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Falta de EPIs preocupa trabalhadores da área da Saúde

Presidente do Sindicato dos Profissionais da Saúde de Irati fala sobre a falta de EPIs em hospitais e unidades de saúde

Da Redação, com reportagem de Paulo Sava e Rodrigo Zub

Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Irati e região fica na rua XV de Novembro, 707, fundos. Foto: Mário Cordeiro

Criar ambiente seguro para pacientes e trabalhadores é uma das principais condições para frear a proliferação do Covid-19. O presidente do Sindicato dos Profissionais da Área da Saúde, o socorrista Mário Cordeiro, expressa a preocupação da classe com a falta ou com a insuficiência de equipamentos de proteção individual (EPIs). O sindicato atende 17 municípios da região.

Segundo Cordeiro, a preocupação já existia desde que o coronavírus se tornou uma epidemia na China, em dezembro. Mas ela aumentou desde que o vírus da doença se alastrou por todo o mundo e a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que há uma pandemia. No início de março, a Confederação Nacional dos Trabalhadores da Saúde (CNTS) convocou um congresso para tratar da questão.

“Esse vírus (o SARS-CoV-2, ou síndrome respiratória aguda grave de coronavírus 2) não é um vírus comum. Todo profissional de saúde sabe que existe um protocolo para lidar com doentes infecto-contagiosos, existe certo protocolo. Mas esse vírus é mais perigoso que os demais. Está em todas as redes sociais a quantidade de profissionais infectados aqui no Brasil”, observa.

Na plenária do congresso da CNTS foi aprovado um manifesto encaminhado ao Ministério da Saúde e para a Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a precarização das condições de trabalho dos profissionais de saúde, devido ao estresse gerado pela sobrecarga de trabalho, pelo acúmulo de função e pelo não cumprimento da Resolução 543/2017, do Conselho Regional de Enfermagem (Coren), sobre o direcionamento de pessoas para o cuidado de pacientes. Conforme o presidente do Sindicato, muitos técnicos de enfermagem acabam sendo designados para cuidar de mais pacientes, simultaneamente, do que deveriam. “Nisso, fica prejudicado o paciente e o profissional de saúde”, afirma.

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O presidente do Sindicato dos Profissionais de Saúde tem recebido denúncias sobre a insuficiência de EPIs para quem atua em hospitais e unidades de saúde e expõe a necessidade da criação de políticas públicas eficazes, dos governos estadual e federal, para criar condições de trabalho seguras para esses profissionais. “Não vamos correr do trabalho, mas precisamos que sejam fornecidos todos os materiais que precisamos para nos proteger e para proteger o paciente”, diz.

Segundo Cordeiro, toda o ambiente hospitalar deve ser considerado como “área de risco” nesse momento e todo profissional deveria usar, no mínimo, a máscara cirúrgica, luvas cirúrgicas e um avental impermeável. “Depois que o hospital fez esse pedido que as pessoas contribuam com materiais de proteção, vi que os demais hospitais enfrentam a mesma dificuldade”, aponta. Pelo protocolo, os profissionais devem usar touca, óculos, máscara cirúrgica ou N-95, avental, luvas e, se possível, um macacão.

Não somente os profissionais de saúde precisam desse material de proteção individual, mas todos que trabalham nos hospitais, como as equipes de limpeza e as recepcionistas, alerta o presidente do Sindicato. Por se tratar de uma pandemia e de haver muitos casos de pessoas já infectadas, mas ainda assintomáticas, todo mundo acaba ficando vulnerável, não apenas quem trabalha no hospital, como, indiretamente, seus familiares em casa. “Temos que nos prevenir, porque nós precisamos dos profissionais de saúde. Não podemos deixá-los adoecer, de jeito nenhum. Temos que dar todo o equipamento para eles poderem nos ajudar a combater esse mal que nos afeta”, alerta.

Cordeiro também demonstra preocupação com o aumento repentino no preço de máscaras, impulsionado pelo aumento na procura pelo material e pela queda na produção, com a paralisação das indústrias. Uma caixa com 50 máscaras, que antes era vendida por R$ 9, chegou a ser comercializada por R$ 170 em algumas cidades, o que gerou a necessidade de fiscalizações por parte do Procon e de outros órgãos.

Ele, que é socorrista e condutor de UTI móvel para uma empresa particular de assistência médica e hospitalar, usa o próprio caso como exemplo. “Se tivermos que transportar um paciente com o vírus, temos que dar toda a proteção a nós e ao paciente. Para meu chefe, não foi fácil conseguir esses materiais”, diz.

O presidente do Sindicato relata que a Secretaria de Saúde de Irati já providenciou equipamentos necessários para os profissionais do município e que a Santa Casa recebeu muito material doado pela população. No entanto, em alguns casos os profissionais não utilizam os equipamentos. Segundo ele, no domingo (29), ao ir até o hospital para buscar uma paciente, verificou que uma funcionária não usava máscara. Ela alegou que foi orientada a usar “somente quando houver paciente” com suspeita de coronavírus. “Acho que não é o correto. Todos, infelizmente, têm que usar. Sei que não é fácil para comprar esses equipamentos. Sabemos da dificuldade e do preço que foi, mas acho que [Secretaria de Estado da Saúde] SESA e o Governo do Estado devem tomar uma atitude o quanto antes, enquanto não tivermos o vírus aqui”, opina.

Cordeiro defende que haja um protocolo específico para o enfrentamento ao Covid-19 nos hospitais, com uma sala específica para vestir os EPIs e para descartá-los após o uso – tal qual já ocorre em alas de isolamento nos hospitais.

Para denúncias sobre falta de EPIs, acesse o site https://www.seessir.com.br/ (Sindicato dos Empregados de Estabelecimentos de Serviços em Saúde de Irati e Região – SEESSIR) ou telefone para (42) 3422-2172 – Sindicato ou para (42) 9-9947-6035 – Mário Cordeiro.