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Ex-secretária de saúde fala sobre experiência de ter contraído Covid-19

Magali Salete de Camargo ficou internada em estado grave por 14 dias. Ela conta detalhes de tudo que ocorreu desde o início dos sintomas até hoje
Ex-secretária de saúde, Magali Salete de Camargo, contraiu Covid-19. Foto: Reprodução Facebook
Paulo Henrique Sava
A ex-secretária de saúde de Irati, Magali Salete de Camargo, foi uma das 149 pessoas que contraíram Covid-19 no município. Ela teve os primeiros sintomas da doença no dia 04 de julho, quando procurou atendimento médico, e permaneceu hospitalizada entre os dias 08 e 23 no Hospital Universitário Regional, em Ponta Grossa.
Magali, que tem 56 anos, conta que antes de começarem os sintomas, viajou a trabalho para a cidade de Blumenau-SC, onde visitou uma empresa. Ela permaneceu por 7 dias na cidade e retornou no fim de semana anterior ao recebimento do diagnóstico.
Durante esta semana que estivemos em Blumenau, tomamos todos os cuidados, todos usando máscara, álcool gel e distanciamento. Em um momento, fomos almoçar em um restaurante com um convidado que trabalha na empresa, tomando todos os cuidados. A gente supõe que tenha sido com esta pessoa que nos contaminamos, mas ele também não tinha sintoma nenhum da doença. Então não podemos afirmar se nos contaminamos ou transmitimos o vírus para esta pessoa, que teve Covid-19 na mesma época.
Ao retornar para Irati no sábado, dia 04, Magali sentiu um mal-estar e teve sintomas parecidos com os de uma gripe, como cansaço e febre (37,5°). Na segunda-feira seguinte, ela procurou atendimento na Unidade de Saúde François Abib, no Conjunto Joaquim Zarpellon, que é referência no atendimento de pacientes com Covid-19.
Fui até lá porque, como eu tinha viajado e voltei com estes sintomas, fui procurar a unidade, onde foi coletado o exame e prescrita a medicação que eu deveria tomar.
Na quarta-feira, dia 08, ela começou a apresentar uma alergia e decidiu procurar o Pronto Atendimento, na Vila São João. A ex-secretária diz que não chegou a ter acesso ao resultado do exame RT-PCR antes de ser encaminhada para a Santa Casa de Irati, onde fez uma tomografia. Após ser constatada a gravidade da situação, ela foi levada para o Hospital Universitário Regional de Ponta Grossa, onde ficou internada.
Na quarta-feira, eu amanheci com o corpo todo cheio de alergia, que parecia que havia me queimado com água quente. Procurei o Pronto Atendimento, onde fui rapidamente atendida pelo médico Dr. David, que me encaminhou para a Santa Casa. Na tomografia, apareceu um comprometimento pulmonar e fui transferida para Ponta Grossa. A gente fica assustado porque eu fui para consultar uma alergia, da qual veio a tomografia e em seguida a transferência para Ponta Grossa. Foi tudo muito rápido, não tive tempo nem de pensar no que estava acontecendo.
Durante o período de internamento, os médicos aplicaram antibióticos, antitérmicos e anticoagulantes. Exames de sangue eram feitos periodicamente. Antes, porém, no fim de semana anterior, ainda na unidade de saúde, ela fez uso de azitromicina e antitérmicos. Magali diz que não foi possível aguardar a evolução dos sintomas por conta da rapidez do avanço da doença.
Não dá para dizer que vai ficar aguardando os sintomas. Se eu não tivesse tido aquela reação alérgica, talvez eu não tivesse procurado o Pronto Atendimento e o caminho seria mais difícil. Não ignore os sintomas, pois todos são muito importantes. Um dia vai fazer muita diferença no tratamento e na recuperação.
Antes de ser encaminhada para a Santa Casa, Magali também tomou cloroquina e Tamiflu, que foram solicitados por ela e prescritos pelos médicos. Após o internamento, como os sintomas evoluíram, a ex-secretária foi encaminhada para a UTI do Hospital Universitário Regional, onde permaneceu por 14 dias. Ela relata que esta foi a experiência mais triste que já viveu.
Em questão de horas em que estava internada, foi feito um exame e eu já não voltei mais para o quarto, fui direto para a UTI. Com o pouco conhecimento que tenho sobre o que é uma UTI, bateu um desespero. Ao invés de eu estar melhorando, sentia que estava piorando e enfraquecendo porque as forças acabam. Se não fosse o oxigênio que eles (funcionários do hospital) colocam, eu não teria força para respirar.
Magali enaltece a importância da fisioterapia no restabelecimento da respiração. O procedimento foi feito durante o internamento e continua sendo realizado, agora com ela em casa.
Continuo fazendo, tendo assistência de uma fisioterapeuta para fazer a fisioterapia respiratória porque preciso fortalecer muito para ter força para respirar. Só quem passou por isto sabe o que é a dificuldade respiratória.
A equipe médica do Hospital Universitário Regional faz acompanhamento da recuperação de Magali através de ligações telefônicas, feitas a cada dois dias. Apesar da fraqueza respiratória, ela diz que está se recuperando bem e permanece isolada dos demais familiares, mantendo contato somente com a filha e o namorado.
Eu não estou mais com o vírus, então não corro risco de transmiti-lo. Pela minha saúde, estou resguardada, somente minha filha e o namorado têm contato comigo, e estão circulando em casa sempre de máscara. Espero que as forças voltem a uma normalidade para que eu possa retomar um pouco da minha rotina”.
A ex-secretária pede que todos continuem tomando os cuidados de prevenção para combater o coronavírus, que pode estar presente em qualquer lugar.
Vamos nos cuidar, usando máscaras, lavando as mãos, quando não for possível, utilizar o álcool gel e a desinfecção do que trazemos de fora para as nossas casas. Temos que criar novos hábitos. A coisa mais triste foi pensar que poderia nunca mais ver minha filha, meus netos, minha mãe. Foi esta sensação que eu tive lá dentro, e lutei muito. Graças a Deus e às orações, que sei que foram muitas, estou aqui para dar este depoimento.