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Familiares de bebê que contraiu Covid-19 testam negativo para a doença

Exames realizados pelo LACEN comprovaram que familiares não contraíram o vírus

Foto: Ilustração
Paulo Henrique Sava

Familiares do bebê iratiense de 01 ano que contraiu o coronavírus e já se recuperou testaram negativo para a doença. A informação foi confirmada nesta segunda-feira, 08, pelo coordenador da sala de situação da Covid-19, Agostinho Basso. Exames realizados pelo Laboratório Central do Paraná (LACEN) comprovaram que não houve contaminação dos parentes da criança.

Logo após o diagnóstico do bebê, foram feitas duas coletas de material do nariz e da garganta dos pais e familiares que residem com ela. O procedimento foi realizado porque acreditava-se que, entre a primeira e a segunda amostras, a família pudesse estar na chamada “janela imunológica”, que é o tempo entre o contato com o vírus e o aparecimento dos sintomas. Em ambas, o resultado foi negativo para todos os testes.

Agostinho acredita que os pais ou familiares tenham levado o vírus para casa em suas próprias roupas, nas mãos ou no rosto. Através do contato, eles podem ter transmitido a doença para a criança. No entanto, conforme o enfermeiro, não é possível afirmar se foi esta a causa da contaminação.
Podem ter acontecido muitas situações, mas uma delas é que a mãe, o pai ou algum familiar possa ter trazido o vírus nas suas roupas por exemplo, na altura do ombro, ou mesmo no rosto, sem entrar em contato com a boca ou o nariz do pai e da mãe, mas esta criança pode muito bem ter tocado esta parte do corpo ou mesmo a roupa. Quando você pega uma criança no colo, ela vai primeiro com a boca no seu ombro, no rosto, na testa, no cabelo, e pode ter sido esta uma fonte de contaminação. 
Além disso, a criança pode ter tocado em outros objetos, como caneta, carteira, celular, em qualquer superfície ou mesmo nas mãos de um adulto portador do coronavírus. “São muitas possibilidades, não tem como saber como esta criança chegou a tocar nas suas narinas ou na mucosa da boca com o vírus, mas o fato é que tocou. Quem a contaminou, não se sabe”.

Agostinho diz que não é possível apontar um culpado pelo fato de a criança ter contraído Covid-19. Segundo ele, por conta do contágio do bebê, a família vem sofrendo diversos tipos de ataques nas redes sociais.
É possível que isto aconteça, e não existe culpabilidade. A família está sofrendo muito até por ataques injustos e completamente preconceituosos no Facebook e nas mídias (sociais). Chegaram a postar uma foto da família marcando quem eram (as pessoas). Isto é horroroso e abominável porque todos nós, mais cedo ou mais tarde, iremos entrar em contato com o vírus. Todos seremos contaminados. O que pedimos é que, se Deus quiser, ninguém fique doente, e aqueles que ficarem que não se agravem a ponto de ir para uma UTI. A gente ainda não sabe de que forma vaza este tipo de informação, o que acaba fazendo um desserviço para a comunidade e principalmente para a família.
Na internet, muitas pessoas questionam o fato de não haver divulgação dos bairros ou localidades de residência e nem de outros detalhes a respeito dos pacientes. Agostinho argumenta que existe um protocolo com orientações sobre a omissão destas informações.
O próprio protocolo diz que não é bom contar quem é e onde está (o paciente). É claro que, se houver muitos surtos naquele bairro, vamos fazer todas as medidas possíveis de controle, mas não tem tratamento. Nós e a comunidade temos que nos precaver, fazer todo o possível para não entrarmos em contato com o vírus. Existe uma curiosidade tão grande em querer saber quem é, mas eu tenho certeza de que não é nem tanto para medidas de proteção, mas muito mais uma curiosidade ou até para agir com um certo preconceito mesmo.
O enfermeiro ressalta que, se forem tomadas as medidas de proteção (uso de máscara, álcool gel e o distanciamento social, entre outras), as pessoas não precisarão saber quem foi contaminado.
Pode ser seu irmão, seu vizinho ou outra pessoa próxima. Já pensou se nós, que trabalhamos na área da saúde, dependêssemos de saber quem é (que está com coronavírus) para nos cuidarmos? Já imaginou se o pessoal do supermercado precisasse saber quem está com Covid-19 para usar a máscara, a proteção e o acrílico? Temos que tratar todos como possíveis casos para que todo mundo se sinta protegido. Nós, da Saúde, estamos seguindo protocolos: não estamos escondendo nada nem impedindo que ninguém saiba, mas simplesmente não é necessário saber quem é, e sim os cuidados.
Agostinho comenta que ainda não é possível entender qual a dinâmica de desenvolvimento do vírus.
Ele não tem se comportado como os outros vírus que conhecemos, por isto não tem tratamento e estamos esperando uma vacina. A cada dia surge uma novidade sobre ele. 

Como os testes rápidos detectaram contato de jovem com coronavírus

A secretária de saúde, Jussara Aparecida Kublinski Hassen, falou sobre o caso da jovem que teve sintomas do coronavírus em abril, o que foi confirmado no sábado, 06, através da realização de um teste rápido. Ela é uma das 140 pessoas que tiveram casos descartados por critério clínico-epidemiológico, de acordo com protocolo estabelecido pela Secretaria Estadual de Saúde (SESA) no início da pandemia.
O protocolo era de dois sintomas e febre, além da falta de ar. Estes sintomas ela não tinha na época e o caso foi descartado. Hoje, com o novo protocolo, que estabelece a febre e mais um sintoma, estão sendo feitos todos os exames PCR. Como nestes casos que foram descartados ficou uma dúvida se tinham ou não (coronavírus), nós estamos chamando todos para fazer o teste rápido, para verificarmos, através dos anticorpos, se eles tiveram ou não Covid-19 na época em que foram descartados. 
Os anticorpos que o organismo da jovem produziu comprovaram que ela teve contato com o coronavírus. Jussara garantiu que, após o período de quarentena, o paciente não transmitirá mais a doença. Entretanto, ainda não há nenhum estudo que confirme se, de fato, não existe possibilidade de uma nova contaminação.
Este vírus, para nós, é muito novo. Nós não sabemos se (a pessoa) pode vir a pegar de novo ou não. Cremos que não pegue mais, que esteja imune, mas não podemos afirmar nada ainda.