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A história da farmácia do Vico, uma das mais antigas de Irati

José Fernando Teixeira Júnior que trabalhou mais de 34 anos na farmácia do avô contou histórias curiosas que foram registradas durante os 71 anos de funcionamento do empreendimento

Lenon Diego Gauron, com reportagem de Paulo Sava. Fotos: José Fernando Teixeira Júnior
Fundada em 2 de setembro de 1948 por Lourival Teixeira, a tradicional farmácia do Vico de Irati deixou muita história e lembranças na memória da população. Algumas delas engraçadas.
José Fernando Teixeira Júnior, que trabalhou mais de 34 anos no estabelecimento do avô, esteve no programa “Meio Dia em Notícias” da Super Najuá no dia 31 de outubro de 2019. Na ocasião, ele comentou algumas curiosidades dos 71 anos de funcionamento do estabelecimento que fechou as suas portas no ano passado.
Fernando relatou que nos primeiros dias de funcionamento, o foco do seu avô e do sócio fundador era a propaganda. Ele afirmou também como a família se tornou proprietária do negócio. “Um dia, em uma festa na igreja Nossa Senhora da Luz, teve uma festa e ele [o avô] e seu sócio foram até lá para distribuir lápis para a população, anunciando a abertura da nova farmácia. E após alguns anos, o meu pai veio trabalhar com o meu avô e então eles compraram as partes pertencentes aos outros sócios, virando um negócio de família. Após o falecimento do meu avô, a minha mãe, que na época já era uma professora aposentada, acabou se tornando sócia da farmácia, ajudando o meu pai na administração da empresa”, lembrou.

Antigos utensílios da Farmácia do Vico. Foto: José Fernando Teixeira Júnior
O ex-funcionário da Farmácia disse que a relação entre vendedor e cliente era diferente antigamente, pois as pessoas costumavam quitar suas dívidas. “Existia muita fidelidade, eram outras épocas. Existiam vários convênios com as empresas, mas, além disso, também existia o cadastro particular, onde o cidadão vinha, fazia a compra e era anotado em uma caderneta; e quando ele recebia, ele ia lá para quitar a sua conta e começar uma conta nova. Era difícil alguém ‘dar o calote’, alguém não pagar”, revela Fernando.
José Fernando Teixeira Júnior é neto do primeiro proprietário da farmácia Lourival Teixeira (Vico) e trabalhou mais de 34 anos no estabelecimento/ Rayla Franco
Medicamentos artesanais
Ele ainda disse que antigamente não existiam muitos medicamentos prontos. “Os médicos faziam o receituário e você tinha que fazer a fórmula, concretizar ela, fazer o medicamento e entregar ela ao cliente. Então precisava haver um controle muito rigoroso, tinha que tomar um cuidado para não confundir o nome dos medicamentos. Então você preparava a fórmula. Era praticamente uma coisa artesanal. Ele lembrou que havia uma regra interna para que nunca se fizesse uma fórmula sozinho, pois segundo ele, estando acompanhado de outro profissional era mais difícil de errar algum medicamento. Você estava fazendo medicamento para seres humanos. A dedicação e atenção tinha que ser total para não haver erros”, comentou Fernando.
Antigos utensílios da Farmácia do Vico. Foto: José Fernando Teixeira Júnior

Bengala do Vico

Durante a participação de Fernando no programa, uma ouvinte do bairro Rio Bonito contou que frequentava a farmácia do Vico com sua mãe e que tinha de medo de uma bengala que o proprietário do estabelecimento possuía. “Meu avô era uma pessoa muito bem-humorada, muito dinâmica, vivia de bem com a vida. E essa bengala era feita de madeira e dentro dela existia uma espada. Muitas vezes ele brincava com as pessoas. A pessoa segurava a bengala e ele puxava o cabo, mostrando a espada e a pessoa tomava um susto, mas tudo na brincadeira”, lembrou o neto de Vico.
Assista à entrevista: