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Visitas aos detentos de Irati estão suspensas até 7 de abril

Atendimento ao público foi reduzido para três horas diárias somente no período da manhã como medida de evitar contato entre as pessoas em virtude da pandemia do Covid-19

Rodrigo Zub, com reportagem de Paulo Sava


Imagem registrada no dia 18 de março quando familiares aguardavam para visitar presos. Visitas estão suspensas desde o dia 23 de março. Foto: Jussara Harmuch

As visitas aos detentos da Delegacia de Irati e de outras unidades prisionais do Estado estão suspensas até o dia 7 de abril. As medidas de restrição de acesso ao público tiveram início no dia 23 de março e são válidas por 15 dias, conforme decreto 4230/2020 do governo estadual, da resolução 64/2020 da Secretaria de Segurança Pública e de orientações do Ministério da Justiça e Segurança Pública, do Departamento Penitenciário Nacional e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Em Irati, o atendimento ao público na Delegacia foi reduzido para três horas diárias somente no período da manhã entre 9 e 12 h. Somente uma pessoa pode entrar no local de cada vez desde que mantenha as condições de higiene, como utilizar álcool gel. Boletins de ocorrência serão registrados somente nos casos dos crimes contra a vida como homicídio, feminicídio e latrocínio (roubo seguido de morte), violência doméstica contra a mulher e crianças, casos em que possa ocorrer o perecimento da prova, estupro, sequestro e cárcere privado e roubo de veículos e cargas. Por outro lado, a Polícia Civil não está registrando boletins de ocorrência de calúnia, injúria, difamação, esbulho possessório e casos que não constituem crime. Nessas situações, o cidadão deve procurar um advogado para entrar com a ação judicial. O atendimento pode ser realizado no e-mail dpirati@pc.pr.gov.br e nos telefones 3422-2020, 3423-1254 e 3422-5176. As pessoas também podem agendar atendimento se for necessário. “Venha sozinho, evite circular com outras pessoas”, recomenda a Polícia Civil.

“Essas medidas são importantes porque colaboram para a não disseminação da Covid-19, o coronavírus. É uma linha que está sendo seguida em todas as Delegacias do Estado do Paraná a partir de uma portaria baixada pelo Delegado-Geral [Silvio Jacob Rockembach], que regulamentou a determinação da secretaria de Segurança Pública e o decreto governamental. Essas medidas persistem até que seja dada a revogação do decreto governamental pelo Departamento da Polícia Civil e secretaria de Segurança”, diz o Delegado Paulo Cesar Eugênio Ribeiro.

Ele ressalta que as medidas de combate ao coronavírus não trazem prejuízos a população, pois os boletins de ocorrência e operações continuam sendo realizados. As investigações também seguem em andamento.


As determinações visam evitar o contágio do coronavírus no sistema carcerário, que não possui capacidade e estrutura para receber os presos, já que muitas unidades no Estado estão superlotadas.
No dia 18 de março, a reportagem da Najuá conversou com um grupo de mulheres que aguardavam para a visita semanal na Delegacia de Irati. Na ocasião, elas contaram que receberam orientações de uma pessoa do Conselho da Comunidade para lavar as mãos antes de ter contato com os presos e foram informadas que as visitas seriam suspensas, o que se confirmou dois dias depois.

Outras medidas

Durante o período de restrição do atendimento ao público, as unidades prisionais do Paraná não estão recebendo alimentos ou outros produtos que são entregues por familiares ou terceiros geralmente no dia de visita aos detentos. Os atendimentos de advogados, audiências de custódia e instrução também estão suspensos. A alternativa neste momento é a implementação de videoconferência. Transferências e escoltas de presos custodiados nas penitenciárias e cadeias públicas do estado também estão suspensas por 15 dias.

As medidas adotadas foram acordadas em diversas reuniões conjunto entre as secretarias estaduais da Segurança Pública e da Saúde, os servidores do Departamento Penitenciário e o Sindicato dos Policiais Penais do Paraná (Sindarspen).

O Departamento Penitenciário do Paraná intensificou a distribuição e disponibilização de produtos de higiene básica e de álcool em gel 70% nas carceragens. Outra medida tomada foi a disponibilização de cartazes de orientação no interior das unidades prisionais.

Além disso, agentes têm reforçado diariamente as falas aos detentos sobre os riscos do Covid-19 à saúde, a importância de lavar corretamente as mãos e demais formas de prevenção. No trabalho de conscientização, os agentes também ressaltam a importância de os presos informarem imediatamente se apresentarem tosse seca, febre ou dificuldade para respirar.

As informações são da Agência Estadual de Notícias