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Teste da Orelhinha será retomado com parceria da Unicentro e CIS/Amcespar

Testes que eram realizados pela Unicentro estão parados desde 17 de março, quando iniciou o isolamento social. Com a parceria, exames serão realizados nos municípios
Foto: Divulgação
Os testes da orelhinha realizados pela Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná (Unicentro) Campus Irati deverão ter continuidade a partir de um contrato feito junto ao Consórcio Intermunicipal de Saúde (CIS/Amcespar). No contrato de comodato, a universidade empresta o aparelho para exame ao Consórcio, que firmará parcerias com as secretarias municipais de saúde para a realização dos exames.

A parceria possibilitará que um fonoaudiólogo faça os exames em cada município, em ambiente devidamente tratado pela equipe do SUS. “Vai viabilizar uma fonoaudióloga que vai até os municípios, até as secretarias, para realizar os exames das crianças”, explica a professora do curso de Fonoaudiologia da Unicentro, Cristiana Magni.

Acompanhe o vídeo completo da entrevista com a professora Cristiana no fim do texto

Desde 17 de março sem atendimentos, o contrato supre uma necessidade das famílias de bebês recém-nascidos que precisavam do exame. Antes, o projeto da Unicentro atendia bebês de toda a região. Durante este período sem atividades práticas na universidade, o exame estava sendo oferecido apenas em serviços privados e na Santa Casa de Irati, que não possui equipe suficiente para atender a média de 200 bebês por mês que precisam realizar o exame.
O contrato também ajuda a evitar a movimentação de pessoas e aglomeração. De acordo com a professora, cerca de 20 mães com seus bebês se deslocavam no ônibus do Consórcio por dia para fazer exames na Unicentro. Mas agora, essas famílias poderão fazer os exames em seus municípios. “Cada Secretaria vai entrar em contato com os bebês recém-nascidos e vai agendar o dia certo que a fonoaudióloga vai até a Secretaria fazer o exame”, afirma Cristiana.

Já nos hospitais privados de Irati, que são conveniados com o projeto da Unicentro, a equipe deverá verificar a possibilidade de atendimento de algumas famílias na própria instituição, pelas professoras do curso.

O Teste da Orelhinha é o nome popular da Triagem Auditiva Neonatal, que tem o objetivo de detectar alterações no sistema auditivo de recém nascidos. Desde 2010, o Teste da Orelhinha é obrigatório em todos os recém nascidos em maternidades e hospitais.

Para a realização do procedimento, é realizado um exame de emissões otoacústicas. “Por meio de um equipamento nos colocamos uma borrachinha bem pequena de silicone, bem molinha - que não provoca dor nenhuma - no canal auditivo do bebê. Esse equipamento emite algum som que chamamos de cliques. Em várias frequências. Estes sons percorrem o caminho do som normal em que todos escutamos. E chega até as células lá na nossa orelha interna. Essas células recebem o som se movimentam e esse equipamento registra como se fosse o eco deste som que entrou porque a célula recebeu e produziu um sinal. Este sinal que a célula provoca, ele é recebido de volta no equipamento e isso dá alguns valores que registramos como sendo que o bebê passou no teste ou o bebê não passou no teste”, explica a professora.

Se o bebê não passar e não tiver nenhum fator de risco, o teste é repetido em 15 dias para verificar se há certeza no resultado. Se continuar com problemas, o bebê é encaminhado a um otorrinolaringologista que irá verificar como está sua orelha, se há alguma secreção que pode estar interferindo no teste ou se há algum problema na audição do bebê. O profissional também irá avaliar se há fatores de risco para a perda auditiva.

Os fatores de risco, ou indicadores de risco para deficiência auditiva, são condições apresentadas na gestação, no momento do parto ou após o nascimento que podem desencadear uma deficiência auditiva. A percepção dos pais em relação a comportamentos do bebê, prematuridade, a permanência do bebê na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por mais de cinco dias, infecções da mãe durante a gestação e o casamento entre pessoas com parentesco familiar são alguns exemplos de fatores de risco.

A professora destaca que o Teste da Orelhinha é apenas um primeiro passo e que o diagnóstico de uma perda auditiva ocorre após um processo de consulta e exames. Mesmo assim, o diagnóstico precoce é o ideal.
O ideal é que possamos diagnosticar a criança que tenha uma deficiência auditiva até o quarto, quinto mês de vida, para até o sexto mês de vida já termos o diagnóstico certo e aí poder partir para uma intervenção, avalia a professora.
Na região, o projeto de extensão da Unicentro de Irati possibilita desde 2007 a realização de exames, que são feitos pelos alunos do curso de Fonoaudiologia, com supervisão dos professores, de forma gratuita à população. Por meio da parceria do Consórcio Intermunicipal de Saúde, as mães e seus bebês tem o transporte gratuito até a Clínica Escola da Unicentro. Desde o início do projeto foi realizado mais de 20 mil exames.

Durante o período de isolamento social, a Universidade também tem promovido o projeto Cuida Bem com informações sobre cuidados da saúde. No projeto são promovidas informações aos pais sobre o cuidado com a audição de seus filhos.

Assista a entrevista com a professora Cristiana