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Projeto Cuida Bem usa as redes sociais para levar orientações aos pais de recém-nascidos

Orientações sobre desenvolvimento infantil, amamentação e síndrome do bebê sacudido são oferecidos no Instagram e Facebook. Atendimento presencial está interrompido por causa da pandemia
Professoras e alunas que participam do projeto Cuida Bem. Foto: Divulgação
O projeto Cuida Bem, da Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná (Unicentro), está desde 2018 fornecendo orientações gratuitas às mães, pais ou cuidadores de recém-nascidos em seus primeiros 40 dias. Contudo, a pandemia do coronavírus mudou a forma de orientação, levando para as redes sociais as informações necessárias para os primeiros dias do bebê.

Confira o vídeo da entrevista com a professora Cristina no programa "Espaço Cidadão" no fim do texto
Antes da pandemia, o projeto funcionava junto à Clínica Escola da Unicentro de Irati. Enquanto os pais e os bebês esperavam para realizar o Teste da Orelhinha, alunos do projeto de extensão Cuida Bem orientavam os pais sobre assuntos como desenvolvimento infantil, amamentação e síndrome do bebê sacudido. A equipe também realizava rodas de conversas, onde os pais levavam as dúvidas que possuíam nos cuidados com o bebê.

Em virtude da pandemia, os trabalhos na Unicentro foram interrompidos. Para que não ficassem sem as orientações, a equipe do projeto decidiu repassar as informações nas redes sociais.

A fonoaudióloga e professora da Unicentro, Cristina Fujinaga, lamenta a falta de contato presencial com os pais, que interagiam tirando as dúvidas. Porém, com o compartilhamento de informações na internet, o projeto conseguiu atingir um público maior.
“No Instagram e no Facebook o que percebemos é que ao invés de atingir apenas esse público, atingimos um público maior. Tanto é que tem outras pessoas seguindo o nosso perfil, elas repostam as nossas orientações, procuramos expandir um pouco mais os nossos temas de perguntas que às vezes os pais tem e não tem para quem perguntar”, conta.

Além do atendimento nas redes sociais, os integrantes do projeto também têm preparado vídeos com diversas informações como a amamentação. A página da Santa Casa de Irati também está compartilhando os vídeos.

As informações podem ser conferidas no perfil do Instagram ou do Facebook.
Teste da orelhinha
Sem a possibilidade de realizar o teste da orelhinha, a equipe da Unicentro juntamente com a 4ª Regional de Saúde tem tentado encontrar novas formas de atendimento. Em Irati, o teste é realizado pela Santa Casa e também em clínicas particulares.
Amamentação
Uma das orientações repassadas pelas redes sociais é sobre a amamentação. Vídeos explicam dúvidas sobre a questão. Um dos vídeos, por exemplo, mostra como pode ser feito o trabalho de preparação para amamentação. A professora explica que muitas mulheres acreditam que não podem dar leite por causa do formato do bico do seio, mas que isso pode ser ajudado com uma preparação.

“Independentemente do tipo de bico, toda mulher consegue amamentar porque o bebê tem que pegar justamente nesta partezinha chamada aréola”, relata Cristina.

Outra questão é em relação ao bebê que não consegue ser amamentado, seja pela pega incorreta ou porque a mãe diz que não há produção de leite. A professora explica que muitas vezes o que ocorre é que por causa da quantidade de leite, o bebê não consegue encaixar a boca de maneira correta no seio da mãe.

“O bebê não consegue tirar todo aquele leite que é produzido, a mama vai ficando muito cheia, vai ficando cada vez mais difícil para esse bebê pegar. É como se fosse uma bexiga que está muito cheia, e o bebê não consegue pegar naquela pontinha, não consegue pegar justamente na aréola. Como o bebê não consegue fazer a pega correta, a mama da mamãe vai ficando cada vez mais cheia e o bebê tem dificuldade de tirar o leite”, disse.

Nesse caso, o ideal é ajudar o bebê tirando um pouco do leite antes da amamentação ou deixando o bico da aréola mais macio.
Síndrome do bebê sacudido
Outro assunto discutido no projeto é síndrome do bebê sacudido, que é algo ainda muito desconhecido pelas pessoas. “Quando você sem querer ou intencionalmente, fazer um movimento de chicote na cabeça do neném, isso pode provocar a síndrome do bebê sacudido que é como se fosse dentro do cérebro, dentro da caixa óssea, o cérebro chacoalhasse e provoque lesões. Podem ser lesões bem pequenas ou até maiores, e que podem ser prevenidas”, disse.
Sobre o projeto Cuida Bem
O projeto de extensão Cuida Bem nasceu em 2015, aliado a uma pesquisa orientada pela professora Ana Priscila do Departamento de Psicologia da Unicentro. A pesquisa buscou avaliar o impacto das orientações breves realizadas pelo projeto para mães e cuidadores. Os resultados da pesquisa chamaram atenção para a importância de oferecer orientação de qualidade aos pais, principalmente sobre a síndrome do bebê sacudido.

Com isso, uma equipe passou a atuar junto ao Teste da Orelhinha feito na Clínica Escola da Unicentro de Irati. Enquanto esperam, os cuidadores recebem orientações sobre desenvolvimento infantil, amamentação e síndrome do bebê sacudido. A equipe é formada por alunos dos cursos de fonoaudiologia e psicologia da Unicentro e supervisionados por professoras dos mesmos cursos.
Participam das orientações puérperas, ou seja, as mulheres e suas famílias nos primeiros dias de vida do bebê, em torno dos primeiros 40 dias. O projeto atinge bebês nascidos nos nove municípios da 4ª Regional de Saúde (Irati e região).

Texto de Karin Franco, com reportagem de Juarez Oliveira