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Atena recebe liberação de financiamento internacional para equipamentos

Empresa de transformação de lixo residencial em madeira biossintética deve investir R$ 18 milhões no empreendimento em Irati

Da Redação, com reportagem de Rodrigo Zub e Jussara Harmuch 
A Atena Engenharia Industrial recebeu aval positivo para a liberação do financiamento internacional para a aquisição das máquinas a serem instaladas na indústria de processamento de lixo domiciliar e sua transformação em madeira biossintética. A disponibilização do recurso ainda depende da transferência para o Banco Central, para aí, de fato, iniciar o investimento em equipamento. O investimento inicial é de R$ 18 milhões e pode, em médio prazo, ser estendido para R$ 30 milhões.
“Quando vem recurso internacional, não é destinado a um projeto só, mas para vários. Então, a documentação precisa estar pronta e correta, de todos os projetos enviados, para liberar o montante total. Se um dos projetos que queiram instalar no Brasil não estiver com a documentação correta, este valor fica bloqueado até que toda a documentação, de todos os projetos, esteja ok”, afirma a secretária de Meio Ambiente, Magda Lozinski.
Em setembro, o consultor de negócios da EKT, Mário Mayer, explicou que o recurso provém de uma linha de financiamento de investidores estrangeiros, que vão explorar financeiramente a usina a ser instalada em Irati. “Não tem qualquer relação com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e muito menos tem qualquer tipo de investimento por parte da Prefeitura na construção ou na confecção ou compra de qualquer equipamento”, disse Mayer, na ocasião em que o IAP emitiu a licença prévia para a instalação da Atena.
A EKT é a empresa que detém a tecnologia a ser implantada em Irati para a transformação de resíduo sólido em madeira biossintética. A Atena é uma construtora que integra o consórcio formado pela EKT Tecnologia, G81 – Investidor – e Construtora Atena. A EKT atua há 20 anos na pesquisa e desenvolvimento dessa tecnologia.
Conforme Magda, a alternativa, até que seja concluída a implantação da empresa Atena, é manter o transporte do lixo para o aterro no Pinho de Cima. “Prevemos que, dentro de seis meses, a empresa já estar iniciando a operação”, diz Magda. A instalação da indústria vai dispensar o uso de aterro sanitário, gerar 50 empregos diretos e outros 200 indiretos e produzir um material de alto valor comercial.
A previsão inicial era a de que a Atena inicie as operações entre março e abril deste ano. Inicialmente, devem ser tratadas 50 toneladas de resíduo por dia. A unidade pode chegar a até 100 toneladas diárias, uma vez que o objetivo é também atender aos municípios circunvizinhos a Irati. Como a estrutura é modular, pode ser ampliada a qualquer tempo.
O Ministério Público e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) formalizaram, junto ao Município de Irati, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), para a desativação do aterro do Pinho de Baixo. “Ainda estamos dentro do prazo. Estamos correndo contra o tempo para que consigamos atender, dentro desse TAC, a instalação dessa empresa”, explica a secretária de Meio Ambiente.

Burocracia

Entre o anúncio da vinda da empresa e a emissão da licença prévia de instalação, pelo IAP, houve o prazo de um ano. Quando a licença foi emitida, já tinha vencido o prazo de seis meses para a instalação da empresa, conforme a lei de cessão de uso de um dos barracões do Parque Industrial. O município decidiu, no final de agosto, estender o prazo até dezembro de 2019.
O contrato de concessão é de 30 anos e a empresa não terá isenção fiscal. Um dos artigos da lei estabelecia o prazo de 60 dias para que a empresa se instalasse no barracão cedido. Porém, diante dos entraves burocráticos para a instalação da empresa, fator externo a ela, o prazo foi postergado sem necessidade de um novo projeto de lei ser apresentado à Câmara, fixando essa nova data limite para o mês de dezembro, prazo um pouco menor que os 180 dias que tinham sido solicitados pela Atena.
Na época que foi assinado o contrato entre a Prefeitura de Irati e a Atena Engenharia Ltda., no fim de julho de 2018, ao fim de um processo licitatório, houve muita comemoração pelo fato de que Irati seria pioneira no Brasil ao transformar resíduos sólidos urbanos (lixo doméstico) em madeira biossintética. Processo similar já é aplicado por uma empresa numa unidade em Araucária, porém, utilizando resíduo industrial – aparas de plástico. Outra empresa adota tecnologia parecida na cidade de Santo Ângelo (RS). A falta de um empreendimento similar no Paraná impedia o IAP de fazer comparações e definir a emissão ou não dessa licença.