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Radialistas compartilham suas experiências com Covid-19

Adilson Arantes, 56 anos, e André Nogueira, 34 anos, testaram positivo para Covid-19. Adilson chegou a ficar internado por seis dias em uma UTI em Curitiba

Karin Franco, com reportagem de Paulo Sava e Rodrigo Zub


André Nogueira e Adilson Arantes tiveram coronavírus. Foto: Rádio Caiobá/Divulgação
“Sou fruto de um milagre hoje”. Essas foram as palavras do radialista Adilson Arantes, 56 anos, após passar seis dias em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em Curitiba lutando contra o coronavírus (Covid-19). Ele compartilhou sua experiência à rádio Najuá em uma entrevista realizada junto com seu colega na rádio Caiobá FM, o iratiense André Nogueira, de 34 anos, que também testou positivo para Covid-19.

Ouça a entrevista completa no fim do texto

Adilson é hipertenso, mas mantinha sua pressão controlada. Ele conta que seus primeiros sintomas foram similares a de outros já relatados. “Foi primeiro dores no corpo, aquela preguiça, cansaço, depois a febre que a cada seis horas ela vinha, depois a falta do olfato e paladar. Eu não sentia sabor de nada e não sentia cheiro de absolutamente nada”, conta.

Com os sintomas, ele chegou a procurar atendimento. Na ocasião, o radialista foi solicitado para que ficasse isolado por duas semanas. Ele recebeu medicamentos para os sintomas e foi orientado a voltar ao hospital se tivesse dificuldades para respirar. Não houve teste para Covid-19.



“Na segunda-feira de manhã, acordei direto para o hospital que fica próximo de casa, a 15 minutos. Quando cheguei no hospital, já sem ar, sem fazer muito esforço porque não tinha a mínima condição de andar direito, porque me faltava o ar. Já fui tratado como se tivesse o coronavírus, mesmo antes dos exames. Já me colocaram a máscara de respiração. Já me fizeram todos os exames e me levaram para o quarto imediatamente. Coisa de 15 minutos”, disse.

Adilson foi internado e chegou a ir à UTI, mas não foi entubado. Uma das razões, segundo ele, é a sua profissão, por ser radialista exercita o diafragma que foi importante na recuperação. “O diafragma conseguiu fazer o papel do pulmão, que não tinha praticamente”, contou.

Sem intubação, o radialista era o único acordado na UTI. Ele conta que um dia teve medo de que algo pior acontecesse. “Foram me virar para o banho, para a limpeza e na hora que foram me virar, pensando que estava tudo bem. Estava respirando com aquela máscara e não dava. Faltou ar. Uma simples virada de corpo, faltou o ar”, disse.

O tratamento inicial foi feito com Tamiflu, por causa da suspeita de H1N1. Com o teste positivo para Covid-19, Adilson iniciou um tratamento com cloroquina e hidroxicloroquina, além de anti-inflamatório e antibióticos.

Depois da alta, o radialista ainda levou mais 15 dias para voltar à ativa. Ele recebeu sessões de exercícios de fisioterapeuta para realizar de forma leve. Durante os 15 dias, ele recebeu mensagens via WhatsApp perguntando como estava e o monitorando sobre a saúde e exercícios.

Sintomas leves

O radialista iratiense André Nogueira também testou positivo para Covid-19. Ele contou sua experiência à Rádio Najuá logo no começo da pandemia, quando ainda não sabia se tinha sido infectado.

André conta que os sintomas apareceram de forma leve. “Tive todos os sintomas menos a falta de ar e não fui testado no momento que tinha sintomas, até porque isso aconteceu  praticamente junto com o Adilson, e naquela época não existia ainda os testes de laboratórios, não existia os testes de farmácia. O que tinha é o teste que o Lacen [Laboratório Central do Estado do Paraná] fazia e o encaminhamento era muito seletivo porque não tinha disponível, até na rede particular, se quisesse. Como não tinha falta de ar, acabei não fazendo o teste, ficando em casa isolado”, conta.

O iratiense diz que não chegou a desenvolver sintomas mais graves, apenas muita indisposição e febre de seis em seis horas. Com a perda do paladar, ele também teve perda de apetite.

André ficou isolado durante 14 dias, enquanto sua esposa estava na casa dos pais.

Resultado do teste realizado por André Nogueira. Foto: Divulgação
Retorno

A equipe de radialistas chegou a realizar 60 dias de home-office, fazendo gravações de casa. Após esse período, o retorno das atividades foi realizado aos poucos. “O retorno foi gradual, foi em consenso. Ninguém obrigado a fazer um retorno”, afirma André.

Com o retorno, os funcionários foram testados. Dos quatro apresentadores de um programa que André e Adilson participam, apenas um não testou positivo para Covid-19.

Setores como Marketing e Administrativo ainda estão em trabalhando em casa. A rádio também adotou uma política de higiene rígida, com a limpeza e higienização dos estúdios entre os horários de troca de programa, além de disponibilização de álcool em gel e demais medidas de segurança.

Para os radialistas, mais do que o trabalho para retorno, o que os preocupa são as pessoas que ainda não se conscientizaram. “É incrível como as pessoas não conseguem enxergar. Leem e não conseguem entender. Escutam e não conseguem entender o que escutam. Vendo na televisão todo o dia e não conseguem enxergar o que estão vendo”, disse Adilson.

Acompanhe a entrevista completa