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Registros de casos de violência doméstica diminuem em Irati durante isolamento

Cenário foi similar ao do estado, onde diminuíram os registros de casos, mas aumentou o número de feminicídio. Campanha está sendo realizada para ajudar mulheres a denunciar agressões durante o isolamento social
Advogada Tânia Marina Vicente Leite disse que houve redução no registro de casos de violência contra mulher durante pandemia de coronavírus. Foto: Rádio Najuá/Arquivo
O município de Irati registrou uma diminuição nos registros de casos de violência doméstica durante o período de isolamento social. “No município foi da mesma maneira que o Paraná, tivemos uma redução de 82 casos [registrados], no mesmo período do ano passado, para 64 casos [neste ano]”, explica a advogada Tânia Marina Vicente Leite.

O cenário é similar ao estadual. O Paraná registrou a redução de 19% dos casos de violência doméstica durante o isolamento social, em comparação ao ano passado, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública (SESP). Antes da pandemia houve um aumento de 8,5% dos casos entre janeiro e março.

Mesmo com a diminuição dos registros, houve aumento de 17,5% do feminicídio. Em 2019, houve registros de 40 casos, e o mesmo período em 2020, tiveram 47 casos.
Dificuldade da denúncia

Uma das explicações para a diminuição de registros é a dificuldade de fazer a denúncia. Diferente de outros registros policiais, a relação entre a vítima e agressor fazem com que as denúncias não sejam realizadas nas primeiras agressões e muitas mulheres acabam retirando as queixas com medo de prejudicar o parceiro.

Há ainda situações em que há violência psicológica que fazem com que as vítimas não denunciem por medo. “Tem todo um envolvimento familiar, tem filhos, ela tem receio de sair de casa, o próprio companheiro agressor traz o sustento da casa, então ela tem receio de sair, tudo isso acaba amedrontando ela”, conta Marina.

Com o isolamento, a dificuldade aumentou. 
Já rodeada pela dificuldade psicológica de se fazer uma denúncia, agora com o isolamento social ela está tendo mais dificuldades de fazer a denúncia, avalia a advogada.
Campanha

Por causa dessa dificuldade, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lançou uma campanha para que mulheres possam ter auxilio na denúncia. Na campanha, a mulher pode fazer um xis na palma da mão, com uma caneta ou um batom, e mostrar para um atendente em uma farmácia, que anotará também dados como nome e endereço.

“Usaram as farmácias o meio de fazer essas denúncias porque são o meio fácil da mulher ir. Ela precisa fazer na palma da mão dela um xis vermelho e mostrar para o atendente da farmácia. Esse atendente acionará imediatamente a Polícia Militar”, explica a advogada.

Redes nacionais de farmácias já estão participando da campanha. Mas outros estabelecimentos também podem participar. “Eu faço um apelo para farmácias da nossa cidade, de toda a região, que essa é uma campanha nacional, para que eles façam a adesão a essa campanha. Entre em contato com o Conselho Nacional de Justiça e façam essa adesão, então o conselho vai passar todas essas informações de como devem esses atendentes proceder”, disse Tânia.

Patrulha Maria da Penha

Uma das dificuldades na denúncia durante o isolamento social também é que os advogados voluntários da Patrulha Maria da Penha não podem acompanhar mais na Delegacia da Polícia Civil para a denúncia. No entanto, qualquer vítima pode receber orientações.
A mulher que ligar na Patrulha Maria da Penha aqui da nossa cidade e solicitar o atendimento do advogado voluntário, a Patrulha entrará em contato com o advogado plantonista e ele passará todas as informações para a vítima, afirma. Em caso de urgência, o advogado se deslocará até a delegacia para atender a vítima.
A Polícia Civil também disponibiliza o boletim on-line, para fazer a denúncia de Lesão corporal, Ameaça, Injúria, Calúnia e Difamação pela internet. O endereço é www.policiacivil.pr.gov.br/BO.

Como denunciar

Há ainda mais formas de realizar a denúncia. As denúncias podem ser feitas de forma anônima pelos telefones 180 (nível nacional) e 181 (nível estadual). Na Polícia Militar, a denúncia também é feita no telefone 190;

O município de Irati também possui a Patrulha Maria da Penha, feita com a Guarda Municipal. A denúncia é feita através dos telefones 3422-6117 ou pelo 153;

Outro modo é por meio do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), conforme o serviço de abordagem social para as mulheres em situação de violência, com atendimento 24 horas. Para fazer a denúncia o número é (42) 9-9117-5939.

O Ministério Público também pode receber as denúncias. Contudo, nos casos mais graves, como os de natureza sexual e tentativa de feminicídio – há necessidade de serem registrados presencialmente. A orientação também é que em caso de emergência deve-se ligar para o 190.