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Coligação PC do B e PT é contestada em Irati

Presidente do PT, professor Adevino Leite da Silva, tenta anular convenção que aprovou coligação do PC do B e PT nas eleições majoritárias. Por maioria dos votos, convenção autorizou a pré-candidatura da petista Claudete Basen, como vice na chapa junto ao professor João Dremiski

PC do B anunciou aliança com PT para disputa majoritária. Porém, presidente do PT contesta votação realizada durante a convenção do partido. Foto: Divulgação 

A convenção realizada no dia 5 de setembro pelo Partido dos Trabalhadores (PT) em Irati está sendo contestada pelo próprio presidente da legenda, professor Adevino Leite da Silva. Conforme ata, pela maioria dos votos, a convenção aprovou a coligação entre o PT e o Partido Comunista do Brasil (PC do B), autorizando a candidatura da professora e ex-secretária de Cultura de Irati, a petista Claudete Basen, como vice na chapa encabeçada pelo professor João Dremiski, candidato a prefeito do PC do B.

Contudo, o presidente do partido alega que a ata registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não está correta e quer anular a convenção. “A [diretoria] estadual não pode receber uma ata sem assinatura. Ela não tem assinatura, então não tem validade jurídica nenhuma. O TSE não pode validar uma ata de uma convenção que não existiu. Ela terminou inconclusa”, afirma Adevino. 

Uma outra convenção foi realizada no dia 12 de setembro que indicou o ex-secretário de Meio Ambiente, Osvaldo Zaboroski, para prefeito, e Adevino Leite da Silva como vice-prefeito.

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Ata registrada

A ata registrada no TSE informa que a convenção realizada no Hotel Paradise, em Irati, no dia 5 de setembro, teve duas propostas colocadas em votação. Uma foi a da coligação com o PC do B, com a indicação de João Luis Dremiski (PC do B) a candidato a prefeito e Claudete Basen (PT) como candidata a vice-prefeita. A outra era uma proposta de chapa pura, com a indicação de Osvaldo Zaboroski para prefeito e Adevino Leite da Silva como vice-prefeito.

Segundo a ata, a chapa da coligação ganhou por 12 votos, contra quatro votos para a chapa pura do PT. Houve ainda duas abstenções.

A íntegra da ata pode ser conferida clicando aqui.

Pedido de anulação

De acordo com o presidente do PT de Irati, a ata não registrou o que aconteceu no dia. “Esse grupo de filiados que adentrou recente, eles tinham na minha opinião, uma decisão entre eles de exigir do partido, da convenção, a coligação com o partido. Eles queriam coligação. Sem a minha autorização, um deles achou que deveria fazer uma eleição, uma votação para decidir essa questão. Eu coloquei em princípio que o PT de Irati ia sair com chapa pura, composta só com filiados com Partido dos Trabalhadores, tanto da chapa majoritária e também da proporcional. Eles promoveram uma votação exigindo coligação. Mas eles não tinham nenhum pedido formal para colocar na mesa solicitando essa coligação”, relata Adevino. 

O presidente do partido ainda alega que deixou que a votação acontecesse porque temia o que aconteceria. “Eu falei: ‘Vou deixar que votem’. Se eu não faço eles iam se encrespar comigo, quebrar a mesa, porque eu não poderia deixar que fizessem a votação”, relatou. 

Ele ainda informou que não houve nenhuma conversa com a comissão executiva do PT e com membros do PC do B. “O PC do B não me procurou, não procurou ninguém da comissão executiva para tratar desse assunto”, diz o presidente do PT. 

O professor alega que a ata não foi votada e terminou inconclusiva. “Essa convenção não tem validade. Eu convoquei a convenção executiva e no dia seguinte a Executiva votou transformando essa convenção como não realizada, inconclusiva e não foi aceita pela Executiva do partido. Nós encaminhamos essa documentação para Curitiba e eu fiquei sabendo, dias depois, que esse grupo tenta validar uma convenção que não existiu”, disse. 

Adevino explica que uma nova convenção foi convocada no dia 12 de setembro, onde a pré-candidatura do ex-secretário de Meio Ambiente, Osvaldo Zaboroski, para prefeito e dele para vice-prefeito foram aprovadas. 

Agora, o presidente do partido explica que a Executiva municipal está contestando a ata do dia 5 no Diretório Estadual. “Nós contestamos porque essa não tem validade, porque ela não terminou, ela acabou inconclusa. Não votou os nomes e também não definiu os valores de máximo de campanha de cada candidato. Não definiu o órgão que deverá gerir os recursos financeiros, o comitê eleitoral, uma série de problemas”, explica. 

Segundo o presidente do PT de Irati, a candidatura da coligação também apresenta problemas. “Ela [Claudete] não tem como participar dessa chapa porque para começar ela está inadimplente com suas obrigações do partido. Desde 2016 ela não compareceu em nenhuma reunião do partido às quais eu convoquei. Ela está inadimplente e ela não tem como participar dessa chapa do PC do B como vice porque a diretriz do Partido dos Trabalhadores, do 7º Congresso, estabelece que nos diretórios onde há candidatos a prefeito e vice, o diretório não pode fazer coligações com partido nenhum, com os partidos de esquerda e muito menos com partido de direita”, disse. 

Outro lado

A professora e ex-secretária de Cultura de Irati, Claudete Basen, disse que a ata foi encaminhada dentro da lei. “A ata da convenção com resultado vitorioso da coligação do PC do B foi encaminhada no prazo previsto por lei”, relata. 

Ela explica que as conversas sobre a coligação ocorrem desde o início do ano. “Lideranças do município de Irati, representantes de partidos políticos de esquerda, um grupo de jovens e inteligentes militantes vinham se reunindo desde o início do ano de apresentarem o olhar diferenciado para nossa cidade, nossa Irati”, conta. 

Claudete diz que a coligação trouxe uma proposta planejada. “Um plano que visasse uma gestão democrática, participativa e de inclusão. E que se preocupasse de fato em fortalecer as políticas públicas existentes, ampliá-las e qualificá-las”, disse.

“Quem se autointitulou pré-candidato sem a aprovação da maioria dos filiados do Partido dos Trabalhadores e não aceitou a derrota na convenção precisa tomar um chá de camomila”, finalizou Claudete. 

Procurado para comentar sobre a divisão dos filiados do PT sobre realizar coligação com o PC do B ou sair de chapa pura nas eleições, o candidato João Luis Dremiski preferiu não se manifestar.