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Livro sobre história dos bairros de Irati será lançado em março

Publicação do engenheiro Dagoberto Waydzik reúne 38 crônicas. Alguns dos textos já foram publicados no site da Najuá
Da Redação, com reportagem de Rodrigo Zub e Paulo Henrique Sava

© Rayla Franco

Engenheiro Civil- Dagoberto Waydzik
O sucesso das crônicas escritas pelo engenheiro civil, Dagoberto Waydzik, em que narra a formação de bairros iratienses, fez o autor decidir reuni-las em um livro, que tem lançamento previsto para a última sexta-feira de março (27), às 19h, no Centro Cultural Clube do Comércio.

O engenheiro frisa que os textos surgiram de maneira despretensiosa e que ele pretendia, através deles, acrescentar seu ponto de vista, pois projetou alguns desses bairros ao participar de quatro administrações municipais ao longo das últimas três décadas.

“Vivi muito a história da formação de alguns bairros, principalmente nas décadas de 1980 e 1990, de 1983 a 1992, quando foram feitas milhares de casas no sistema de mutirão. Notei que isso não havia sido registrado em lugar algum”, explica Waydzik. Em setembro, o engenheiro já manifestava o interesse em ampliar as crônicas, que vinham sendo publicadas em jornal, com limite de 50 linhas por texto.

As crônicas foram, inicialmente, publicadas na fanpage do engenheiro (https://www.facebook.com/Dagoberto-Waydzik-305145199949308/), em grupos de WhatsApp e no grupo “Era uma vez, em Irati”, no Facebook. Depois, virou coluna do jornal Folha de Irati e foram publicadas no site da Rádio Najuá. “Como recebi incentivo de muitas pessoas – e eu tinha material suficiente – resolvi transformar num livro”, salienta.

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Por ter trabalhado durante anos na hoje denominada Secretaria de Arquitetura, Engenharia e Urbanismo – outrora Secretaria de Obras, Viação e Urbanismo – o autor das crônicas teve acesso a um vasto arquivo da Prefeitura. “Infelizmente, muitas coisas desaparecem, mas muitos projetos, plantas de loteamentos, histórias de ruas ficam arquivadas lá. Como eu tenho essa disponibilidade, uma facilidade [de acesso] e amizade com o povo lá e são documentos públicos, fui retirando esses números, essas áreas e datas desses loteamentos e bairros, ou o que foi possível, para poder consolidar isso de uma maneira mais efetiva nas minhas crônicas.

O livro reúne 38 crônicas. “Tem uma poesia de entrada, um prefácio e um posfácio. Tudo que a norma exige tem no livro. Tive que aprender muito sobre isso também. Foi uma tarefa bastante satisfatória e mais árdua, mas tenho pessoas que me auxiliam, então, o livro já está para ser editado e impresso em uma gráfica. Ainda precisa de uma revisão e de formatação, mas o conteúdo já está pronto”, revela.

A maior parte das crônicas já foi publicada no site da Najuá. Os últimos textos falam sobre o bairro DER, Fósforo e o Centro. “São crônicas bem relevantes – não que as demais não fossem – mas é que têm um histórico muito forte para a cidade de Irati”, diz.

Segundo Waydzik, nem todos os bairros foram contemplados no livro. “Bairro é um local geográfico onde vive uma comunidade e ela interage. Cada Prefeitura pode criar leis que determinam o perímetro desses bairros. Até agora tem ocorrido uma confusão bastante grande na cidade por causa dos Códigos de Endereçamento Postal (CEP). Pela legislação, Irati possui 19 bairros, mas tem mais de 50 comunidades dentro do perímetro urbano. Escrevi sobre 38 e ficaram algumas de fora, que são praticamente contíguas, ou seja, ao lado de outros bairros e acabam incorporados pelos bairros maiores”, explica.

Além de localidades, as crônicas apresentam personalidades que foram importantes para a formação de Irati, a exemplo de Antônio Xavier da Silveira, criador do Iraty Sport Club, que hoje é patrono de um dos maiores colégios do município, e Francisco Stroparo, que foi proprietário de um vasto território que hoje faz parte da área urbana. Coincidentemente, Francisco Stroparo é também nome de uma escola municipal.

Porém, entre as personalidades apresentadas no livro, algumas são menos conhecidas – nem por isso menos relevantes – como Carlito Molinari, conforme o autor. “Foi uma pessoa relevante, tirando pedra, incentivando o esporte, através do Guarani do Riozinho, também com carreiras de cavalo”, detalha. Outra personalidade é Cesário Fortes que fundou a Igreja Matriz Nossa Senhora da Luz, a Praça da Bandeira e o Colégio Estadual Duque de Caxias. Carlito Molinari denomina o Conjunto Molinari. Cesário Fortes, por sua vez, denomina trecho da Perimetral, que vai da rotatória do Fórum Eleitoral até a rotatória da Avenida Vicente Machado.

Narrar a história desses personagens, segundo Waydzik, enriqueceu o relato da história da formação dos bairros, pois são personalidades que viveram nesses locais ou próximo a eles e possuem relação intrínseca com o surgimento das comunidades.

O planejamento inicial era escrever sobre os bairros que ele, como secretário municipal, ajudou a projetar. Entretanto, a repercussão dos textos o levou a estender o índice de crônicas e incluir outros bairros. “Não seria justo não escrever sobre a Vila São João, Engenheiro Gutierrez, Riozinho, Pedreira, Nhapindazal, que são bairros que principiaram o nascimento de Irati”, acrescenta.

Além de fontes documentais, os textos do engenheiro também se baseiam em relatos orais, de personagens ou de descendentes relacionados à origem dos bairros: sejam os moradores mais antigos, sejam os proprietários de terrenos que deram origem a loteamentos. “Tem pessoas de 94 anos que deram depoimento. Ali no DER, a dona Tadéia Bobato tem 90 e poucos anos”, ilustra.

Três patrocinadores vão custear quase integralmente os custos de impressão da tiragem inicial, de 500 exemplares, que devem ser comercializados a um “preço módico”, conforme Waydzik. “Quero destinar a renda para alguma ONG”, pontua.

Serviço

Lançamento do livro de crônicas, de Dagoberto Waydzik

Onde: Centro Cultural Clube do Comércio (Rua Quinze de Julho, 310 – Centro)

Quando: 27 de março (sexta-feira), às 19h