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Projeto Ritas propõe tratar depressão com terapias alternativas

Idealizadora está em busca de um novo local para a realização dos encontros mensais para dar continuidade ao projeto

Da Redação, com reportagem de Rodrigo Zub e Paulo Sava 
O projeto Ritas, idealizado e coordenado pela terapeuta naturalista Fernanda Popoaski, propõe discutir e lidar com a depressão através de terapias alternativas. A morte da irmã de Fernanda, em reflexo da depressão, serviu de estímulo para a criação do projeto, que ganhou o nome dela. A terapeuta naturalista acredita que é preciso superar os tabus que circundam temas como depressão e suicídio e dar visibilidade a eles, o que pode contribuir para, até mesmo, evitar novas ocorrências.
“Essa ideia surgiu justamente pelo sofrimento que tivemos na família, por não saber o que ela passava, nossa irmã. O slogan do projeto – ‘Quando os lábios sorriem, mas a alma chora’ – traz muito do que a Rita era: uma pessoa muito alegre, tanto no trabalho quanto na família, e ela não demonstrava os sintomas”, diz.
Outro objetivo do projeto é levar informação sobre a realidade de quem enfrenta a depressão e quebrar estigmas preconceituosos e infundados, como os de que a doença seria uma “fraqueza”, “frescura” ou “falta de Deus no coração”.
Os encontros do projeto ocorriam mensalmente, na penúltima sexta-feira de cada mês, na Clínica Rebesco. Fernanda está em busca de novos parceiros que cedam espaço para a realização dos encontros, desde que não sejam pavilhões ou barracões atrelados a igrejas ou com vínculo político. A continuidade do projeto depende disso. “Já tivemos procura de pessoas influentes para nos apoiar, mas não quisemos essa parceria, porque queremos que seja algo completamente isento”, diz.
O projeto aplica terapias alternativas, como a ioga, de forma a complementar os tratamentos já prestados pela psicoterapia nos consultórios. Os “encontros-terapia” trabalhavam aromaterapia, musicoterapia, ioga e outras técnicas de indução ao relaxamento. Os encontros abordavam temas variados, como morte, medo e insegurança. De início, eram tratados temas fixos e, depois, surgiam novos temas sugeridos pelos próprios frequentadores. “Havia muito diálogo entre os participantes e, além do tema abordado, sempre trabalhávamos com técnicas do ‘sagrado feminino’ [filosofia que exalta a conexão da mulher consigo mesma e com a natureza], que é a abordagem do psicossomático, um dos três pilares com os quais atuamos nesse projeto”, explica Fernanda.
A adesão do público surpreendeu a idealizadora, que esperava que houvesse participação de três a cinco pessoas por encontro e, no entanto, a média de frequência das reuniões sempre ficou em torno de 25 pessoas, num fluxo que ia se renovando na medida em que alguns deixavam de frequentar e novos adeptos surgiam.
Sem um novo local para a realização dos encontros mensais e sem previsão de cronograma desses encontros para esse ano, Fernanda mantém o projeto ministrando palestras, em colégios, por exemplo. Essas palestras são voltadas à realidade do adolescente, que costuma passar um período de amadurecimento, autoconhecimento e muitos questionamentos.
Segundo Fernanda, a cada palestra, surgem pelo menos 30 perguntas dos alunos e ela só não responde mais questões dos estudantes pela limitação do tempo das palestras.
“Temos também terapeutas parceiros, que não são apenas de Irati, mas de Rebouças, Curitiba e outras cidades. Conforme cada laudo que íamos fazendo, íamos indicando. Alguns terapeutas parceiros cedem consultas gratuitas”, acrescenta Fernanda.
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Busque apoio

O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional e de prevenção ao suicídio, de forma gratuita, 24 horas por dia. Você pode acessar a ferramenta e conversar com voluntários pelo telefone 188, por e-mail (formulário na página www.cvv.org.br/e-mail/) ou chat (www.cvv.org.br/chat/). O atendimento possui garantia de anonimato e manterá sigilo sobre tudo o que for dito.
Fernanda recomenda procurar o serviço, pois o diálogo com os voluntários treinados faz com que a pessoa depressiva, em momento de crise, possa repensar a atitude e evitar uma tentativa de atentar contra a própria vida. “Tudo o que ela precisa é ser ouvida”, resume Fernanda.

Mais informações

Para mais informações sobre o Projeto Ritas, entre em contato pela página no Facebook: https://www.facebook.com/souritas/.