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A ameaça invisível e a economia

Prevenir casos graves e evitar falências. Juntos, Saúde e Comércio de Irati buscam equilíbrio e bom senso no enfrentamento da pandemia do novo coronavirus

Oscar Muchau, Ladislao Obrzut Neto e Sidnei Barankiewski no Meio Dia em Notícias - dia 06 de abril 2020

Da Redação

O provedor da Santa Casa de Irati, Dr. Ladislao Obrzut Neto, está preocupado em não afrouxar as regras, “não largar a mão” nas medidas contra a pandemia.
Vamos longe nisso, estamos no início. Vejo criança e idoso na rua. Vamos contar, de sexta-feira para cá, quando houve um relaxamento das medidas, são 48 horas para o sintomas aparecer, e de 7 a 12 dias para transmitir, provavelmente vamos saber [a consequência] lá no dia 20 ou 21 e talvez tenhamos de rever a decisão [de liberar o comércio em geral]. Se aparecer um caso a epidemia se instalou e nós queremos que ela passe longe. Então é preciso não ter pressa de sair, isso é importante,
salienta o médico que participou do meio Dia em Notícias desta segunda-feira, 06.

Dr. Ladislao faz uma comparação com os casos da Itália, Alemanha e Estados Unidos e diz que, proporcionalmente, o país caminha na mesma direção. A ameaça é invisível, a testagem não é feita em grande escala para se determinar um controle com amplitude mais direcionada. Ele pede maior rigor na fiscalização de aglomerações pela Guarda Municipal, em cumprimento ao toque de recolher e incentiva o uso de máscaras caseiras pela população em geral.


Comércio

Na ausência do Sr. Elias Mansur, presidente da Associação Comercial e Industrial de Irati - Aciai, que está no grupo de risco, em distanciamento social, o empresário Oscar Muchau, falou pela entidade na mesma entrevista.
Não tivemos casos, mas temos de tomar cuidado, disponibilizar aos funcionários a proteção e também o ambiente seguro ao cliente. A economia anda junto com a saúde. Todos precisamos que a economia gire, mas de forma consciente. É preciso exigir dos colaboradores que usem máscaras. O que está sem máscaras pode estar contagiando outras pessoas.
Ele se mostrou preocupado com a higienização dos produtos e pacotes de entregas derivadas de negociações on-line, que podem ajudar, mas não vão resolver a crise.
Tem de se ter o cuidado na embalagem e entrega, também [o comerciante] deve ser criativo nas formas de negociação. Não vai salvar a pátria, as pessoas aqui não utilizam tanto, mas é uma saída, pode ajudar. 
Os pagamentos de carnês, prática de venda amplamente utilizada entre lojistas, vai ser importante para custear os salários dos funcionários em abril.
Os clientes precisam cumprir os compromissos com os carnês para salvar os empregos. Mas faço aqui um apelo aos lojistas, para que combinem depósitos e assim os clientes não precisem se deslocar. Isso vai ajudar a manter as despesas, mas o problema maior é fazer que não apareça alguém contaminado para que não precisemos fechar amanhã.
Ajuda da população

Diante da ameaça de chegada do vírus e da escassez de equipamentos de proteção individual - EPIs para os funcionários, a população se preocupou e mobilizou voluntários para comprar material. O administrador da Santa Casa, Sidnei Barankevicz, que acompanhou Dr. Ladislao na entrevista, agradeceu as doações e apresentou a prestação de contas.

Em dinheiro, são R$ 6.800,00 mais uma quantia de EPIs que foram comprados e levados diretamente no hospital. Além dessa ajuda, houve a doação pela 1ª vara Cível da Justiça de Ponta Grossa, através do juiz federal André Wasilewski Duszczak, de R$ 30 mil, o que deu ao administrador uma certa tranquilidade. Mas o alívio é momentâneo, segundo Barankiewski, pois com a chegada de casos suspeitos de Covid-19, o uso dos EPIs será mais frequente, um kit para cada atendimento. O que agrava a situação foi o aumento do custo destes materiais.
Uma caixa de máscaras que custava oito reais hoje custa 200. Então o preço que era gasto com uma compra de 100 caixas com 10 mil máscaras, entre 800 a 900 reais, hoje não sai por menos de 22 mil. 
O prejuízo é ainda maior por conta da paralisação dos procedimentos eletivos.
Com o custo maior dos EPIs seriam cerca de 200 mil ao mês, somado ao valor negativo de 250 mil que já vinha de antes, de 450 a 500 mil negativos, enquanto perdurar a baixa procura.