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CNBB lança Campanha da Fraternidade 2020

Tema deste ano foi inspirado no trabalho de Irmã Dulce, canonizada como Santa Dulce dos Pobres


Paulo Henrique Sava, com informações do jornal Folha de São Paulo e do Portal Canção Nova
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou nesta quarta-feira, 26, a Campanha da Fraternidade (CF) 2020. O tema definido para este ano é “Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso”, inspirado no trabalho realizado pela religiosa Irmã Dulce, que foi canonizada no fim de 2019 pela Igreja Católica e recebeu o nome de Santa Dulce dos Pobres. Ela foi a fundadora do maior hospital público do país, localizado em Salvador.
O trecho da Bíblia escolhido como lema, “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10, 33-34), foi extraído do Evangelho escrito por São Lucas e conta a passagem do Bom Samaritano. Na parábola, Jesus procura mostrar a importância da compaixão pelo próximo, contando que, durante o trajeto de Jerusalém para Jericó, um jovem parou e prestou auxílio a um homem que havia sido espancado e assaltado momentos antes.
“Quem são os samaritanos do nosso tempo? Todas as pessoas, na sua humanidade, no jeito de ser, podem ser movidas pelo sentimento de poder ajudar, fazer o bem e dar o seu passo. Estamos admirando uma grande mulher e religiosa que é a Irmã Dulce. Isto é para mostrar que o mesmo sentimento que a levou a virar a Bahia do avesso e fazer este trabalho extraordinário que vem sendo realizado até hoje pode mover qualquer um de nós nas pequenas ações do dia a dia”, comentou o Padre Hélio Guimarães, reitor do Seminário Menor Mãe de Deus de Irati.
A atenção ao próximo e às suas necessidades deve começar na própria família. “Eu preciso olhar primeiramente para o meu esposo, ter a coragem e a partir do momento em que eu conheço ele, eu vou saber o momento em que ele está precisando de algo, que não está bem, a fisionomia dele já diz que tem algo de errado. Como vou cuidar do meu esposo, da pequena Igreja, do próximo que está ao meu lado? Vou sentar, perguntar o que está acontecendo, o que aflige o seu coração, vou escutá-lo. Este cuidado trata dele se perceber sendo escutado, tomar decisões juntos ou fazer uma janta, um bolinho de fubá que ele tanto gosta. É possível termos estes pequenos cuidados dentro de casa”, comentou Eliane Muller, integrante da Pastoral Familiar da Paróquia Santo Antônio, de Ponta Grossa.
Na maioria das vezes, oferecer carinho pode fazer a diferença para as pessoas. “Não é somente a parte financeira ou o alimento que caracteriza a solidariedade, mas sim a pessoa se sentir amada através de um gesto no qual somos convidados a estar em sintonia com aquela situação toda: um toque, um olhar, uma palavra, um ombro amigo, para que a pessoa permita se dar a conhecer quando está carente, com dificuldade, e falar sobre o que está se passando. Isto é amar e cuidar da ferida do próximo, que precisa de um tempo para ser curada totalmente”, frisou Eliane.
Padre Hélio afirma que a família, por ser a primeira comunidade da qual participamos, deve servir de exemplo para a sociedade. Para isto, é necessário que a fraternidade aprendida dentro de casa seja aplicada na prática, através do envolvimento real de todos com o sofrimento do próximo. “No mundo de hoje, o que está acontecendo conosco? Vemos as situações que se tornam notícias e se espalham nas redes sociais, mas por trás daquilo tem uma família, uma realidade social sofrida. O mundo atual quer curtir, compartilhar, tirar fotos, mas não quer se envolver. Precisamos ver, sentir compaixão e nos envolvermos. Há uma série de realidades concretas bem próximas com as quais podemos nos envolver”, apontou.

Instituição da Quarta-feira de Cinzas
A CNBB lança todos os anos a CF 2020 no início da Quaresma, período que antecede a Páscoa, no qual os cristãos relembram os sofrimentos que Cristo enfrentou durante 40 dias no deserto.
A Quarta-feira de Cinzas, que abre a quaresma, foi instituída durante o reinado de Constantino em Roma, no início do século XI, como forma de penitência após as comemorações do Carnaval, considerado na época uma festa pagã por conta dos exageros dos Cézares nas comemorações.
Durante a celebração, os padres fazem o sinal da cruz com cinzas na testa dos fiéis, lembrando as palavras de Deus para Adão após a traição dele: “Tu és pó e ao pó voltarás”.