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Hospital de Guarapuava apresenta ocupação de 60% dos leitos de UTI por coronavírus

São seis pacientes internados no hospital São Vicente de Paulo, sendo três de Guarapuava e três de cidades do entorno, segundo o secretário Municipal de Saúde

Rodrigo Zub


Hospital São Vicente de Paulo, em Guarapuava, é referência no atendimento de Covid-19 no caso de pacientes atendidos pelo SUS. Foto: AEN
Uma das grandes preocupações no Brasil é diminuir o contágio de coronavírus para que a estrutura de saúde pública tenha condições de atender os pacientes diagnosticadas com a doença. Evitar a ocupação máxima dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é uma das medidas para evitar o colapso do sistema.

Na região, o hospital São Vicente de Paulo, em Guarapuava, é a referência para atender pacientes com Covid-19. A instituição possui dez leitos para atender pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Até o início desta semana, seis leitos estavam ocupados. Em live em sua página no Facebook, o secretário Municipal de Saúde, Celso Góes, disse que são três guarapuavanos e três pessoas de outras cidades da região que estão internadas no hospital. Um dos pacientes é o primeiro morador de Guarapuava notificado com a doença, que está há mais de um mês internado. O secretário afirma que ele está “lutando pela vida”. A 5ª Regional de Saúde de Guarapuava atende quase 500 mil pessoas em 20 municípios.

Já a enfermaria da Covid-19 tem quatro moradores de Guarapuava e dois de outros municípios internados. O espaço conta com 22 leitos. Com isso, a taxa de ocupação não chega a 35%, conforme o secretário.


Dados do Informe Epidemiológico da Secretaria de Estado da Saúde (SESA) divulgados ontem, 11, mostram que Guarapuava tem 16 casos confirmados de coronavírus, seis pacientes em investigação e sete recuperados. Os dados da secretaria de Saúde de Guarapuava revelam que a cidade tem 374 casos descartados com resultado negativo do exame laboratorial, 142 pessoas em isolamento domiciliar e 423 liberados da quarentena. São 15 guarapuavanos aguardando resultado do exame laboratorial. O boletim municipal ainda registra 17 casos confirmados, sete curados e um óbito em decorrência de Covid-19.

Na live, Góes esclareceu a divergência de dados do município com a SESA, principalmente sobre a morte registrada. Conforme o secretário, o óbito foi identificado por uma comissão formada por 13 médicos de várias especialidades, como infectologia, oncologia, cirurgia de cabeça e pescoço, cirurgia gástrica, cardíaca, patologia, neurologia, pediatria, clínica geral e epidemiologia. Fazem parte dessa comissão representantes da secretaria municipal de saúde, hospital São Vicente, do Instituto Virmond, da coordenação dos cursos de medicina da Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná (Unicentro) e Campo Real, Conselho Regional de Medicina e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).

“O comitê que faz a recomendação e nós temos que acatar. É um comitê estritamente técnico e eles fazem um parecer de tudo que acontece. A secretaria de Saúde não faz laudo de óbitos. Somos gestores de toda a saúde de Guarapuava. É uma discussão técnica entre a Comissão [de Guarapuava] e a SESA. Todos esses documentos de laudos de laboratório, laudos do Lacen [Laboratório Central do Estado do Paraná], atestado de óbito, de tudo que aconteceu neste período lá no hospital São Vicente, porque ele vem de lá esse óbito e quem faz são os médicos, eles mandaram todos esses documentos para SESA, Ministério Público, para Polícia Federal e para o Ministério da Saúde”, afirmou o secretário.

Até essa segunda-feira, 11, a SESA ainda não computou essa morte no seu sistema, pois ela está em análise no comitê de mortalidade estadual. A secretaria de Saúde de Guarapuava aguarda um parecer da SESA. “A 5ª Regional não recebeu nenhum documento. A secretaria de Saúde trabalha com documentos oficiais. Quando não houver esse documento oficial da SESA, esse óbito continuará no nosso boletim até porque é a recomendação dessa comissão médica. Estamos amparados e aí assim há uma discussão de peritos, dados técnicos, a secretaria de Saúde não questiona esses dados técnicos, quem questiona é a comissão”, esclarece Góes.