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Prevenção ao suicídio é tema da campanha Setembro Amarelo

Psicóloga dá orientações e dicas para prevenir casos de suicídio

Stephanie Sonsin destaca que falar de suicídio atualmente é um tema de saúde pública. Foto: Arquivo Pessoal
Um estudo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) mostrou que 17% dos brasileiros, em algum momento, pensaram seriamente em dar um fim à própria vida e, desses, 4,8% chegaram a elaborar um plano para isso.

Os dados fazem parte da campanha Setembro Amarelo que tem como objetivo chamar a atenção para o assunto, promovendo o debate e a prevenção do suicídio. A campanha é realizada desde 2015, pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

Em participação no programa “Espaço Cidadão” da Super Najuá, a psicóloga Stephanie Sonsin destacou que a campanha traz à tona um assunto que antes era escondido. “Durante muito tempo, falar sobre suicídio não era algo que fosse comum. Havia medo de falar sobre o assunto e hoje é considerada uma questão de saúde pública”, analisa.

Stephanie explica que as pessoas com tendência suicida podem dar sinais de que precisam de ajuda. Mudanças no comportamento, como o afastamento da convivência de familiares e amigos, desinteresse em coisas que antes gostava e até mesmo uma intensidade grande de episódios de depressão e ansiedade podem ser sinais.


“A própria declaração da possibilidade do ato suicida. O relato que ‘estou pensando’, ‘estou muito triste’, ‘às vezes vem umas bobagens na minha cabeça’, ‘tenho pensado sobre isso’. É um sinal que a pessoa está falando, possivelmente ela vai falar para alguém muito próximo. Outro sinal que também muitas vezes não é levado em consideração são algumas brincadeiras de mal gosto, de apertar a garganta, algo assim, tem que ser visto desde crianças, adolescentes e jovem”, alerta.

Contudo, a psicóloga chama a atenção que a prevenção passa por um olhar atento de quem está ao redor da pessoa que está sofrendo. “Nós precisamos olhar para a pessoa. Ter essa disposição de estar olhando as pessoas ao nosso redor. Ter o ouvido atento. Muitas vezes não queremos ouvir o que o outra fala”, comenta.

A psicóloga destaca que isso acontece porque não temos o costume de observar essas características. “Nós não estamos acostumados a escutar as dores das pessoas e nem a lidar com as nossas. E isso faz com que não criamos um interesse em como o outro está, mesmo vendo que houve uma mudança de humor, uma alteração de comportamento”, explica.

Stephanie também ressalta que o suicídio não tem um fator único e que diversas variáveis podem influenciar o ato. Por isso, é importante a atenção aos pequenos detalhes. “O suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial. Não precisa só de uma causa e um efeito – aconteceu isso que levou aquilo. Na verdade, pode ser alguma coisa que aconteceu na infância, coisas nunca trabalhadas ditas, ou algo até do momento”, relata.

Normalmente, os casos de suicídio no brasil acontecem com pessoas com menos de 45 anos. Porém, a psicóloga destaca que não há uma idade certa para que aconteça, atingindo desde crianças até idosos.

Nos casos de crianças e adolescentes, pode haver relutância da família em aceitar, mas é preciso atenção para que ações de prevenção sejam feitas. “É algo que pode acontecer em qualquer idade. Nem sempre é visto na adolescência ou na infância como um ato suicida. ‘Ah, a criança foi brincar e caiu, desastrada’. Ou ‘foi brincar com algo e se furou’. Mas ali já havia um humor deprimido, já havia algo que imobilizava essa criança. Talvez é insuportável para nós adultos aceitar a ideia, porém há”, disse.

Nesses casos, os pais precisam estar atentos aos comportamentos dos filhos e estarem abertos ao diálogo, procurando saber como estão. Nos adolescentes, vídeos assistidos na internet e postagens em redes sociais podem serem indicadores de que há algum problema.

A pandemia do Coronavírus impactou a saúde mental de várias pessoas. A psicóloga alerta que o impacto pode ser diferente em cada um, mas que é preciso buscar ajuda. “Claro que vai ser diferente em cada pessoa. Cada pessoa vai sentir e lidar de uma maneira. Nós não podemos deixar de pensar que traz impacto à saúde mental da população”, disse Stephanie.

A psicóloga alerta que é preciso procurar ajuda profissional porque em algumas situações, somente um psicólogo ou psiquiatra poderá dar um auxilia efetivo. Nos casos de não adaptação, o paciente pode procurar profissionais que o deixem mais confortável. “Uma pessoa da sua confiança pode ser para você desabafar, mas procure um atendimento profissional psicológico e psiquiátrico. Porque o profissional vai lidar com esse assunto de uma forma impessoal, não te julgando, é uma fala diferente, é uma fala que traz para você trabalhar as suas emoções, se trabalhar para uma melhora”.

Quem está tendo algum problema ou alguma tristeza mais profunda pode procurar atendimento gratuito por telefone por meio do Centro de Valorização da Vida (CVV). Ao discar 188, um voluntário – que não necessariamente é um psicólogo – conversará com a pessoa para ouvir suas dificuldades.

Texto: Karin Franco, com reportagem de Juarez Oliveira