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Decreto suspende funcionamento de indústrias e comércio em Irati

Medida é válida a partir da 0h de terça-feira, dia 24, até o dia 13 de abril

Rodrigo Zub
Atendimento no comércio de Irati será suspenso entre os dias 24 de março e 13 de abril. Foto: Jussara Harmuch
Decreto assinado pelo prefeito Jorge Derbli na tarde desta sexta-feira, 20, suspende o funcionamento das indústrias, comércio em geral e prestadores de serviço, excetos bancos, a partir da próxima da 0 h de terça-feira, 24, até o dia 13 de abril. Fica permitido o atendimento de lanchonetes e congêneres do ramo alimentício para serviços de entrega direta ao consumidor (delivery).

O decreto autoriza a dispensa de licitação para aquisição de bens e serviços destinados ao enfrentamento da situação de emergência causada em função do COVID-19 (coronavírus). Serão contratados profissionais de saúde em caráter temporário para atender as pessoas caso haja necessidade. O decreto também determina que a secretaria de Fazenda realize o contingenciamento do orçamento para que os recursos sejam redirecionados para a prevenção e combate ao COVID-19.

A permanência coletiva de pessoas num ambiente comercial será limitada conforme a área do estabelecimento, em metros quadrados: cinco pessoas, para locais de até 150 metros quadrados; de seis a dez pessoas, para locais entre 151 e 300 metros quadrados; de 11 a 25 pessoas, onde a área for de 301 a 1.000 metros quadrados e de 26 a 50 pessoas, em ambientes de mais de 1.001 metros quadrados.

Exceções

O decreto não limita o atendimento em comércios e atividades essenciais, como serviços de saúde de urgência, emergência e internação, farmácias, postos de combustíveis, distribuidoras de água e gás, serviços funerários, mercados e supermercados, panificadoras e açougues, empresas de segurança, clínicas médicas e laboratórios, setor hoteleiro e indústria do setor de alimentos.

Sanções

Quem não cumprir as medidas estabelecidas no decreto cometerá uma infração à legislação municipal e ficará sujeito às penalidades e sanções aplicadas pelo município, podendo ser cassada a licença de funcionamento. Quem descumprir as medidas estabelecidas no decreto receberá multa no valor entre R$ 300 e R$ 5000.

Prefeito diz que falta de leitos de UTI pesou na decisão

Durante entrevista coletiva que teve a participação de profissionais da imprensa local, Derbli disse que o decreto também levou em consideração a falta de leitos de UTI na Santa Casa de Irati. “Esse decreto foi baseado também numa conversa com o doutor Ladislao [Obrzut Neto], com a Santa Casa, onde temos apenas dez leitos de UTI disponíveis para o tratamento de pessoas infectadas pelo coronavírus. Neste momento, nós temos somente dois leitos disponíveis. Oito estão sendo utilizados por pessoas que tem outras doenças. Então se tivéssemos um caso neste instante de internar três pessoas com casos confirmados de coronavírus em Irati, nós teríamos apenas duas vagas. Diante do fato de estar acontecendo casos suspeitos em outras cidades foi feito esse decreto”, justificou Derbli.

Secretário defende adoção de medidas drásticas para evitar que Irati tenha número de mortes proporcional a Itália

Já o secretário de Planejamento e Coordenação, João Almeida Junior, disse que o município levou em consideração dados de pessoas infectadas e mortas em função do coronavírus na Itália para determinar a suspensão das atividades do comércio, indústria e setor de serviços. “Como a população não está obedecendo o primeiro decreto e estava andando fizemos uma comparação como na Itália, nós vemos os números alarmantes da Itália. Se pegarmos a mesma proporção da Itália com 60 mil habitantes, em Irati, a metade da população vai ser contaminada. Desses 30 mil, 80% não vai ter sintomas ou os sintomas serão leves. São 24 mil pessoas [nesta condição]. Sobrou 6 mil pessoas que vão ter febre, tosse, entre outros sintomas. Para atender essas 6 mil teremos que ter médicos e profissionais de saúde para atendê-los. Pegando a mesma proporção. Dessas 6 mil pessoas, 80% serão salvas. Os outros 20% que seriam 1.200 pessoas vão necessitar de respiradores mecânicos. Só temos 34 [equipamentos] por mês. Nós teríamos 1.200 pessoas para atender. Pegando o índice da Itália de morte de 25% seriam 300 mortes no município de Irati. Nós temos que tomar medidas drásticas como o prefeito Jorge tomou hoje para que a população não venha a sofrer, não tenhamos no prazo de três meses que deve durar a epidemia, 300 mortes em Irati apenas pelo coronavírus”, alerta João Almeida.
O secretário relata que a prefeitura já havia analisado os números de possíveis casos, mas que esperava a cooperação da população no sentido de permanecer em casa e evitar aglomeração de pessoas. “Tinha sido feito um bloqueio parcial como outros países como Inglaterra e Espanha fizeram. Tínhamos essas contas desde o começo da epidemia. Então foi tomada como primeira atitude, o fechamento parcial que a Suécia, Cingapura e Coreia do Sul tomaram. Lá, a população compreendeu a gravidade e a situação crítica que estava. [Como a população não acatou a ordem para ficar em casa] Tivemos que radicalizar no decreto e fechar todo o comércio e indústrias”, alega.