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Psicóloga dá dicas sobre como prevenir abuso sexual em crianças e adolescentes

Prevenção passa por nomear as partes do corpo desde o início da vida e ensinar os tipos de toque que podem e que não podem ser feitos
Psicóloga Stephanie Sonsin possui um canal no YouTube chamado "Coisa de Criança" onde traz algumas dicas para os pais. Foto: Arquivo Pessoal
A discussão sobre o abuso sexual em crianças e adolescentes voltou à tona no mês de agosto com o caso da menina de 10 anos, do Espírito Santo, que engravidou após ser abusada pelo seu próprio tio. A repercussão do caso levou à discussão sobre como proteger crianças e adolescentes de abusos.

De acordo com a psicóloga Stephanie Sonsin, a prevenção precisa começar antes mesmo do período do desfralde do bebê. Um modo adequado é adaptar a linguagem ao entendimento do bebê. Uma das técnicas é nomear as partes do corpo para que o bebê já consiga identificá-los. “Quando eu estou fazendo a troca da fralda da minha filha ou do meu bebê, eu já posso falar desse corpinho. Preciso nomear. E é muito natural dos pais. Pegar mãozinha, cheirar, falar que vai cheirar o pezinho, a barriguinha, faz cócegas. Ou seja, você já está nomeando o corpo”, disse.

Confira o vídeo completo da entrevista no fim do texto

Nesse processo, os pais precisam também nomear os órgãos sexuais. Dar nomes às partes do corpo ajudarão a criança a compreender melhor os próximos ensinamentos como o estabelecimento dos toques que podem ou não podem. “Realmente precisa ser dito, mas de uma maneira informal. Não é chamar o filho para uma reunião. ‘Vem cá vamos falar de um assunto muito sério’. Não é dessa forma. Não é pondo medo. Não é trazendo peso. É uma informação”, salienta Stephanie.


Segundo a psicóloga, é preciso estabelecer as regras. “O toque que pode é um beijo no rosto, um carinho no cabelo, um abraço. Pode. Deve ser dito o toque do que não pode. O que não pode? Beijar na boca, passar a mão no seu corpo ou no bumbum, pedir para mostrar a sua calcinha ou cueca”, demonstra.

Os pais também devem instruir o filho para que caso algum toque em lugar inapropriado aconteça, ele peça ajuda e conte para os pais. Ela destaca que os pais precisam pedir que os filhos não guardem segredos e que se aproximem deles.

A psicóloga explica que os sinais de que algum abuso ocorreu não são isolados, mas tendem a chamar atenção por ser algo atípico para aquela criança. “É intensificado, é para além de algo que ocorreu. É uma agitação no sono, é um escape do xixi, é o escape da urina, das fezes, mesmo dormindo, mesmo durante o dia”, explica. A criança também pode acabar retendo a urina, ficando ficar mais agressiva ou agitada e até se recusar a ir em lugares que costumava frequentar.

Contudo, é a percepção dos pais sobre o comportamento da criança que será a principal maneira de revelar se houve abuso ou não. “É importante a leitura e a atenção dos pais. Sempre há o bom diálogo; ‘O que aconteceu? ’. Não aquela coisa impositiva: ‘Você tem que ir, tem que ficar’. Por que tem que ficar? Pode não ser um abuso, mas pode ser outro motivo da criança que não gostou e que não se sente bem. E se você não ouviu o que seu filho está sentindo, não ouviu o coração do seu filho, você está deixando uma oportunidade passar para cuidar você intervir”, alerta.

Números do Disque Denúncia 100 mostram que 70% dos abusos sexuais em menores de idade acontecem dentro de casa. Por isso, é importante que pais não ignorem ou diminuam alguma situação em que a própria criança demonstre algum abuso. “Você tem que dar umas respiradas e fazer perguntas, sem deixar sua ansiedade e agitação atrapalhar, porque precisa continuar a conversa”, afirma Stephanie.

Uma das preocupações também está com o uso da internet. A psicóloga alerta que os pais devem buscar conhecer o que o filho vê na internet, mesmo que os pais não tenham habilidades tecnológicas. “É necessário você entender como funciona, é necessário você supervisionar o comportamento do seu filho”, disse.

Saber com quem a criança está conversando é importante porque não são somente adultos que as aliciam. Adolescentes também podem abusar de alguém menor.

A psicóloga Stephanie Sonsin possui um canal no YouTube chamado "Coisa de Criança" onde traz algumas dicas para os pais. No Instagram, @stephanie_sonsin, ela também realiza lives com assuntos ligados à maternidade.

Texto: Karin Franco, com reportagem de Juarez Oliveira