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Suspensão do serviço de entregas delivery é debatida na câmara de Irati

Prazo de validade do decreto nº 196/2020, do Executivo municipal, que determinou fechamento total do comércio por dois finais de semana, termina na próxima terça-feira, 21

Foto: Assessoria Câmara
Paulo Henrique Sava

A suspensão do atendimento por entrega a domicílio (delivery) foi discutida durante a sessão da Câmara de Irati na última terça-feira, 14. O assunto entrou em pauta após uma manifestação de empresários e trabalhadores do setor na sexta-feira, 10. Na oportunidade, eles fizeram um buzinaço em frente à Prefeitura para protestar contra o decreto 196/2020, que restringiu o horário do comércio iratiense durante a semana e estabeleceu lockdown aos sábados e domingos.

Estabelecimentos que comercializam alimentos prontos para o consumo podem realizar entregas de segunda a sexta-feira até as 21 horas. Nos finais de semana, todos os estabelecimentos devem permanecer fechados, exceto farmácias e postos de combustíveis. O decreto tem validade até a próxima terça-feira, 21. A partir de quarta, 22, novas medidas devem ser adotadas.

O vereador Rogério Kuhn (PV) criticou o decreto, dizendo que Irati estaria indo na contramão de outros países ao limitar o trabalho dos entregadores, o que, segundo ele, forma a base da sociedade moderna. O parlamentar também criticou as pessoas que, nas palavras dele, promoveram aglomerações nos supermercados na sexta-feira anterior ao primeiro final de semana em que vigorou o decreto.
Houve muito tumulto de pessoas comprando, achando que o mundo vai acabar, mas é um direito delas. Ficou muito mais perigoso andar na cidade na sexta à tarde e contrair o vírus do que da maneira como estava antes. Os deliverys também tiveram problemas primeiro porque não estávamos esperando isto de imediato, e segundo porque a maneira correta de se evitar o trânsito de pessoas na cidade é alguém entregar na sua casa, sozinho, mantendo distância do portão. É um boa noite, assinar, passar o cartão e só. Ninguém se toca, não se aproxima muito, a entrega é colocada no portão e ele [entregador] se afasta por meio metro para que eu possa pegar”.
O vereador diz que teve dificuldade em interpretar a verdadeira intenção do Executivo ao decretar o lockdown e a forma como a decisão foi tomada.
Eu questiono sobre como esta ideia chegou à caneta do prefeito. Como ele foi induzido e quais são os motivos, pois nem os deliverys sabem explicar por que foram proibidos, a partir de determinado horário [21 horas], de fazer entregas, já que este é justamente o horário de concentração à noite de necessidades de farmácia e alimentação? Eu uso exclusivamente para alimentação e acredito que a maioria das pessoas também. Quando a gente não quer fazer uma janta, simplesmente telefona, facilita, agiliza e evita a ida ao mercado para exposição com outras pessoas. Fica o meu interesse em saber o motivo exato e o que alcançamos com a proibição e horário delimitado de funcionamento dos deliverys.
Marcelo Rodrigues (PSDB) afirma que compreende as dificuldades que todos estão enfrentando, uma vez que ele também é comerciante. No entanto, o vereador defendeu o decreto, dizendo que a administração pública, mesmo entendendo a situação da economia do município, optou pelo cuidado com a vida dos iratienses.
Eu entendo que todos, neste momento, estão enfrentando dificuldades. Nós temos um comércio em Engenheiro Gutierrez e, com este decreto, perdemos venda de produtos perecíveis, e todos estão deixando de vender e ter o seu ganha pão. Mas, no decreto, optou-se pela vida dos cidadãos iratienses. Quando se fala em vida, é cuidar das pessoas, dos cidadãos, dos filhos, porque se não é para ter movimento de pessoas nas ruas da cidade, para não haver contato, é todos, e infelizmente as pessoas do delivery foram penalizadas de uma certa forma. Todos estamos juntos neste barco.
 Rodrigues diz que o lockdown representou alguns dias a mais de descanso para funcionários do comércio em geral e uma oportunidade para eles evitarem contato com outras pessoas e ficarem em casa.
Temos que pensar que, para as pessoas que atendem nos mercados, é uma oportunidade para estarem em casa e evitarem o contato com pessoas que possam passar o vírus para eles, que estão praticamente todos os sábados atendendo. Com este decreto, estas pessoas tiveram a oportunidade de conversar com seus filhos e em um sábado estarem com suas famílias. Não podemos, de certa forma, fazer um alvoroço. É momento de união, de termos discernimento e de estarmos unidos em prol de Irati, da vida. 
José Bodnar, o Zequinha (PV), opina que o decreto poderia ter sido revisto já neste final de semana, pois acredita que as entregas em domicílio não trazem risco de contágio pelo coronavírus.
Eu acho que o prefeito poderia, já neste final de semana, rever esta questão para o pessoal atender no delivery sábado e domingo. Seria interessante esta questão, já que traz menos risco para a população.