notícias

Policiais são presos por organização criminosa e violação de sigilo funcional

Segundo Delegado Paulo César Eugênio Ribeiro, policiais presos estariam fornecendo informações sigilosas para pessoas que articulavam a morte de agentes de segurança pública, que participaram de um confronto armado que resultou na morte de sete pessoas em Prudentópolis
Dois mandados de prisão temporária e seis de busca e apreensão foram cumpridos na manhã desta terça-feira, 28. Foto: Polícia Civil/Divulgação
A Polícia Civil de Irati deflagrou uma operação com o objetivo de cumprir dois mandados de prisão temporária e seis de busca e apreensão na manhã de hoje, 28. Na ocasião, dois policiais militares foram detidos, sendo um deles que atua na 8ª Cia e outro no 27º Batalhão da Polícia Militar em União da Vitória.

Em nota, a 8ª Cia ressalta que a corporação já estava acompanhando os dois policiais há algum tempo em função de denúncias recebidas de que eles estariam envolvidos em atos criminosos na região. “Recentemente, os nomes desses policiais militares também surgiram durante uma investigação da Polícia Civil, e de pronto, a Polícia Militar auxiliou, a todo momento, nas investigações que se seguiram. Com a determinação da prisão dos policiais militares, pela Justiça, a Polícia Militar do Paraná, por meio de policiais militares da cidade de Ponta Grossa, cumpriu o mandado na data de hoje, e os policiais militares presos ficarão à disposição do Poder Judiciário”, diz um trecho da nota.

A 8ª Cia e o 4º Comando Regional da Polícia Militar ainda ressaltam que “defendem veementemente os valores morais e legais por parte dos seus policiais militares, e qualquer conduta duvidosa que atente contra a honra e os princípios da Polícia Militar, Instituição sesquicentenária do Estado, não será tolerada e deve ser apurada”.
O Delegado Paulo César Eugênio Ribeiro relata que a operação foi deflagrada a partir de uma determinação da Vara Criminal de Irati. “Esses mandados de prisão temporária tinham como objeto a prisão de dois policiais militares da região pelo envolvimento em organização criminosa e violação de sigilo funcional. As investigações iniciaram a partir da primeira fase da operação em que alguns policiais militares estavam sendo ameaçados por terceiros. Diante disso, a gente conseguiu colher informações e elementos de prova que ligassem a esses terceiros outros policiais militares que foram alvos da operação de hoje. Em razão disso foi pedido a prisão temporária deles e eles encontram-se hoje à disposição do inquérito policial, da justiça, e foram encaminhados a Polícia Militar para cumprimento desse mandado de prisão temporária. Ainda como resultados dessa operação, nós tivemos apreensão de celulares, notebooks e pen drives, os quais serão periciados e poderão culminar na deflagração de outra operação nos mesmos termos”, afirma o Delegado.

Segundo o Delegado, os policiais presos estariam fornecendo informações sigilosas para pessoas que articulavam a morte de agentes de segurança pública, que participaram de um confronto armado que resultou na morte de sete pessoas na localidade de Tijuco Preto, em Prudentópolis, na madrugada do dia 30 de abril.  “A partir dessa data esses policiais militares que participaram do confronto estariam sendo ameaçados. Diante disso, a gente iniciou essas investigações visando identificar quem estaria ameaçando e articulando a morte dos policiais militares que participaram do confronto. Nisso, nós conseguimos identificar o envolvimento de dois policiais militares no fornecimento de informações como dados pessoais desses policiais que participaram do confronto, dados de boletins de ocorrência e operações. Tudo isso daí foi juntado no inquérito policial e foi solicitada a prisão temporária deles”, disse Ribeiro.

