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Saiba como será o protocolo de atendimento de Covid-19

Pacientes de Irati que tenham um diagnóstico clínico de forte suspeita de coronavírus (Covid-19) serão transferidos para hospitais de referência da região

Karin Franco, com reportagem de Jussara Harmuch


Enfermeiro Agostinho Basso é responsável pela Sala de Situação de Risco de Covid-19 em Irati. Foto: Jussara Harmuch
Os pacientes de Irati que tenham um diagnóstico clínico de forte suspeita de coronavírus (Covid-19) serão transferidos para hospitais de referência da região.

A transferência será feita através da Central de Leitos, que reúne todos os leitos disponíveis no estado. Essa Central fica em Curitiba e é regulada pela Secretaria de Estado da Saúde (SESA).
Após o diagnóstico de suspeita de Covid-19, o paciente será cadastrado e aguardará um leito em Ponta Grossa ou Campo Largo.
A primeira opção seria Ponta Grossa, no Hospital Regional. Uma vez lotando esse hospital, seria o Hospital do Rocio em Campo Largo, explica o enfermeiro, Agostinho Basso, responsável pela Sala de Situação de Risco de Covid-19, em Irati.

Para Agostinho, o procedimento é ideal já que trará melhor atendimento.
Foi muito prudente o Governo do Estado assumir essa postura de levar primeiro para capital e grandes cidades, onde tem hospitais com mais complexidade porque é uma doença grave, disse.

Sobre a distância, o enfermeiro destaca que quem possui Covid-19 não pode receber visita.
A comunidade pode pensar: ‘Ah, mas vai ficar longe, vai ficar difícil’. Mas nós temos que entender que paciente com o coronavírus não recebe visita. Seja aqui na Santa Casa, em Ponta Grossa ou Curitiba, ele ficará totalmente isolado e até os familiares desse paciente vão ficar em quarentena em casa. Eles não podem sair nem no comércio, nem na rua, explica.
Atendimento

Em Irati, o atendimento será realizado no Pronto Atendimento (PA) e no Pronto-Socorro da Santa Casa. Após um diagnóstico clínico, o médico dirá se há a suspeita. Nesse momento, o paciente não terá exame laboratorial, mas poderá passar por exames de raio-X e tomografia do tórax.

Com o diagnóstico clínico, o médico cadastrará o paciente na Central de Leitos. O sistema da Central procurará primeiro leitos disponíveis para Ponta Grossa. Se não houver nenhum leito, o sistema regulado pelo Estado, procurará leitos em Campo Largo.

Enquanto isso, o paciente que está no PA ou no Pronto-Socorro será transferido para a Santa Casa, onde aguardará internado até receber uma vaga na Central de Leitos.

Dificuldade respiratória

Nos casos de pacientes que chegam já com uma dificuldade respiratória e possuem necessidade de intubação, o atendimento no PA ou Pronto-Socorro seguem alguns protocolos.
Primeiramente ela [pessoa] será colocada no oxigênio simples, enquanto está acontecendo todo o procedimento. Se no caso ficar mais grave, precisar realmente através de insuficiência respiratória de intubação, ela será realmente entubada, disse.

O paciente será estabilizado no local, antes de ir à Santa Casa.
Vai ficar lá sendo estabilizada, enquanto faz a tratativa de encaminhamento para a Santa Casa e tudo mais. Depois segue para internação, detalha Agostinho.

Os médicos de plantão que estão no PA estão aptos para realizar a intubação. Atualmente, o PA possui dois respiradores e o Pronto-Socorro da Santa Casa, outros dois respiradores.

UTI em Irati

A Santa Casa de Irati possui uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) com quatro leitos especialmente para atender casos de Covid-19, além de enfermarias para internamento.
Dos dez leitos que a Santa Casa tem, em média, seis a sete leitos estão ocupados por outras doenças, um pós-operatório, um politraumatismo, um acidente, um derrame, um AVC. Uma vez que leve paciente de coronavírus lá para dentro, apesar de todos os cuidados, você pode estar contaminando os outros pacientes naquele ambiente. Tanto é que a Santa Casa preparou um local separado da UTI, porém montado com leitos de UTI, para receber somente pacientes graves do coronavírus, relata o enfermeiro.

Agostinho esclarece ainda que a transferência nesse momento para outra cidade ocorre também porque a evolução da doença é muito rápida.
Está tudo bem de manhã e de tarde pode ter uma insuficiência respiratória grave, disse.

Outro motivo é que apesar de evoluir rapidamente, são poucos casos que precisam realmente de intubação, mas que a intenção da transferência é tentar dar maior estrutura para quem precisa.
De cada 100, 80 passa tranquilo, 20 fica doente, e desses, 15 trata em casa e cinco vai para o hospital. E esses cinco queremos levar para onde tem uma complexidade para onde é tratado com os melhores especialistas para que voltem para casa. Para que não precise morrer, afirmou.

Cápsula

Agostinho também explica como funciona o procedimento com cápsula, quando não há intubação.
Cápsula é um procedimento que usamos o oxigênio. Você coloca uma sonda normal nas narinas da pessoa, através de uma máscara, muito parecida com a de inalação. Tem alguns hospitais e clínicas que usam uma cápsula como se fosse uma pequena bolsa, uma bolha de plástico, de polietileno. Nós utilizamos oxigênio com sonda, e se for o caso, nós partimos para intubação.