notícias

Prefeitura envia água para abastecimento no interior de Irati

Secretaria Obras e Serviços Urbanos envia diariamente de 4 a 5 viagens com cargas de 6 mil litros de água cada para comunidades iratienses que sofrem com a estiagem


Caminhão utilizado para o transporte da água para as comunidades foi doado pelo Corpo de Bombeiros. Foto: Paulo Henrique Sava
Paulo Henrique Sava

A falta de chuvas vem afetando todas as comunidades de Irati desde o início do ano. Devido à pouca quantidade de chuvas, os rios e poços estão com nível de água abaixo do normal. Além disso, o solo seco afeta diretamente a produção agrícola. Isto tem feito com que os produtores procurem a Secretaria Municipal de Obras e Serviços Urbanos e solicitem o abastecimento nas comunidades. 

Sérgio Hryszko, coordenador do Parque de Máquinas da prefeitura, diz que a demanda por água no interior aumentou muito nos últimos meses. De acordo com ele, são realizadas diariamente, em média, de 4 a 5 viagens com cargas de 6 mil litros de água para várias comunidades, que estão em estado de calamidade. No total, são enviados para o interior entre 24 mil e 30 mil litros de água por dia. Porém o município dispõe de apenas um caminhão para fazer este trabalho. 

Em anos anteriores, a Prefeitura registrava apenas uma ou duas viagens com carga de água por semana ou até por mês, em períodos menores de seca. Atualmente, o trabalho vem sendo feito diariamente. “Hoje é diário, de segunda a sábado. Recebemos em média de 8 a 10 pedidos todo dia”, comentou. 

Hryszko diz que a distribuição da água prioriza as famílias mais necessitadas. No entanto, ele afirma que, no momento da entrega, os agricultores são orientados a utilizar o produto de maneira racional, evitando a lavagem de carros e calçadas, por exemplo.

“Para os mais necessitados nós entregamos. Tem os verdureiros, que utilizam bastante a água, mas estamos explicando que esta água é só para consumo humano e animal e pedindo para eles economizarem o máximo possível, pois futuramente vai faltar para nós aqui na cidade”, pontuou.



Mara Parlow, funcionária da Secretaria Municipal de Ecologia e Meio Ambiente, atribui o problema a um período severo de estiagem que atinge os três estados da região sul do Brasil e à falta de cuidados dos agricultores em relação à preservação de rios e nascentes. Para amenizar o prejuízo das famílias, a Prefeitura tem levado água tratada para as comunidades do interior. 


“Por que isto acontece? Por uma questão global, uma situação planetária em que todo o clima tem se modificado. Há regiões onde não chovia e de repente passou a chover muito e locais que eram bem abastecidos por água da chuva e hoje acontece o contrário. Estamos vivendo muitas situações complicadas. Basicamente o manejo de solo e agrícola que, ao longo de um grande período de colonização do nosso território talvez tenha sido feito de uma maneira desordenada. A colonização aconteceu e o manejo das plantações talvez tenha sido feito de uma maneira desordenada. Hoje estamos sentindo os reflexos disto”, frisou. 

Mara não soube informar por quanto tempo o município conseguiria manter o abastecimento das famílias do interior sem causar racionamento de água na cidade. No entanto, ela mostrou preocupação com o fato de somente haver previsão de chuvas significativas somente após o dia 17 de maio. 


“Esta é uma questão bastante técnica, mas estamos bem preocupados com a perspectiva de chuvas que realmente venham a abastecer. Tivemos dias atrás uma chuva muito volumosa mas rápida, e ela apenas lava e não penetra no solo. Precisaríamos de uma chuva mais contínua e moderada, que fosse permear o solo e abastecer os lençóis, vertentes e poços que estão secando. Há uma perspectiva para esta chuva de aproximadamente um mês para sanar um pouco esta situação, que é dramática”, comentou. 

Um dos eixos abordados na Conferência Municipal do Meio Ambiente em outubro de 2019 foi a conservação das águas. Na ocasião, foram definidas ações que serão realizadas nos próximos anos. Esta preocupação surgiu em uma região que nunca teve problemas em relação à água.

Outro ponto que causa preocupação é o consumo excessivo da água, tanto na zona urbana quanto na área rural. 


"Utilizemos a água de maneira racional e como um bem finito que é. A água é finita, mesmo que sejamos o ‘planeta azul’ e que a maior parte dele e do nosso corpo sejam formadas por água. Há perspectivas terríveis de que no futuro tenhamos disputas por água. Hoje há disputas por petróleo e futuramente elas ocorrerão pela água, um bem finito que tem custo alto”, afirmou Mara.

Ela pede que as pessoas prestem atenção nos acontecimentos e percebam que a seca está ocorrendo. 


“Tem muita gente que não percebe porque está ligando a torneira e usando a água sem pensar, racionalizar e ponderar sobre este tema. Eu tenho visto na cidade pessoas lavando calçadas, paredes, seus carros continuamente. Trata-se de um momento sério de repensarmos o uso deste bem preciosíssimo e que é finito”, finalizou.