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Empresas de foto e música relatam dificuldades para se manter durante a pandemia

Proprietárias de estúdio fotográfico e de grupo musical relatam dificuldades do setor, que está parado desde março
Maria Inez e Lúcio Robaszkievicz durante gravações do filme "Zé, a vida como ela é". Foto: Arquivo Najuá
Paulo Henrique Sava, com informações da SECOM/Prefeitura de Irati

O setor de eventos foi um dos primeiros a ser atingido pela paralisação causada pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19), e provavelmente será o último a retomar as atividades. Com isto, muitas empresas tiveram que se adaptar, chegando até mesmo a demitir funcionários e cortar custos. O estúdio fotográfico VideoFoto, de propriedade dos fotógrafos Lúcio e Maria Inez Robaskievicz, foi um dos afetados. A empresária conta que, mesmo que os eventos fossem liberados agora, levaria cerca de 120 dias para as atividades se normalizarem. Para que a loja fosse mantida aberta, foi necessário cortar gastos, com a demissão de uma funcionária e a contenção dos custos em geral.
Para não fecharmos as portas da loja, tivemos que fazer vários cortes de gastos, como demissão da nossa funcionária e contenção de gastos em geral, pois não obtivemos nenhum auxílio por parte do governo por não nos enquadrarmos nos requisitos exigidos devido à nossa declaração de Imposto de Renda. 
Maria Inez lembra que tanto ela quanto o esposo passaram por diversas dificuldades financeiras, tendo que trabalhar desde crianças para ajudarem no sustento das famílias. Porém, eles não se deixaram abalar pelos momentos difíceis. Para ajudar na renda familiar, Lúcio voltou a produzir móveis sob medida. A empresária continuou atendendo na loja juntamente com seu filho. Ela diz que as datas comemorativas, como dia dos pais, das mães e dos namorados, deu um fôlego financeiro para que a empresa se mantivesse em funcionamento.
Trabalhamos com foto-produtos e produtos personalizados, que foram bem procurados. Isto nos deu um fôlego financeiro, pois se dependêssemos apenas do movimento normal da loja, já teríamos fechado as portas.
Quando o estúdio iniciou suas atividades há mais de 10 anos, ainda não havia no mercado celulares habilitados para fazer fotos e filmagens, o que facilitava o trabalho dos profissionais da área. Naquela época, as pessoas ainda tinham o hábito de “revelar” as fotos, o que gerava uma boa renda para os empresários do setor. Um dos trabalhos que impulsionou a empresa foi a filmagem de cavalgadas. Havia domingos em que eram registrados cerca de 7 eventos do gênero, dos quais eram produzidos cerca de 100 DVD’s.
Já aconteceu várias vezes de chegarmos em casa, trocar de roupas, tomar um café e seguirmos para outro evento. Sentimos muita falta desta rotina do passado. 
A empresária acredita que, mesmo com as dificuldades financeiras, este não é o momento para a retomada dos eventos.
Neste momento não. Por mais que estejamos em dificuldades financeiras, agora é a hora de pensarmos em preservar a vida das pessoas para podermos comemorar bastante depois que tudo isto passar. 
Em 2019, a equipe do VideoFoto produziu o filme “Zé, a vida como ela é”, que foi sucesso de público nas comunidades onde passou. Neste ano, a equipe começou a gravar a continuação do filme, mas as gravações foram paralisadas por conta da pandemia.