Em um vídeo postado no grupo de divulgação de ocorrências da 8ª Cia no WhatsApp, o Comandante, Major Flávio Vicente Ferraz, afirmou que os policiais foram presos e encaminhados para a Delegacia de Polícia Civil, onde prestaram esclarecimentos sobre as acusações que foram apresentadas. “Posteriormente foram encaminhados para uma unidade militar, onde permanecerão à disposição do poder judiciário. A PM ainda esclarece que eventuais desvios de condutas não são tolerados pela PM e serão apurados tendo sempre por base o princípio do contraditório e da ampla defesa. Mas no decorrer do processo se ficarem evidenciados que houve o cometimento de algum tipo de ilícito, os policiais militares serão responsabilizados na medida das suas responsabilidades”, relatou o Major.

“A 8ª Cia foi avisada das investigações e tomou todas as providências de âmbito administrativo, bem como contribuindo com as investigações. Importante ressaltar a integridade e comprometimento da Polícia Militar na colaboração das investigações, bem como a postura séria e de não compactação de crimes por seus integrantes”, informou a Polícia Civil, em nota.

A primeira fase da operação realizada no dia 16 de junho teve participação de equipes da Polícia Civil e Militar dos municípios de Irati, Imbituva, Ponta Grossa e Guarapuava e também de uma aeronave do Batalhão de Polícia Militar de Operações Aéreas (BPMOA). Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil no dia da operação, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em Irati.

Foram apreendidos sete celulares, uma espingarda, munições de calibres 38 e 357 e simulacros de arma de fogo. Ainda conforme a Polícia Civil, uma pessoa foi presa por posse ilegal de arma de fogo.

Em entrevista à imprensa no dia 30 de abril quando ocorreu o confronto armado, o Comandante do 16º BPM, Major Cristiano Moskaleski Cubas de Lima, ressaltou que os policiais realizaram bloqueios em alguns pontos de saída de Prudentópolis depois de receberem informações sobre roubos ocorridos em duas cerâmicas no município. Um dos crimes ocorreu em um estabelecimento na localidade de Rio  D’ Areia, nas margens da BR-277, em um local próximo ao trevo de acesso ao município. Equipes da 4ª Cia, 8ª Cia e 16º BPM participaram do cerco. “Num determinado ponto desse cerco, uma [caminhonete] Amarok ao tentar ser abordada pela equipe policial durante a madrugada efetuou disparos contra a PM acertando na viatura da PM de Irati. Eles acabaram trocando tiros com os policiais, estes identificados como os causadores de vários roubos ocorridos na nossa região durante a madrugada. Consequentemente os nossos policiais militares no intuito de se protegerem acabaram realizando os disparos, disparos esses que após ocorrido o confronto, identificado a situação, nós pudemos ver que se tratava realmente das pessoas suspeitas dos crimes e essas pessoas estavam portando todo esse material [armas] calibre 12, pistola nove milímetros, coletes balísticos e junto a eles foram encontrados vários objetos dos roubos ocorridos nesta madrugada em Prudentópolis. Foi apreendida uma grande quantia em dinheiro, motosserras, botijões de gás, carne roubada das casas, enfim, foi um grande trabalho da PM, num bloqueio, que resultou nessas apreensões e todos esses materiais que estão sendo retirados de circulação”, afirmou o Major, na ocasião.

Além dos objetos citados, os bandidos ainda roubaram duas armas e estavam com elas no momento da troca de tiros com os policiais. Em um dos locais, os assaltantes roubaram uma grande quantidade de dinheiro. Segundo Cubas, os autores dos crimes foram os sete ocupantes da caminhonete.

Na oportunidade, os policiais apreenderam oito armas que estavam em poder dos assaltantes (três espingardas de calibre 12, três pistolas nove milímetros e dois revólveres calibres 32 e 38). Além disso, eles estavam com três coletes balísticos, 143 munições de calibres variados, quatro facas, dois explosivos de gás e oito celulares. Conforme levantamento da 4ª Cia da PM foram recuperados R$ 14.260,35, 187 pesos argentinos, quatro celulares, 11 brincos, quatro anéis, dois relógios, uma caixa de som, duas botas, quatro motosserras, uma roçadeira, um notebook e 20 kg de carne.
Policiais apreenderam celulares, notebooks e outros aparelhos eletrônicos. Foto: Polícia Civil/Divulgação