notícias

Por risco de contágio de Covid-19, visitas foram suspensas no Lar dos Velhinhos de Rio Azul

JARDIM DA PAZ
Enfermeiro responsável explica medidas adotadas para impedir que o vírus chegue à instituição, que abriga população de risco

Edilson Kernicki, com reportagem de Rodrigo Zub


Prédio principal do Lar dos Velhinhos foi interditado para evitar aglomeração da população de risco num mesmo ambiente. Foto: Talbian Raony Przybysz
A média de idade entre as pessoas que morreram em decorrência do novo coronavírus (Covid-19) no Paraná é de 68,3 anos, segundo o último Informe Epidemiológico da Secretaria de Estado da Saúde (SESA) divulgado na sexta-feira, 1º. Preocupado com a estatística, o Lar dos Velhinhos de Rio Azul adotou medidas como a suspensão das visitas e das missas realizadas na instituição, para evitar que haja infecção e transmissão da doença entre os internos e os profissionais que trabalham no local.

Segundo o enfermeiro responsável, Talbian Raony Przybysz, a suspensão das visitas ocorre devido à aglomeração de idosos em local fechado. A suspensão das celebrações de missas, por sua vez, visa evitar o risco de contágio entre os idosos oriundo de um agente externo.

O prédio principal do Lar dos Velhinhos, onde os idosos se concentravam em maior número, acabou sendo interditado. “A sala, principalmente, no espaço onde eles ficavam vendo TV, uma vez que eles têm TVs nas casas e têm a opção de ficar nas casas, assistindo. O refeitório também foi interditado e mudamos a logística de alimentação dos idosos. Desde que adotamos essas medidas, toda refeição deles é servida nas casas. Por sinal, eles têm comido muito melhor”, enfatiza.


Conforme Talbian, os idosos se sentiram mais confortáveis comendo nas casas, em grupos menores e, provavelmente, essa medida pode se tornar definitiva, mesmo após a pandemia, diante da aprovação dos moradores do Lar dos Velhinhos. A estrutura da instituição, que desde 2012 não possui mais os quartos coletivos, apenas casas individuais, com grupos menores de moradores, facilita o trabalho da equipe de profissionais nos cuidados preventivos. Cada residência tem, no máximo, quatro idosos. O Lar dos Velhinhos possui dez casas e acolhe, hoje, 29 idosos.

Lar dos Velhinhos de Rio Azul fica ao lado do ginásio de esportes Albinão. Foto: Talbian Raony Przybysz  
Profissionais que atuam na instituição foram orientados a redobrar os cuidados dentro de fora do Lar dos Velhinhos. Da mesma forma, atuam como multiplicadores da informação sobre os cuidados necessários à prevenção junto às suas famílias. “Não adianta tomarmos cuidados extremos e acabarmos levando a infecção para dentro da instituição devido à falta de cuidados de terceiros”, afirma.

Desde o início do período de isolamento social, os profissionais estão trabalhando de máscara. “Não tivemos nenhum afastamento devido à doença ou suspeita da doença”, ressalta.

Ao longo do ano, o Lar dos Velhinhos costuma promover uma série de eventos que visam subsidiar a estadia dos idosos na entidade. Sem a possibilidade de realizar eventos, diante das medidas de prevenção ao novo coronavírus, as datas devem ser postergadas. “Não tínhamos nenhum evento pré-agendado ou já marcado. Até porque, a cada ano, estamos fazendo menos eventos, porque envolvem desgaste. Já há algum tempo, priorizamos eventos maiores e que dão maior retorno, consequentemente. Não são tantos eventos ao ano e, com a questão do coronavírus, que não sabemos até quando vai se estender, não cancelamos 100% nenhum evento. No caso, o maior evento que o Lar promove é a ExpoTabaco, que vinha acontecendo no mês de julho e para esse ano já vínhamos estudando mudar para outubro; ainda está distante para pensarmos em cancelar, mas é talvez uma das medidas que venhamos a tomar”, justifica.

Lar dos Velhinhos possui dez casas para abrigar os idosos. Foto: Talbian Raony Przybysz

Visitas


Desde o início do isolamento social, as visitas ao Lar dos Velhinhos foram proibidas, como medida para evitar a infecção por Covid-19 trazida por algum agente externo. No entanto, gradativa e criteriosamente, as restrições têm sido abertas, com muita cautela, tendo em vista que o afastamento social interfere no psicológico dos idosos.

“Temos aberto raras exceções, somente mediante contato telefônico antes e mediante orientações para esses poucos que têm ido visitar. Eles devem usar máscara desde quando chegam e devem higienizar as mãos. Estamos atentos aos sintomas. Desde o início da visita, o visitante não pode baixar a máscara em nenhum momento e observar o distanciamento. Estamos procurando fazer com que o visitante e o idoso fiquem a sós no ambiente”, explica Talbian.

Não houve nenhum ingresso de idoso na instituição desde que foi decretada a quarentena. “Não estamos acolhendo nenhum idoso, nem realizando a visita prévia. Normalmente, quando o idoso está para vir morar na instituição, marcamos uma visita prévia. Ele não vem e fica no primeiro momento. Ele tem que visitar para vermos como está de saúde, fazermos a triagem, ele conhecer a instituição e todas as regras e para nós o conhecermos. Nem isso estamos fazendo, por uma questão de lógica, se o grupo de maior risco é a terceira idade, nesse momento, aumentar o número de idosos seria um risco, ainda mais por serem pessoas de fora”, complementa.