Quem vive de música e eventos noturnos também enfrenta dificuldades

Marli Traple, vocalista do grupo Tema Trio Family, relata que o último evento animado por eles foi uma noite de Carnaval. Além disso, eventos como o “Mulheres de Sucesso” e o “Irati Moto Fest”, tiveram que ser cancelados. Para manter as finanças em dia, ela tem atuado com assessoria de imprensa e marketing para algumas empresas e entidades da cidade. Porém, nestas áreas o faturamento teve uma queda de cerca de 60%. Luiz Carlos Gomes do Vale, conhecido como “Tigrão”, esposo de Marli, trabalha com afinação e reformas de sanfonas e acordeons, o que tem ajudado a manter a renda familiar.
Os comerciantes também tiveram uma diminuição na sua renda mensal e acabaram cortando bastante a publicidade e a assessoria. O Tigrão tem se virado na reforma de sanfonas, afinando e restaurando acordeon, e ele tem trabalhado nesta área. Foi o jeito que a gente achou, o “Plano B” de se virar. Fizemos uma live com o Tema Trio Family em julho, na qual conseguimos alguns patrocinadores que nos ajudaram financeiramente. 
Marli também acredita que o retorno dos eventos neste momento não é  viável por conta da estrutura utilizada, que envolve alimentação, buffets e venda de bebidas alcoólicas. Ela afirma que, por conta da descontração do emocional, as pessoas podem se descuidar da higienização das mãos e do uso da máscara.
As pessoas não conseguirão participar do evento sendo monitoradas, e os organizadores não conseguirão organizar e controlar isto dentro do evento. Por exemplo, o Irati Moto Fest é um evento muito grande para você conseguir monitorar dentro das normas que são necessárias para evitar a contaminação pelo coronavírus. Na minha opinião, os eventos não vão voltar tão logo. Tenho a impressão que eles só vão recomeçar no ano que vem mesmo, e não acredito que voltem a acontecer ainda em 2020.
Como forma de auxiliar o setor de eventos, terminou na última sexta-feira, 21, o prazo para cadastro de artistas, empresas e espaços culturais locais se habilitarem ao auxílio da Lei Aldir Blanc, necessário para que o interessado se habilite como eventual beneficiário.  Em Irati, foram recebidas 80 fichas, sendo 50 para artistas e outras 30 para empresas e espaços culturais prejudicados pela pandemia. Através desta lei, o Governo Federal liberou R$ 446.336,00 para manutenção de espaços, empresas e instituições culturais não-vinculadas ao poder público. Este recurso deve financiar também editais criados pela Prefeitura e chamada públicas, produção de shows, espetáculos, oficinas e lives.

O Executivo municipal deverá aplicar 50% do repasse (R$ 223.168,00) para auxiliar micro e pequenas empresas promotoras de cultura. O CNPJ delas deve estar vinculado obrigatoriamente ao município, que deverá criar regras para distribuição proporcional ao porte de cada uma delas. O restante será destinado para chamamento público, contemplando artistas locais, duplas dos mais diversos formatos e diversidades culturais. O estúdio VideoFoto já está inscrito e aguarda resultado, assim como o Tema Trio Family e a empresa de Marli Traple. Ela opina que o auxílio vem em bom momento para os artistas.
Os artistas, cantores e músicos, todos os artistas do Brasil que trazem alegria e momentos bons para a vida das pessoas e acabam gerando renda através de eventos nos municípios e que hoje não estão conseguindo trabalhar, acho justo que tenham um auxílio emergencial. O comércio está conseguindo abrir aos poucos, de um jeito ou de outro, mas os eventos não estão acontecendo. Então, os artistas, neste momento, e todas as pessoas que trabalham com eventos têm o direito sim. Nada mais justo que o Governo Federal, Estadual e os próprios municípios que fazem o repasse deste dinheiro incentivarem aqueles artistas que não estão conseguindo trabalhar. 
Mais recursos devem ser repassados aos artistas pessoas físicas e informais pelo Governo Federal através do Governo do Estado. Neste caso, o cadastro pode ser feito até o dia 14 de setembro pelo site da Secretaria de Cultura do Paraná. A renda emergencial será concedida de forma retroativa ao dia 1º de junho. O valor será de R$ 600 mensais por artista. Mais informações pelo email duvidaslab@secc.pr.gov.br

Tema Trio Family durante uma de suas apresentações. Foto: Arquivo pessoal