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Setores econômicos de Irati sofrem queda durante a pandemia, mas conseguem se renovar

Pesquisa mostra que houve 39% de queda no faturamento e que 66% das empresas de Irati implementaram um plano de atendimento diferenciado ou um novo formato de produto/serviço durante a pandemia

Karin Franco, com reportagem de Jussara Harmuch


Foto: Rádio Najuá/Arquivo
Uma pesquisa revelou os impactos da pandemia do coronavírus (Covid-19) na economia de Irati. Os dados mostram que houve queda no faturamento, porém, muitos negócios também conseguiram encontrar meios para oferecer um atendimento diferenciado.

A pesquisa, encomendada pela Associação Comercial e Empresarial de Irati (ACIAI), em parceria com o Sebrae, prefeitura de Irati e o Núcleo de Economia Regional e Políticas Públicas (NEREPP) da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), foi aplicada na primeira quinzena de junho e também traz dados sobre empregos, acesso às medidas econômicas e o que os empresários esperam do futuro. Foram pesquisados 162 estabelecimentos dentre os principais tipos de segmentos. A área do comércio varejista foi a que mais respondeu a pesquisa, correspondendo a 38%, seguida por outros serviços (com 17%).
 
Faturamento

As empresas iratienses tiveram, em média, 39% de perda no faturamento no período em que se teve a restrição da abertura das atividades no município de Irati. Do total, a maioria (31,2%) teve perdas de 40% ou mais de queda do seu faturamento nesse período.

A pesquisa também revelou os impactos entre empresas consideradas não essenciais e essenciais. O estudo revela que nos serviços não essenciais a perda foi de 42%. Já nos serviços essenciais, houve queda de faturamento, mas menor (35%).


Quando se olha para o tamanho das empresas, a queda de faturamento é diferente. Empresas menores tiveram maiores quedas de faturamento do que empresas maiores.

Entre os pequenos, a queda foi maior entre os microempreendedores individuais (MEI) com a perda de mais da metade de seu faturamento (52%). Para microempresas, a queda foi de 43% do faturamento e para empresas de pequeno porte, 36%.

Nas empresas médias, a perda de faturamento correspondeu a 22% e para as grandes empresas, 11%.

Gráfico mostra faturamento das empresas durante pandemia de Covid-19.  Foto: Divulgação
Setores afetados

As áreas mais atingidas foram as de transporte de pessoas, evento e Turismo/Hotelaria/Atrativos, com quedas de mais de 80% do seu faturamento.

As menos afetadas foram as áreas de agronegócio, indústria e comércio atacadista. 75% dos estabelecimentos do agronegócio mantiveram suas receitas. Outros 29% dos estabelecimentos da indústria e 25% dos estabelecimentos do comércio atacadista também conseguiram manter os negócios.

Já nos estabelecimentos da Gastronomia, como Bares e Restaurantes, 11% conseguiram elevar suas receitas. No comércio varejista, também houve aumento, mas menor de 3%.

Esse gráfico mostra quanto tempo empresários podem se manter em atividade com medidas de isolamento social. Foto: Divulgação
Sobrevivência

A pesquisa também procurou saber se os empresários conseguem manter seus negócios ativos, caso continue a pandemia e as medidas de isolamento social, e eles tenham que se manter fechados.
Das empresas, 18,9% não conseguem mais manter seu negócio fechado. Outros 22% conseguiriam manter apenas por dois ou três meses. 12,6% conseguiriam manter apenas por um mês.

Para ajudar na sobrevivência das empresas, medidas econômicas do governo Federal e Estadual foram anunciadas nos últimos meses. Contudo, a pesquisa demonstra que quanto menor é a empresa, há mais desconhecimento e acesso às medidas. No caso dos microempreendedores individuais (MEIs), 79% dos estabelecimentos não acessou nenhuma medida. Já nas empresas de grande porte, 100% dos estabelecimentos acessaram pelo menos uma ajuda.

37% dos empresários pesquisados implementou uma nova forma de atendimento aos clientes. Foto: Divulgação
Empregos

No desemprego, 36% dos estabelecimentos demitiram funcionários. As mais atingidas novamente foram as empresas de pequeno porte, onde 66% tiveram que demitir funcionários, e nos microempreendedores individuais (MEI), onde 45% tiveram demissões.

As maiores demissões foram em setores de Turismo/Hotelaria/Atrativos, eventos, comunicação e educação. Já áreas do agronegócio, transporte de cargas, Assessoria e Consultoria/Contabil/ADM e beleza/estética chegaram a registrar estabelecimentos que não tiveram nenhuma queda de postos de trabalho.

32,9% dos entrevistados teve prejuízo durante a pandemia. Foto: Divulgação
Reabertura

A reabertura econômica ainda não trouxe fortes efeitos para os setores econômicos. Para 33% dos estabelecimentos houve prejuízo na reabertura. Outros 12% não tiveram nenhum faturamento após a abertura das atividades no município, faturando o mesmo que com as medidas restritivas.

Quem conseguiu recuperar o faturamento total antes da pandemia somam 7%. Apenas 5,7% tiveram aumento do faturamento regular de até ou mais de 40%. Outros 1,9% aumentou 20% do faturamento regular.

Pesquisa também avaliou perspectiva dos empresários quanto ao futuro do seu negócio. Foto: Divulgação
Novas oportunidades

Mesmo com as dificuldades, os setores da economia tentaram sobreviver encontrando novas maneiras de oferecer serviços e até ofertando novos produtos.

Na pesquisa, 66% disseram que tiveram um plano de atendimento diferenciado ou novos produtos e serviços, mesmo que seja parcialmente. Desse valor, 37% mudaram totalmente o negócio e outros 29% ofereceram de modo parcial.

A venda online foi uma opção para 44% dos empresários. Desse, 100% dos que elevaram a receita nesse período fizeram vendas online, enquanto que dentre aqueles que tiveram queda do seu faturamento em 100%, nenhum tomou essa medida.

Futuro

A pesquisa questionou os empresários sobre o grau de esperança para o futuro do seu negócio. A maioria dos empresários estão otimistas apesar da pandemia.

A resposta foi medida em uma escala de 1, sendo o menor grau, e 10, o maior grau. Para 32,5% dos empresários o grau de esperança está em 10, outros 24,5% atribuem um grau de esperança 8.

Questionado acerca do seu negócio, a maioria apresentou uma expectativa razoável sobre o cenário futuro, o que indica acreditar no seu negócio e na sua área de atuação.

Percebe que, na média, aqueles que estão mais confiantes no seu negócio são os que conseguiram melhor desempenho durante o período medidas restritivas.

O ponto negativo é que existem alguns estabelecimentos (4%) que tem uma avaliação baixa quanto à percepção do seu sustento futuro, sendo fundamentalmente aqueles que tiveram as maiores quedas do seu faturamento.

A ampla maioria acredita no potencial da sua cidade/região (nota acima de 5), vendo nesse espaço a oportunidade para o seu negócio.