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Funerárias se adaptam para cumprir decretos que estipulam restrições por conta da pandemia

Regras para velório e translado são diferentes em cada município
Paramentos utilizados em velórios. Imagem Funerária Nossa Senhora da Luz
A morte desconcerta a família e viver o luto hoje em dia, com as restrições impostas pela pandemia, gera mais sofrimento.

Decretos municipais proíbem os serviços de manipulação para preparar corpos. Todos levam em consideração a Lei Federal 13.979 e a Portaria 356 do Ministério da Saúde, mas alguns pontos divergem de cidade para cidade. Em Curitiba, por exemplo, no caso de confirmação ou suspeita de Covid, é proibido o translado para outras cidades, restando às famílias optar pelo sepultamento na capital ou fazer a cremação para transportar as cinzas.

Foi o que aconteceu com a Dona Francisca Cordel, que faleceu pela Covid em Curitiba. Com muita tristeza por não ter nem mesmo conseguido ver o corpo para uma despedida, familiares fizeram a opção pela cremação.

Em Irati, conversamos com a Samara Coelho que trabalha no atendimento de familiares da Funerária Nossa Senhora da Luz para saber, na prática, como funciona este processo.

“Quando confirmado ou suspeita [de Covid], não pode fazer a manipulação. São [os corpos] colocados no saco de remoção. As duas funerárias fizeram doações de sacos de remoção para o hospital. Quando o corpo está no hospital, a funerária vai buscar no necrotério e se for em casa, primeiro vai a Vigilância Epidemiológica para atestar se é Covid”

De acordo com o decreto municipal 154, casos envolvendo óbitos suspeitos ou confirmados por Coronavírus (COVID-19), devem ter, obrigatoriamente, o caixão fechado pela funerária e as tarraxas retiradas, não podendo mais ser aberto e deve seguir direto para o sepultamento.
Mesmo não havendo confirmação ou suspeita de Covid, existe restrições. Neste caso são para controlar o ambiente dos velórios.

“O sepultamento tem de ser feito em, no máximo, até 4 horas. Se falecer depois das 18h tem de ser até 8h do dia seguinte. O velório tem de ser feito em capela ou pavilhão de igreja, que devem ter janelas e portas sempre abertas”.


Existe um rodízio de funerárias, mas cabe ao familiar decidir, caso tenha uma empresa de preferência ou, até mesmo, se tiver o plano funeral.

“Existe um rodízio e funciona um dia para cada funerária., só que não têm influência na vontade da família. Funciona pelo rodízio quando é acionado pelos bombeiros ou pelo hospital e o familiar não manifestou preferência”

No caso destas cremações que ocorrem em Curitiba, não existe participação nenhuma das funerárias de Irati. Mas além de não ser igual em todas as cidades, os decretos podem ser alterados a qualquer momento, por isso, o recomendado é ligar para a funerária antes, para ser melhor informado do caso em específico.

Com as restrições de velórios, no caso em que o corpo vai direto para o cemitério, o gasto será apenas com a urna funerária, o caixão, popularmente chamada, pois não terá utilidade o uso de paramentos, como é feito nos velórios. Os preços variam de acordo com o tipo de material escolhido pelo familiar. Vai desde um caixão bem simples que custa em torno de mil reais, aos mais sofisticados ou até mesmo maiores, dependendo da necessidade.

Confira todas as restrições em Irati
Fica proibida a realização de velórios em residências, assim como em ambientes com área inferior a 30m². O número de pessoas presentes não pode ser maior que dez, observando o distanciamento de dois metros entre elas. As janelas e portas do local do velório devem ser mantidas abertas para propiciar a ventilação constante.

Idosos com mais de 60 anos, portadores de doenças crônicas, gestantes, lactantes, crianças, assim como familiares que apresentarem sintomas respiratórios como (febre, tosse, dor de garganta, coriza ou congestão nasal, não devem ir aos velórios, mantendo o isolamento social.

Ao entrar e sair das capelas mortuárias, os familiares enlutados devem realizar a desinfecção das mãos com álcool gel 70%. O corpo não pode ser manipulado. Devem ser evitados apertos de mãos e qualquer contato físico entre os participantes, mantendo-se distanciamento mínimo de dois metros entre as pessoas. Evitar tocar no cadáver durante o velório e excluir a lista de presença. Estão proibidos de serem servidos alimentos durante o velório, sendo permitido somente líquidos, desde que devidamente envasados.

Os funerais terão tempo limitado, sendo que velórios que iniciem a partir das 17h30 deverão ter o sepultamento até à 8h do dia seguinte. Velórios que iniciem a partir das 8h deverão ter o sepultamento até à 11h30 do mesmo dia. Velórios que iniciem a partir das 11h30 deverão ter o sepultamento até as 17h do mesmo dia.