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Para empresário, aquecimento na construção civil é consequência de contratos antigos

Empresário iratiense comenta como estão os setores da construção civil e hotelaria durante a pandemia do coronavírus
Antônio Ferreira dos Santos Filho, o "Tuco", proprietário da empresa Engeprocons e do Hotel Solievo. Foto Najuá
Karin Franco, com reportagem de Jussara Harmuch
Lojas de materiais de construção civil na região Centro-Sul tem visto um aumento das vendas, mesmo em uma crise gerada pela pandemia do coronavírus. Em entrevista à Rádio Najuá, o empresário Antônio Ferreira dos Santos Filho, o "Tuco", proprietário da empresa Engeprocons, diz que acredita que este aumento é consequência de negócios já firmados.
Talvez tenha venda de materiais porque tem obras terminando. Mas nós temos que pensar daqui para frente, disse.
Tuco explica que em sua própria empresa, grande parte das vendas realizadas atualmente são de acordos firmados no fim do ano passado, quando o setor começava se reerguer. Ele lembra que esse aquecimento no setor se refletiu até o começo de 2020. “Tínhamos perto de 140 funcionários na crise de 2015 a 2019. Nós reduzimos pela metade, estávamos mais ou menos com 70 funcionários. No meio de 2019 até esse ano eu aumentei mais 30%. Nós chegamos a cento e pouco funcionários”, contou.

O empresário conta que a pandemia do coronavírus interrompeu uma trajetória de crescimento. Segundo ele, isso aconteceu em um momento delicado, já que o aquecimento do mercado no ano passado motivou muitos empresários a reinvestirem, adquirindo até crédito, com a esperança de retorno neste ano. “Esse crescimento ocasionou que a maioria das empresas estavam com déficit, até meio de 2019, muito grande e reiniciou a parte da construção civil no Brasil. O que aconteceu? A maioria das empresas foram atrás de crédito para seu capital de giro em meados de 2019 até começo de janeiro desse ano”, explica.
A pandemia prejudicou os planos deixando muitas empresas com dívidas. “Muitas empresas estavam devendo para bancos”, disse Tuco. Por isso, ele acredita que é preciso olhar para os próximos meses, quando os contratos das indústrias estiverem terminando. Nesta recuperação, um crescimento rápido do setor pode ser até prejudicial, trazendo inflação. Para ele, é preciso investimento em infraestrutura para que o setor não tenha mais prejuízos.
Nós não temos condições de fazer isso, uma recuperação imediata. Tem que haver recursos do governo em relação a equipamentos para haver uma produção maior, relata.
Distrito industrial

A falta de infraestrutura no Distrito Industrial de Irati também foi apontada pelo empresário. De acordo com ele, a dificuldade de acesso, sem uma rua asfaltada, prejudica a região que não consegue atrair grandes negócios. Outra dificuldade é a BR-153 que ainda é muito perigosa. O empresário destaca que os poderes precisam investir em infraestrutura para ter crescimento.
O governo tem que cuidar da infraestrutura do País e a prefeitura tem que cuidar da infraestrutura do Distrito Industrial. É importante para que tenhamos empresas boas aqui, disse.
Hotelaria
Com a pandemia do coronavírus, a hotelaria também foi afetada. Em Irati, a maioria dos hospedes tendem a ser pessoas em viagens à negócios, já que não há um forte turismo.

Tuco, que também é proprietário do Hotel Solievo, conta que para que o hotel seja custeado é preciso 40% de ocupação de quartos. No ano passado, houve crescimento com a ocupação chegando a 57%. Mas neste ano, foi possível observar já em fevereiro a diminuição lenta da ocupação.
O pior da crise foi em abril com 13% de ocupação. Nós não fechamos em respeito aos nossos hóspedes, porque tinham alguns que vinham, relatou.

Desde maio, a ocupação está crescendo lentamente, saindo de 21% para 27% em junho. Para o empresário, julho pode fechar com 35% de ocupação. Ele chegou a oferecer quartos para médicos e profissionais da Saúde, inclusive sem custo. Agora pensa em se voltar para as pessoas de fora que voltam para a cidade. A ideia é oferecer os quartos como uma forma de evitar a aglomeração nas casas de familiares.