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Prefeitura de Irati descarta fechamento parcial ou redução do horário de atendimento das empresas

Medida foi analisada após Santa Casa fechar leitos de UTI geral. Algumas atividades podem ser autorizadas nos próximos dias se não houver aumento de casos de Covid-19, conforme coordenador do COEF
Imagem aerea da rua Alexandre Pavelski, em Irati. Foto: Bruno Fauat
O coordenador do Centro de Operações Especiais e Fiscalização (COEF), o enfermeiro Agostinho Basso, afirma que o município de Irati não precisa publicar decretos limitando ou restringindo o funcionamento de empresas e comércio. Segundo ele, a tendência é que sejam flexibilizadas algumas atividades nos próximos dias se o número de casos de coronavírus se mantiver na média de registros semanais, que na sua visão são considerados baixos em comparação ao número de habitantes da cidade.

Na quarta-feira,19, integrantes da administração municipal, dos setores de Vigilância Sanitária, Vigilância Epidemiológica, COEF, diretor da 4ª Regional de Saúde, Walter Henrique Trevisan, e o vereador Rogério Kuhn (representando a Câmara Municipal) se reuniram com o administrador da Santa Casa de Irati, Sidnei Barankievicz, para discutir quais atitudes poderiam ser tomadas em função do bloqueio temporário dos 11 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) geral do hospital. Isso ocorreu devido ao afastamento de profissionais que tiveram sintomas ou foram diagnosticados com a Covid-19. A possibilidade de fechamento parcial do comércio ou redução de horário de atendimento foi descartada pelo prefeito Jorge Derbli.

De acordo com Agostinho, durante a reunião cada representante teve a oportunidade de dar seu ponto de vista. Porém, os números de casos de coronavírus em Irati e no Estado do Paraná foram levados em conta para tomar a decisão de não adotar mais medidas restritivas.


Nós sabemos que no Estado do Paraná já se encerrou o pico maior do contágio podemos dizer assim estando agora no que a gente chama de platô, que é quando se estabiliza num limite máximo de 15% a mais ou a menos no sentido de estabilização de casos. Dessa forma, melhorou significativamente a oferta de leitos de UTI, que no Estado todo chegou próximo de 100% de ocupação e hoje está com 75%, relata o enfermeiro.

Os municípios paranaenses foram divididos em quatro macrorregiões para atendimentos dos pacientes infectados. Irati está inserida na Macrorregião Leste, que tinha à disposição 76 leitos de UTI livres na quarta-feira, 19. “Isso nos leva a ter uma certa tranquilidade apesar dos quatro leitos de UTI da Santa Casa estarem lotados, mas nós pertencemos a uma macrorregião e hoje temos 76 leitos caso alguém precise”, afirma Agostinho. Ele ainda salienta que nenhum iratiense está internado com diagnóstico positivo de coronavírus.

A média de casos semanais também foi analisada. De acordo com o enfermeiro, Irati apresenta queda no número de registros. Entre os dias 3 e 10 de agosto, a média foi de três pessoas infectadas por dia.

Número baixo tendo em vista que a cidade tem 60 mil habitantes, resume.

Já entre os dias 11 e 18 de agosto, houve aumento de pessoas contaminadas, mas dentro do que era esperado, conforme Agostinho. Na terça-feira, 18, por exemplo, foram diagnosticados 14 moradores com a doença. Esse foi o maior número de casos em um único dia desde o início da pandemia. Porém, o enfermeiro avalia que isso foi reflexo da movimentação de pessoas na semana do Dia dos Pais. “Nós estamos dentro de um controle bem satisfatório. Nossa taxa de mortalidade é de 2,5%, ou seja, de cada 100 pessoas que positivam 2,5 acabam falecendo”, analisa.

No coeficiente de incidência por Regional de Saúde, Irati possui um dos menores índices de casos registrados no Paraná. Por esse motivo, o coordenador do COEF acredita que aos poucos a prefeitura pode autorizar a retoma de algumas atividades.

Muitos segmentos que nos pedem e estão entrando com protocolos serão atendidos nesse novo decreto. Claro que tudo isso é possível porque todo mundo está fazendo sua parte, empresários, indústria, serviços, entenderam e estão fazendo bem a sua parte, a população respeitando usando a máscara. Hoje nossa preocupação maior de contágio está dentro da casa, nos finais de semana, churrascos, festas, aniversários aglomeração de jovens e é isso que nos preocupa, alerta.

De acordo com o enfermeiro, a gestão municipal realizará o que é possível e legal para ajudar a Santa Casa de Irati para suprir a demanda de funcionários com a contratação temporária de médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem. “O COEF e a gestão municipal vão fazer de todo possível para ajudar nessas contratações temporárias para que tudo se resolva bem da melhor maneira possível”.

Na reunião, Derbli se comprometeu de discutir com a direção da Associação dos Municípios do Centro-Sul do Paraná (Amcespar) a possibilidade de disponibilizar um médico plantonista de uma cidade vizinha pelo período de sete a dez dias, pois a Santa Casa atende pacientes de toda a região.

Nesta quinta-feira, 20, Irati registrou mais quatro casos de coronavírus, sendo dois na faixa etária entre 30 e 39 anos e dois entre 40 e 49 anos. Um homem, de 47 anos, que estava na enfermaria da Santa Casa de Irati recebeu alta. Sendo assim, a cidade não tem ninguém internado. No total, foram 237 casos contabilizados desde o início da pandemia. 205 moradores se recuperaram da infecção, 26 estão em isolamento domiciliar e 147 iratienses aguardam resultados dos testes laboratoriais. Seis pessoas morreram por complicações causadas pela doença.

Por faixa etária, o maior número de casos continua sendo entre 30 e 39 anos com 59 registros. Cinquenta e cinco pessoas tiveram coronavírus entre 40 e 49 anos. Mais 31 moradores foram infectados entre 20 e 29 anos. Vinte e quatro iratienses foram contaminados entre 50 e 59 anos. Dezessete casos foram registrados entre 60 e 69 anos. Dezesseis moradores tiveram Covid-19 entre 10 e 19 anos. Outros 12 idosos foram diagnosticados com a doença entre 70 e 79 anos. Onze casos foram contabilizados entre 0 e 5 anos. Nove crianças entre 6 e 9 anos também tiveram a infecção e três idosos com mais de 80 anos foram contaminados. Por sexo, 57,51% dos casos foram registrados em mulheres e 44,21% em homens.