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Covid-19: Médica fala sobre testes, transmissão e imunidade

Chefe do setor de Epidemiologia da SESA, Acácia Nasr, também ressaltou a importância de as pessoas cumprirem medidas sanitárias para que os órgãos de saúde possam controlar a doença

Karin Franco, com reportagem de Jussara Harmuch


Chefe do setor de Epidemiologia da Secretaria Estadual de Saúde (SESA)- Acácia Nasr
O número de casos de coronavírus (Covid-19) poderão ter um aumento nas próximas semanas devido a uma maior flexibilização, segundo a chefe do setor de Epidemiologia da Secretaria Estadual de Saúde (SESA), Acácia Nasr. 
Como o vírus depende do comportamento das pessoas e o comportamento das pessoas que estou tendo agora reflete daqui a três semanas, então tudo indica que sim [aumento de casos], disse.
Acácia explica que as ações como distanciamento social e uso de máscaras ajudam a controlar os números. “É uma doença que ainda não tem medicação específica e não tem vacina. Então, o comportamento das pessoas -  a quarentena, uso de máscaras, teletrabalho, suspensão de aulas escolares, fechamento de comercio e shoppings – determina com que a gente possa fazer uma projeção da tendência futura para daqui a três, quatro semanas. Isso faz com que nós reduzimos a circulação do vírus na nossa população”, explica.

A chefe ainda destacou que é o comportamento da população que indica o período de flexibilização. Se a população conseguir seguir as determinações, os setores de saúde conseguem um maior controle da doença. “O uso de máscaras, a higiene das mãos, o distanciamento social, se estiver doente não sair de casa para que possamos fazer um monitoramento total dos casos infectados, rastrear, isolar, planejar a necessidade de leitos hospitalares no estado do Paraná”, relata Acácia.

A orientação é para que ao sentir qualquer sintoma ou sinal de que possa ser Covid-19 é preciso procurar uma Unidade de Saúde.


Taxa de transmissão

Um dos dados observados para delimitar as ações que serão realizadas é a taxa de transmissão. “Ela indica a média de pessoas que serão infectadas pelo vírus Sars-CoV-2 a partir de uma pessoa doente. É muito importante controlarmos para diminuir a transmissão de pessoa a pessoa”, explica a médica.
A taxa de transmissão do Paraná está acima de 1. “Essa taxa é influência a um fator inerente ao vírus que é a facilidade com que o Sars-CoV-2 se espalha, a média diária de contatos realizado por uma pessoa na fase infecciosa da doença e outras pessoas suscetíveis, o tempo que o indivíduo permanece em estágio contagioso e a proporção da população suscetível ao vírus”, disse.

Testes

O Paraná quer ampliar a testagem do vírus com o objetivo de trazer mais informações sobre o vírus no estado, segundo Acácia. A capacidade no estado para exames RT-PCR é de realizar até 5.600 exames por dia. Nos testes rápidos, já foram realizados mais de 352 mil na rede estadual.

A médica explica a diferença nos testes realizados. “O teste  RT-PCR ,que é o tese de biologia molecular, ele deve ser feito na fase aguda da doença, preferencialmente quando estou com sinais de sintomas de Covid, no terceiro ou quinto dia. Já o teste rápido eu devo realizar após o oitavo dia do início dos sintomas e desde que eu esteja 72h assintomática. Ele é um teste de triagem populacional”, conta.

Um dos receios com o teste rápido é que ele pode apresentar resultados negativos falsos. “O grande problema dos testes rápidos são o elevado índices de falsos negativos. Então um teste negativo pode não ser ou estar transmitindo a doença, assim como o teste positivo não significa que eu estou imune ao coronavírus”.

Imunidade rebanho

Outra situação que tem sido discutida entre a população é a imunidade de rebanho. A chefe explica o significado do termo.
Usávamos o termo anteriormente à pandemia para determinar o efeito da proteção que surge na população quando um percentual alto de pessoas se vacinou contra determinada doença. Isso fazia com que mesmo que quem não estivesse vacinado, fosse protegido. Um exemplo clássico é a vacinação contra o sarampo, que tivemos uma epidemia no Paraná, que com 95% das pessoas imunizadas, o vírus não circula mais, desaparece, conta.
No entanto, ela alerta que atualmente a expressão é usada para verificar se há como não ter o risco de infecção. 
Hoje temos usado essa expressão para determinar, mas nós ainda não temos um valor exato de qual o vírus deixaria de circular na população e deixaria de ter o risco de infecção. Mas os pesquisadores estimam que o número seja de 60% a 70% que promoveria essa imunidade de rebanho, explica.

Acácia destaca que ainda não há um conhecimento exato se a imunidade é definitiva ou tem prazo para encerrar.

Atestado de óbito

Outro item que tem sido alvo de discussão são os atestados de óbito de pessoas que tenham suspeita de Covid-19. Segundo a chefe, os testes são realizados nos corpos dos pacientes, mas que os mortos suspeitos de Covid-19 não entram na contagem oficial sem o teste.
Todos os óbitos que ocorrem por suspeita de Covid são testados, tanto pelo teste de biologia molecular ou pelo teste rápido. Isso faz com que tenhamos uma diminuição desses casos e também a nossa epidemiologia, todos os casos que entrou em alguma das linhas que era um óbito suspeito de Covid, ele é investigado pela equipe de Vigilância Epidemiológica. Só após ele entra para as estatísticas oficiais do estado do Paraná, disse.

A médica comenta que cada caso é um caso e todos eles são analisados. “Esses casos são todos estudados pela nossa equipe de Vigilância Epidemiológica. É levantado toda a história de vida e de morte, todas as internações para que se possa se ter um diagnóstico correto e estabelecer uma causa da morte”, relata.