação para não perder, para não ficar muito tempo sem ter o aumento salarial e lá na frente, aí teria que recompor e é quando vem aqueles valores absurdos que a prefeitura não tem condição de pagar. Todo ano estamos fazendo a recomposição da inflação e nós vamos conseguir agora no primeiro semestre, nós vamos fazer um concurso não só para a educação, mas também para a saúde”, conta.

Ele também comentou que a atual administração conseguiu ter pontos positivos na educação. “Conseguimos zerar a questão da fila de creches no município de Irati. Readequamos uma escola para transformar em uma creche, o CMEI próximo ao CTG, e também terminamos a construção da creche anexa ao parque da Vila São João, que também abriu novas vagas. E temos duas creches em execução que vai resolver o problema das creches”, disse.

Contas públicas

Ele também comentou sobre a desaprovação de contas. “Nós tivemos nos dois primeiros anos, 2017 e 2018, algumas dificuldades financeiras realmente. Como falei no debate, nós pegamos muito saldo a pagar não emprenhado de administração passada. Então fechou as contas, mas muita coisa ficou para pagarmos durante a administração. Muitas obras paralisadas que sabíamos que tínhamos que gastar algum recurso. Como citei uma obra é o Centro da Juventude que inicialmente de R$ 150 mil, que era o previsto, foi gastado quase R$ 1 milhão pelo abandono da obra, por ter ficado muito tempo, quebraram vidros, botaram fogo na obra, enfim, essa e várias situações, além do orçamento que tínhamos”.

Derbli ainda mencionou alguns exemplos. “Nós gastamos a mais como na escola da Vila Nova que foi comprado o terreno e esqueceram de pagar. Nós tivemos que pagar o terreno da escola da Vila Nova, com R$ 360 mil, como o terreno de uma obra inaugurada em Gonçalves Júnior, a Escola dos Colonizadores. Compraram o terreno, fizeram a escola, inauguramos, eu estava até presente na inauguração e esqueceram de pagar. São contas que não apareceram na contabilidade da administração anterior e que posteriormente veio também a dificultar, além das despesas que a prefeitura tem normalmente, gasto fixo e obras que a gente tem que dar andamento”, contou.

Derbli justificou que a desaprovação aconteceu porque as despesas somaram um pouco mais que a receita. “Tivemos esse débito, para as pessoas entenderem são até 5% que você pode passar de um ano para o outro e estávamos com 7%, então a gente passou um pouco a mais do limite em 2017 e 2018 também. Em 2019 nossas contas já estão sendo aprovadas”, disse. 

Texto de Karin Franco, com entrevista de Jussara Harmuch