notícias

Estado prorroga prazo para atualização de rebanhos até outubro

Ação faz parte do projeto de tornar o Paraná reconhecido internacionalmente como livre de febre aftosa sem vacinação

Karin Franco, com reportagem de Paulo Sava


Profissionais da ADAPAR realizaram sorologia dos animais em Mallet no dia 20 de maio. Foto: ADAPAR/Divulgação
Foi prorrogado o prazo para que produtores atualizem as informações dos rebanhos à Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar). Os produtores tem até o dia 31 de outubro de 2020 para realizar a atualização. Esta etapa substitui a campanha de vacinação contra a febre aftosa, normalmente realizada em duas etapas nos meses de maio e novembro. A vacinação não é mais feita.
O produtor tem três maneiras para realizar a atualização. A primeira forma é online através do site da Adapar, no endereço www.produtor.adapar.pr.gov.br. É preciso clicar na opção “Atualização de Rebanho” e seguir as instruções.

Outra forma é cada produtor enviar por WhatsApp o comprovante de atualização preenchido. O comprovante pode ser retirado nos pontos indicados e levado para casa, onde o produtor irá preencher.


Os produtores de leite já estão recebendo o comprovante pelo caminhão dos laticínios. Os demais produtores podem buscar nos pontos em Irati: Nutricial, Busatto, Frísia, CentroSul, Agroperfect, Agrogil, Cooperativa Bom Jesus, Lactoirati e no Bar e Armazém Neumann, no Pirapó. Em Inácio Martins, o comprovante pode ser encontrado nas lojas veterinárias do município.

A médica veterinária da Adapar, Cristina Barra do Amaral Bittencourt, alerta que é preciso cuidado ao preencher o comprovante que deverá conter as informações de todo o rebanho, além de ter a data de preenchimento e assinatura.

“São animais de 0 a 12 meses, de 13 a 24 meses, de 25 a 36 meses e com mais de 36 meses. E dentro da categoria de idade tem que dividir entre machos e fêmeas. É preciso que seja bem fiel à realidade”, alerta.

Produtores devem informar animais existentes no rebanho durante campanha de atualização, que foi estendida até 31 de outubro. Foto: ADAPAR/Divulgação
O produtor deve colocar informações novas. “Não é simplesmente copiar o comprovante da campanha passada porque terá animais que nasceram e que morreram”, disse.

Após o preenchimento, é preciso tirar uma foto do comprovante e enviá-la para o número 3421-3504.
Há também a possibilidade de ser presencialmente, porém será feito somente após o fim da pandemia, para evitar aglomeração.

De acordo com a médica veterinária, a atualização colaborará para que o estado seja livre de febre aftosa sem vacinação.

“Com esta conquista de ter parado de vacinar, é muito importante aumentar a vigilância para a ocorrência da doença e bem como de termos o trânsito animal totalmente controlado porque qualquer suspeita ou confirmação tem que ser imediatamente sanada para não colocar em risco toda a sanidade do rebanho paranaense”, explica.

Livre de Febre Aftosa Sem Vacinação

No ano passado, o Paraná foi reconhecido nacionalmente pelo Ministério da Agricultura como um estado livre de febre aftosa sem vacinação. O reconhecimento foi realizado após quase 20 anos de trabalhos com campanhas de vacinação, bom controle do trânsito animal, fiscalização das lojas veterinárias e vigilância em propriedades contra a doença.

O próximo passo é ser reconhecido internacionalmente. Para isso, uma nova etapa de sorologia em animais está sendo realizada neste ano. “Vai ser feita a coleta de sangue em 330 propriedades do estado em todas as regiões. Vai dar aproximadamente 10 mil amostras que serão encaminhadas ao laboratório e analisadas, para novamente pesquisar se tem circulação do vírus da doença no estado ou não”, explica.

A presença de anticorpos no sangue dos animais indicará se há circulação da doença. Na região, quatro propriedades foram sorteadas em Ivaí e Mallet.

Profissionais da ADAPAR verificam presença de anticorpos no sangue dos animais. Foto: ADAPAR/Divulgação
Com os resultados dos exames, um novo relatório será feito. Ele também contará com as informações das ações realizadas pelo estado. Esse relatório será entregue ao Ministério da Agricultura com o pedido para o reconhecimento internacional.

O processo continua com o Ministério enviando as informações para a Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) que irá conferir o relatório e fazer auditoria. Se verificar a veracidade das informações, a organização declarará o Paraná livre da febre aftosa sem vacinação. A expectativa é que esse reconhecimento internacional seja realizado em 2021.

“Esse reconhecimento internacional deve abrir novos mercados para a exportação de carne e outros produtos aos países mais exigentes, e que, principalmente, remuneram melhor”, relata.

A médica veterinária destaca que o produtor tem papel fundamental nesse reconhecimento. “O produtor agora que não tem mais vacinação tem que cumprir com a atualização do rebanho, colocando bem fiel à realidade quais animais que ele tem. E não é só do gado, outras espécies também constam no comprovante de atualização. E só movimentar os animais devidamente acompanhado da GTA [Guia de Trânsito Animal]. Essa GTA tem que ir junto com a carga”, disse.

Atendimento

Com a pandemia de coronavírus, o atendimento da Adapar está sendo realizado de forma diferente. Estão sendo realizados os serviços prioritários, como as sorologias, e emergências sanitárias.
O serviço interno, como a emissão de GTA, também está sendo feito através do WhatsApp pelo número 3421-3504 e do e-mail, pelo endereço adapariri@adapar.pr.gov.br.