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Pedagoga analisa impacto da internet no hábito de leitura

Com a ascensão das novas tecnologias, alguns hábitos de leituras mudaram, mas para Thaís Gnatkoski, orientadora pedagógica do Colégio Sesi, as pessoas estão lendo mais.

Orientadora pedagógica Thaís Gnatkoski
Lenon Diego Gauron

Em meio a pandemia do novo coronavírus, muita informação que chega através das redes sociais e do WhatsApp misturam dados e distorcem fatos, são as fake news. Mas também as notícias sérias chegam em quantidade muito maior do que antes. Com o celular na mão, muitas pessoas checam as informações o tempo todo. Para a orientadora Thaís, que foi entrevistada no programa “Meio Dia em Notícias” da rádio Super Najuá, as pessoas estão lendo mais, porém, a dificuldade de interpretação leva a não compreensão e as induz a acreditar em notícias falsas.

Fatores

Tempo - "Não temos o tempo necessário para ler a informação completa, o que pode causar uma interpretação errada do assunto. Embora a gente tenha aquela sensação de que estamos lendo pouco, que estamos lendo menos, mas não. Nós estamos lendo mais, porque tudo está aqui na palma da nossa mão, no celular. Então eu tenho acesso a todas as informações, independentemente se elas são verdadeiras ou não. E o que eu vejo muito hoje é: como é que nós estamos gerindo o nosso tempo? Recebemos muito [informação] e na correria, você só lê o título e acaba compartilhando”, analisa e alerta para a checagem em sites seguros.

Equilíbrio - “Eu vejo que sim, às vezes ele [celular e internet] é um grande empecilho, mas também é um grande facilitador. O que eu vejo de negativo nessa tecnologia é que tira de nós o raciocínio lógico. Tudo está ali disponível. Coisas elementares, como fazer troco, uma coisa básica, você vai lá e bate na calculadora".

Interpretação - “O analfabeto funcional é a pessoa lê e interpreta coisas simples, como um bilhete, um anúncio, um registro de número de telefone, que vai lá no mercado e consegue fazer umas contas simples, decodifica as letras, forma as palavras, mas se elas estão dentro de um contexto mais complexo, já não consegue identificar a mensagem que está ali. Mas também existe a falta de compreensão porque não temos vontade de entender".


O Indicador de Alfabetismo Funcional (INAF), classifica o analfabetismo funcional em 5 categorias, considerando o grau de domínio das habilidades de leitura, escrita e matemática.

Analfabeto - Corresponde à condição dos que não conseguem realizar tarefas simples que envolvem a leitura de palavras e frases ainda que uma parcela destes consiga ler números familiares (números de telefone, preços etc.);

Rudimentar - Corresponde à capacidade de localizar uma informação explícita em textos curtos e familiares (como um anúncio ou um bilhete), ler e escrever números usuais e realizar operações simples, como manusear dinheiro para o pagamento de pequenas quantias ou fazer medidas de comprimento usando a fita métrica;

Funcionalmente Alfabetizados
Até 2011, este grupo era subdividido nos níveis Básico e Pleno. A partir de 2015, os respondentes passam a ser classificados em 3 níveis:

Elementar - As pessoas classificadas neste nível podem ser consideradas funcionalmente alfabetizadas, pois já leem e compreendem textos de média extensão, localizam informações mesmo que seja necessário realizar pequenas inferências, resolvem problemas envolvendo operações na ordem dos milhares, resolvem problemas envolvendo uma sequência simples de operações e compreendem gráficos ou tabelas simples, em contextos usuais. Mostram, no entanto, limitações quando as operações requeridas envolvem maior número de elementos, etapas ou relações;

Intermediário – Localizam informações em diversos tipos de texto, resolvem problemas envolvendo percentagem ou proporções ou que requerem critérios de seleção de informações, elaboração e controle de etapas sucessivas para sua solução. As pessoas classificadas nesse nível interpretam e elaboram sínteses de textos diversos e reconhecem figuras de linguagem; no entanto, têm dificuldades para perceber e opinar sobre o posicionamento do autor de um texto.

Proficientes - Classificadas neste nível estão as pessoas cujas habilidades não mais impõem restrições para compreender e interpretar textos em situações usuais: leem textos de maior complexidade, analisando e relacionando suas partes, comparam e avaliam informações e distinguem fato de opinião. Quanto à matemática, interpretam tabelas e gráficos com mais de duas variáveis, compreendendo elementos como escala, tendências e projeções.

Um dado alarmante, baseado na pesquisa deste indicador, é que pelo menos 4% dos analfabetos funcionais estão em universidades.